Teste Contra-Relógio

#61
Santos Vitor... pela paixão, interesse e visão que tem... temos novo Mourinho das Bikes a nascer... é mesmo isso que o Btt do futuro precisa, novas mentalidades que vejam para a frente e trabalhem para frente, sem passados a que se agarrar, sem mitos, calos e vícios a trabalhar em conjunto em prole de um objectivo comum. Sucesso no curso, e penso que depois de ter ouvido o Prof. Algarra já terá percebido que o actual Nível I do Curso de treinadores de ciclismo da Federação faz em quem seja interessado, grandes treinadores, pois matéria actual, bons prelectores, itens importantíssimos em todos os níveis bem focados não faltam para que um interessado a sério sáia desse curso mesmo a saber muita teoria importantíssima que depois de começar a colocar em práctica se fará treinador no fim do curso que é depois dessa 1ª parte teórica, 1 ano de estágio numa equipa ou a treinar atletas com base no que se aprendeu... e quem faça até mesmo no estágio, a coisa a sério, faz-se bom treinador mesmo, pois até mesmo depois qualquer dúvida pode contactar os preletores por mail. A qualidade do curso para mim é fantástica e muito superior às minhas expectativas... aperte com os prelectores, bombardeie-os com todas as questões e dúvidas que tenha... aprenderá mais e eles agradecerão com maior interesse na explicação e formação. Estou todo roído pois este é o 1º ano de 3 que não tenho curso nesta altura...

abraço e boa aprendizagem... e esse gráfico e o "máquinista"... está de 5 estrelas... vibro com esta maneira de estar e viver o XC...
paulo marinheiro
 
#62
Boas pessoal :D...ganda tópico este!
Assim do nada já fiquei a conhecer melhor este dois grandes treinadores e o XCO de competição em Portugal está mais rico, por isso continuem a "picaria" :twisted: que é bom para todos!
Em relação ao Paulo M. Já fiquei a saber que deve ser fã do Mourinho, se me permite o elogio, ao estilo deste ultimo, disse durante a época passada que o forte do Ricardo era as súbidas e já ficou aqui aqui provado o que eu suspeitava...o puto é mesmo bom é a descer...e a subir...pronto é bom em tudo! Há... e gosto dos exemplos com o Absalon...venham eles!
Estou também a gostar conhecer os métodos do "mítico" Tiago Aragão, continue a contribuir no Forum e a treinar os nossos melhores atletas.
Em relação ao tema gostaria só que elucidassem melhor em que fases da temporada são melhores para se fazer este teste, só para dar o meu exemplo, tenho 25 anos e em plena temporada, com pré-época feita, 3 provas no bucho, treinos de 30/30 e resistencia anaeróbia uma vez por semana entre outros treinos, a minha pulsação não passava das 183PM de Maxima. Agora que já há muito estou parado, sem provas , só a andar de vez em quando, já consigo ir ás 195PM, logo tinha que rever todo o leque de pulsações para as várias % de treino. Ou seja, em que fazes da temporada devo re-encontrar o limiar anaeróbio? Existe relação entre a FCM Max. e o limiar anáeróbio, ou seja, se um varia o outro varia proporcionalmente?
 
#63
""O teste consiste básicamente em, na pista aumentar a velocidade ou a potencia por volta de forma regular começando de um nível de esforço médio/baixo até ao final que será quando não conseguires fazer 1 volta mantendo a mesma velocidade. Tirarás dois ou três parametros e colocarás num gráfico: velocidade e/ou potencia versus pulsação. No gráfico verás que a pulsação sobe liniarmente com o aumento de velocidade ou da potencia... até um determinado ponto onde tu aumentas a velocidade ou potencia, mas o aumento da pulsação já é menor que antes e notas um deflexão no gráfico. Esse ponto de deflexão em que há aumento de velocidade ou da potencia, logo aumento de nível de esforço mas sem aumento proporcional de pulsação, indica-nos que esse novo aumento de nível de esforço pelo facto de não ter feito aumentar a pulsação não teve necessidade de mais oxigénio, então depreende-se com exactidão que esse aumento foi feito à custa de trabalho anaeróbico (sem utilização de oxigénio) e então esse ponto que coorelacionaremos com a pulsação na altura imediatamente antes, ou a potencia exercida imediatamente antes, será então o nosso real e pessoal limiar anaeróbico da altura, seja a zona limite onde o esforço é feito de forma aeróbica, pois para lá dessa deflexão já começamos a acumular ácido láctico, logo já estamos em trabalho maoritáriamente anaeróbico""

Interessante!! Nunca procurei observar que em determinado ponto o esforço aumenta não tão diretamente proporcional à FC, o chamado ponto de deflexão. Na prática, é realmente simples assim detectar esse ponto??
O que tinha como forma de detectar esse misterioso LIMIAR é pelo esforço em dado momento em que não aguento mais que alguns poucos minutos nesse ritmo. Logo, pouquinho abaixo disso seria o LIMIAR, mas tb não sei se á fácil descobrir.
 
#64
"... e já agora Candido, qual é a pulsação média que fazes em prova, principalmente nas fases da prova em que puxas mais por algum tempo, sendo que gostaria de saber essa média em prova mesmo nas provas que consideras que tenhas feito a dares mais de tí... agradeço desde já a tua colaboração que é ouro para eu aprender com a práctica..."

Prova 16/11/08
pulsação media =180
max =191
52 Km em 2h 28
cadencia media 88 rpm
 
#65
Obrigado Candido.

Em 2 horas e 28 minutos consegues andar a 3 pulsações a mais de média que o Limiar Anaeróbico do teste de laboratório que fizeste. Esse teste ditou que para além de 178 pulsações começarias a acumular ácido láctico e entrarias rápidamente em quebra... o que não aconteceu????!!!!! Porquê? - Porque o o teu Limiar Anaeróbico Real, em situação real de rua, vento na cara, arrefecimento, posição correcta na bike que com ela parada ou num ciclo-ergómetro não consegues, esse teu Limiar real foi no teste 30mn de 181... já viste... andaste a menos 1 pulsação que esse teste... Não é que seja quanto a mim demasiado importante para o treino, mas para tí treinar o limiar anaeróbico é treinar a 181, e não a 178, e para passares de uma pulsação a outra, parece pouco, mas na realidade, aumentar essas 3 pulsações obriga nessa zona a um esforço muito superior, no que se eu como teu treinador quisesse que tu treinasses 2 vezes por semana 2 series de 20 minutos no limiar anaeróbico, se tu o fizesses nos 178, no final do mês não estarias tão forte no limiar como eu achavas que poderias estar, pois embora eu quisesse que tu o fizesses no limiar, tu fizeste-o bem abaixo e digo-te que em termos de intensidade de esforço 3 pulsações podem bem representar 25 Watts ou mais e isso é muito... tanto que pode levar anos a um atleta já maduro a evoluir esse valôr na potencia máxima aeróbica e mesmo na potencia no limiar anaeróbico. E se tivesses feito o teste pelo lactato, o erro ainda seria maior do que os 4mmol ditam que seria por exemplo 175, dizendo taxativamente que não podes andar mais de 20 minutos ou meia hora a mais de 175... e afinal a prova desmente dizendo que podes andar a 180 de pulso horas seguidas... esse sim o teu limiar anaeróbico, que sinceramente te dou os parabéns por andares tanto tempo em esforço, ainda que estável, mas em esforço. Estás forte fisicamente e mentalmente... e com cadencia óptima.

Amanhã será feito o teste que falamos aqui, e se coorelacionarei com o pulso também, já o correlacionarei com a potencia, mas farei 20 minutos, pois a um nível mais alto este tempo reflete melhor a realidade. Quem o fará, neste caso? O Ricardo Marinheiro que poderia fazer todos os que quisesse, onde quisesse, pois as vitórias dele e o meu trabalho de apoio e gestão da sua carreira levaram-no a uma situação de poder fazer a nível desportivo, com poucas limitações, o que quiser pois dispõe de verba para quase tudo desde testes a estágios de altitude... mas nós optamos por saber o Limiar Anaeróbico real dele, correlacioná-lo com a potencia e pulso também... e isso faz-se a andar 20 minutos a fundo na pista da malveira, tentando manter nesses 20 minutos o valôr máximo que ele aguente sem quebrar. No final eu saberei o limiar anaeróbico dele nesta altura... daqui a 1 mesociclo de trabalho ou 2, seja 1 mês ou 2... farei outro identico para reacertar a intensidade de esforço no treino e ver a evolução do trabalho feito... e baseado nestes testes será feito todo o trabalho da época... no final, os pódios dirão se estes testes reais funcionam ou não... e falamos de pódios a sério, pois os de casa (Portugal) ele conhece todos como a palma das mãos...


obrigado novamente Candido... foi importante ter a tua informação real,
paulo marinheiro
 
#66
Este e outros tópicos do Paulo são autênticas enciclopédias.

Obrigado a todos os intervenientes que contribuem para que todos, como eu, que chegaram à pouco a esta maravilhosa modalidade, possam saber como evoluir.

Uma vez mais obrigado, Continuarei atento ao que escrevem e talvez um dia destes também possa começar a contribuir com alguns conteudos/informações para este espaço. 8)
 
#67
Boas Paulo , já sairam as classificações afinal fiz 2h 27 15ª em 225
em relação ao esforço acho que ainda podia ter dado mais um pouco, porque ainda tenho meda de quebrar, no inicio estavam 3 graus positivos e eu em calções e luvas de dedos, nos primeiros 10 km estava congelado só quando comecei a subir é que decongelei,
tive alguma falta de força nos ultimos 10km que eram a rolar e eu perdi a roda de dois espanhois(da mesma equipa um era o actual campeão galego) de prós em inicio de epoca, erro tático , são os tais pequenos pormenores, num viragem rapida e com subida ingreme não tivemos tempo de mudar as velocidades, eles arrancam a correr e ganharam uma vantagem de 30m e nunca mais os vi, ao ficar só, fui perdendo força, e não conseguia passar das 176, ainda perdi mais 2 lugares e 3 minutos para os espanhois. No proximo fim de semana vou fazer mais uma prova em Monforte(Coimbra).
Em relação ao limiar pode não haver tanta diferença, porque quando fiz o teste foi em Agosto e tinha vindo de uma pequena paragem(uma semana), e podia ter acontecido que com a subida de forma o limiar tenha subido (eu não sei quanto tempo de treino é necessario para subir o limiar ), para fazer uma analise mais correcta devia ter feito o teste logo na semana seguinte.
Em dezembro vou fazer um teste sempre em subida para fazer a analise do limiar em subida (qual será a % ideal de inclinação, 20minutos será suficiente?).
Seria interessante saber o resultado do Teste do Ricardo.

bons treinos
Cândido Morais
 
#68
No Sábado por forma a tentar perceber o mesmo que tu, vamos subir (vamos... é uma maneira de dizer... vai, é mais correcto eheheh) o Montejunto por 20 minutos no máximo também para perceber diferenças entre subir e rolar.

Epá, Candido... os resultados do teste são os mesmos do costume... assombrosos tanto em potencia no limiar quanto pulsação mesmo... mesmo nesta fase da época. Posso dizer que por estes testes se percebe de onde vêem os 3 a 4 minutos que ele ganha por época aos adversários, e os 4 a 5 que evolui comparando com ele mesmo... mas os valores são próprios dele, no caso peço desculpa dizendo o mesmo que o Absalon diz "segredos de pró..."... ele tem adversários que são treinados por quem sabe sobre treino e dar valores era dar referencias para trabalhar e eu por exemplo se soubesse os valores dos adversários directos (os de lá de fora claro) era um treinador feliz, por isso apenas posso dizer que são efecticvamente valores altos e raros de potencia efectiva no limiar anaeróbico, mas se passarmos isso a potencia relativa, ou seja, relação peso/potencia, seja no limiar ou mesmo e neste caso, na potencia máxima aeróbica então temos valores absolutamente raros no mundo do desporto a pedal... e falo de relação peso/potencia apenas, que uma vez em testes da selecção a subir deixou o Dr. Xavier Resa abesbílico e a dizer-me para o pôr a correr lá fora o mais rápido possível... se colocarmos a equação peso/potencia/idade e desenvolvimento... então nem digo nada, pois ele ainda leva muito até acabar de crescer... e no final do crescimento eu prevejo que os valores sejam por forma a bater o Julien Absalon, ehehehh...

paulo marinheiro
 
#69
Sr Paulo será impressao minha ou cada ano que passa os atletas da Taça do mundo se apresentam cada vez mais secos e sem um grande volume muscular? o que quero dizer é se concorda que a morfologia do atleta de topo de XCO esta a alterar se? sendo que cada vez mais para se ser um atleta de topo tem de se ser um dos tais "fininhos " a que se refeiu atras?
isto porque apesar de sp ter existido atletas de XCO leves e pequenos , com grandes relaçoes peso potencia , tenho a sensaçao que há 5 , 10 anos atras existiam mais atletas de XCO "pesados". esta de toddo errada esta minha opiniao?

perdoem o Off-topic mas esta duvida surgiu me durante a leitura deste topico.

Abraço
 
#70
"Muito importante recordar que a subir o limiar é 10 pulsações mais alto, pois se não tiveres isto em consideração numa prova, quando a direito vais a 175ppm no limiar anaeráobico, e quando aparece uma subida, se mantiveres os 175ppm irás estar muito abaixo desse limiar, no que se aumentares um pouco a pulsação dependendo da inclinação da subida, estarás na mesma zona energética... se mantiveres a pulsação nos 175, o pessoal vai passar todo por tí e tu no final tens tanta reserva ainda que podias fazer outra maratona de seguida e pensarás: mas eu estive no limiar...!!!???"

Paulo,
As 10ppm (+-) se devem à sobrecarga do coração para arrefecimento do corpo, em substituição ao vento, como explicado lá atraz pelo Sr., e assim significa que se meu Limiar é 160, posso andar até 170 ainda em Aeróbico?
Foi o que entendi, mas e a inclinação da subida? O aumento não ocorre também porque o desgaste é maior simplesmente por ser Subida?
Se estou no plano a 160 e logo à frente vem Subida, pra manter a velocidade preciso aumentar a FC, dada à inclinação, e por isso canso mais.
Concordo com a questão do aumento da FC na questão do arrefecimento, mas queria entender melhor esse processo.
 
#71
faria_fjh,

in High-tech Cycling, capítulo 11 - Phisiology of Montain Biking - tradução mais ou menos correcta

Ser um ciclista de montanha de sucesso requer óptimos sistemas fisiológicos, um alto nível de capacidade técnica não requerido para a competição de estrada... a especialidade de XC em particular requer capacidades técnicas de condução únicas, andamento apropriado e táctica de corrida e a capacidade de manter um muito alto nível de esforço e capacidade para tolerar condições ambientais adversas e resistri aos efeitos da fadiga mental e física devidas à depleção de energia e desidratação.

Um largo número de investigações científicas de vários desportos determinaram os mínimos fisiológicos para competir a alto nível em desportos como o XC... e seguem-se os valores mínimos:
- potencia aeróbica máxima (vo2max) superior a 60ml/kg/mn
- relação peso/potencia muito alta
- baixo nível de gordura corporal
- capacidade de treinar e competir numa percentagem muito alta do VO2max (ou alta percentagem da frequencia cardíaca máxima) por longos períodos
- potencia muito alta no limiar anaeróbico
- capacidade de manter potencias absolutas muito altas resistindo à fadiga muscular
- técnica de condução eficaz e consequentemente economizadora
- capacidade de utilização das gorduras como fuel em exercicios de alta intensidade por forma a poupar glicogénio


São estas...agora segue o seguinte que no fundo é a minha visão do treino adaptado a estas premissas do XC ao que eu acho que não adianta treinar 4 ou 5 horas devagar, pois as adaptações fisiológicas que estas horas dão não servem para nenhum destes parametros acima, (a não ser emagrecer) e no fundo refletem o que o Via Simples é e o que fazem hoje a grande maioria dos atletas de topo mundial, onde por exemplo o Kashi-leucks antes de treinar à nova maneira andava em 30, 40, e depois passou logo a top 20, sendo hoje um normal top 10 pelo trabalho que faz agora com base nestas premissas:

- potencia aeróbica máxima (vo2max) superior a 60ml/kg/mn : já nasce contigo mas podes melhorar muito o teu nível inicial, mas fica sabendo que o desenvolvimento e aumento do Vo2max só se faz quase em exclusivo em trabalho em cima deste Vo2max, ou seja, perto do máximo... nada de papas se queres aumentar o Vo2max...

- relação peso/potencia muito alta : sobe na potencia efectiva treinado forte e duro que só assim ela sobe com treinos de potencia (lá em cima)... e cuida da alimentação para baixar o peso. é no prato que está o sucesso deste item.

- baixo nível de gordura corporal : nasce contigo também a tendencia ao magro ou gordo, mas uma dieta ferrea e bem dirigida pode fazer de um obeso, um Absalon

- capacidade de treinar e competir numa percentagem muito alta do VO2max (ou alta percentagem da frequencia cardíaca máxima) por longos períodos : só o consegues com muito treino e muita capacidade de suportar a dôr sem queixinhas... também é genética a resistencia mental para este item, trabalha-se, mas o queixinhas em puto não será um duro depois... tem que ser na origem daqueles duros e tesos, como a Vanessa Fernandes

- potencia muito alta no limiar anaeróbico : treina-se a andar na zona do limiar anaeróbico, seja um pouco abaixo ou um pouco acima, ou mesmo no ponto, e só aí se treina este ponto... não adianta andar a pastar a vaca que este item não sobe

- técnica de condução eficaz e consequentemente economizadora : queres ser crossista de pódios e sentes que a técnica te trái o desejo? larga a porcaria da bike de estrada e faz-te ao monte... é lá que aprendes ( vende mesmo a fininha que eu considero ser uma das responsáveis pelo baixo nível do XC português pela preguiça de andar na terra com "a estrada limpa e lisa mesmo aqui ao lado"...

- capacidade de utilização das gorduras como fuel em exercicios de alta intensidade por forma a poupar glicogénio : mito 1, o maior mito nacional - o corpo aprende a queimar gorduras a andar bem devagarinho... desmontagem do mito 1: depois em prova não vais andar devagarinho e se o corpo aprendeu a queimar gordura a andar devagar isso não servíu para a corrida, pois não andaste devagar. Como diz este item, o corpo tem que aprender a consumir gordura nos exercicios de ALTA INTENSIDAE, e isso ele aprende nos exercícios de alta intensidade, por exemplo na zona mista ou entre menos 10 pulsações de o limiar anaeróbico, pois estas ainda são zonas eminentemente aeróbicas onde a gordura representa papel e se treinares muito aqui o corpo que de parvo nada tem aprende a economizar (como dizia lá no Via) e economizar... é usar gorduras.

E então os atletas actuais de XCO ao vivo são bocados bons de carne nas pernas acompanhadas de ossos cobertos de pele no resto do corpo. Se tu tens 65 de Vo2 e 70 kg de peso, se perderes 5 kg de gordura passas logo a 70 de Vo2 sem mudar o treino. A relação peso/potencia é fulcral nos dias de hoje, pois hoje já não é fácil aos crossers de topo usarem tretas que até podem estar gordos que aquilo anda na mesma... hoje tens mesmo que estar todo afinadinho... o Absalon é super fino, o único gordo é o Vogell, mas nas provas máximas muda de figura e aparece seco... Há 10 anos eles não precisavam emagrecer e ter estes cuidados extremos que agora têem, pois agora o Absalon, um metodista fanático marca o passo, além de que há 10 anos eles eram gordos mas tomavam EPO para compensar, como o Meirhege, o Rasmunsen, o australiano que foi campeão do mundo que foi caçado depois, e o que agora anda na estrada que agora fez este ano 2º no Tour e já esteve suspenso também... hoje os tempos são outros no BTT felizmente, e para se andar forte tem que se estar fino a top de forma limpa...


match,
as 10 pulsações são mesmo para arrefecimento, pois se quando você diz que quando vem a subida, você aumenta o esforço para manter a velocidade, já põe outra variável em mais potencia efectiva que coloca no pedal, essa frase refere-se ao mesmo esforço efectivo, ou seja se você tiver um medidor de potencia e o seu limiar anaeróbico fôr a 300 Watts por exemplo, esse é o seu real limiar independentemente de tudo à volta, seja subida, temperatura e etc... o seu limiar é aos 300 watts e se você fôr a 300 Watts a direito vai 38 km/h com arrefecimento e tudo mais, melhor sensação pelo vento e etc, mas vai no seu limiar anaeróbico, pois se passar a 350 watts queima rápido, mas vai a 180 pulsações por minuto (exemplo, claro), mas... se for a subir uma daquelas endiabradas, se você quiser aumenta para os 350 Watts também mas queima rápido e então vai subir no seu limiar anaeróbico real e não coorelacionado de 300 Watts e mesmo aí a subida impede-o de fazer mais que 14km/h ou menos se calhar e sem vento o corpo começa a aquecer e os seus sistemas de arrefecimento começam a trabalhar como um carro dispara a ventoinha e uma das coisas que faz entre muitas é subir a frequencia cardíaca, e aí, no mesmo esforço de 300 Watts que era igual que a direito, ou seja, o limiar anaeróbico, a sua pulsação sobe para 190. Neste caso se você pegasse na pulsação para servir de marca, se você sobe no limiar a 190, então ia para a estrada e colocaria o seu coração a 190 também... e rápido acabava sem perceber porquê (porque a 190 a direito você marca 400Watts, muito acima do que consegue aguentar por algum tempo)... ou então se o limiar a direito é 180, quando você subisse a 180 baseado nesse valôr de limiar a direito, você se sentiria mais confortável que a rolar e diria: sou um trepador puro... eu sofro é a rolar... mas o que aconteceria é que você se sentiria confortável porque em vez de estar a 300 Watts estaria a 250, e aí nem perto do limiar você estaria, por isso a boa sensação.
É mesmo por causa do arrefecimento, mas claro, se você é daqueles que quando vê um a subida fica louco e dispara logo, claro que no seu caso são mais as pulsações que sobem, umas pelo arrefeciemnto e outras pelo maior prazer de subir forte que rolar.


paulo marinheiro
 
#72
Ok, Paulo
Bastante interessante esse assunto. Pelo visto, o instrumento correto é Medidor de Potencia, mais real em qualquer local.
Nem sei o preço, mas como me parece que poucos tem, ao menos aqui no Brasil, não deve ser nada barato.
Obrigado e abraços
 
#73
De 650 a 3.000 euros... traduza em reais e verá que de barato não tem nada. E é assim: aquilo não é tão fácil de usar como isso, pois o controle da potencia pelo atleta é algo complicado se quiser manter o valôr certinho num treino, sendo que pela pulsação é muito mais fácil, e no fundo é quase a mesma coisa... e eu tenho os 2 sistemas.

paulo marinheiro
 
#74
Acabei de ler um artigo sobre isso e vi que o preço no Brasil é R$ 1600,00 do mais simples!!!
A desvantagem, além do preço, é que é muito complicado pra tirar todo proveito do aparelho, além de ser pesado.
De resto, tudo a favor.


""Com isso, é possivel elevar a potência do ciclista de duas maneiras: aumentando a força do pedal ou elevando a cadência. Por meio dos dados recebidos no monitor, o atleta ou o técnico saberá quando uma sobrecarga está ou não sendo atingida, evitando que o ciclista faça um esforço desnecessário e dose melhor sua energia. Ao fazer isso, o atleta pode até revfer sua postura sobre a bicicleta, adotando outra que lhe permita render melhor""

Com base nisso, é possível encontrar a forma mais econômica de andar a mesma distância, ou seja, em tempo menor, mas com a mesma potencia.
Compatibilizar CadênciaxForça para ser mais econômico. Sem esse aparelho não tem como saber o que é melhor pra mim, a 70 ou 90RPM, por ex?
 
#75
A grande vantagem reside na potencia impressa no início de um exercicio ser o mesmo que no final, ao fim de algum tempo de aprendizagem. Vejamos: sempre que inicias uma serie de esforço já importante de 1 ou 2 minutos até mesmo 5 ou 10 minutos de trabalho, sempre, e digo mesmo SEMPRE, o atleta começará muito acima da zona alvo dessa serie, sendo que no final acabará abaixo dessa mesma zona alvo. O que este aparelho fará melhor é ajuda-lo a controlar este esforço por forma a que ele esteja o mais possível dentro do esforço que foi determinado como alvo e não como na errada forma do exemplo aterior.

Por exemplo, hoje mesmo e apenas como exemplo, o meu atleta fez um teste de potencia no limiar anaeróbico a subir ao Montejunto, uma montanha já boa que temos perto de nós, e tendo nós feito já o mesmo teste a direito no Velódromo da Malveira, já levavamos uma indicação muito boa do que seria a potencia no limiar anaeróbico mesmo a subir, pois tinham ficado algumas dúvidas pois o teste a direito tinha um pouco de vento por trás numa direcção e contra na direcção oposta, e numa das subidas do Montejunto ficam poucas ou nenhumas dúvidas pois é sempre em esforço permitindo uma boa cadencia de pedalada mas sem que o vento mude ou haja grande alteração de inclinação, o que permite manter o esforço dentro de uma faixa mais estreita, tornando os resultados do teste mais reais. Mas... a ilacção mais importante, além dos dados objectivos que me interessavam retirar, é o facto de como eu sabia mais ou menos a potencia no limiar baseado no 1º teste, ele começou a subir nessa faixa de potencia... claro que nos primeiros 5 minutos o tipo queixava-se que aquilo era pouco, a sensação é que era pouco, mas nos 7 ou 8 minutos já se via negro para manter a mesma potencia que no início, e no final deu quase tudo apenas para manter a potencia no máximo que o tempo que eu determinei que ele fizesse, lhe permitia, e na mesma potencia, foi muito duro o que no início tinha sido fácil.
Mas... o que é certo é que a potencia anaeróbica era a média que afinal manteve na subida toda.
Agora imagina o mesmo cenário mas sem potencimetro... iníciava fácilmente e sem percepção real a mais 200 ou 300 watts que o limiar... meio da subida na zona real, e final muito abaixo e em sofrimento. Se calhar no final, o valôr médio dava igual, mas num treino que se pretende que seja feito nesse mesmo limiar, o atleta começará muito acima do esforço pretendido e acabará abaixo, e consequentemente não trabalhará o que foi pedido, ou seja, no início trabalhará o Vo2max para depois trabalhar numa zona já bem abaixo do limiar pretendido, mas no final de 3 ou 4 ou 5 séries nesse dia, a carga acumulada também foi muito superior ao que se pretendia, e então com este aparelho, o treino no início da serie parecerá mais fácil de fazer e no final não será tão penoso e as cargas serão as correctas, a recuperação melhor e a progressão muito superior pelos factos de trabalhar com mais exactidão as zonas alvo, o que além de dar os efeitos e adaptações pretendidas dará menos margem para overtraining.

Esta explicação não deverá preocupar ninguém neste fórum e fazer com que saiam a correr a comprar um SRM e tirar um curso para trabalhar com aquilo, pois o perigo de overtraining e a ajuda que este aparelho nos dá nisso e cosequentemente a sua necessidade, apenas tem interesse para atletas de Elite e com grandes objectivos como por exemplo a Vanessa Fernandes que treina 2 meses seguidos com cargas brutais de horas diárias intermináveis com 1 dia de foga apenas de 2 em 2 meses. Servirá para o atleta que treino que este ano fará uma planificação de Junior de elite Mundial com aspirações altas, e consequentemente muita, muita carga, pois só assim se vai lá, mas para a maioria do pessoal a treinar 1/20 do que treinam este tipo de atletas, se fizer a série a começar a fundo e acabar a morrer... costumo dizer: até vai ajudar a andar mais. Agora, errar tanto em meses consecutivos com atletas que só folgam 1 vez por mês, trará carga maior que a planeada que já era enorme e claro, é estoiro garantido. Mas repito, o treino super planeado é para atletas com grandes objectivos e grandes capacidades de trabalho, seja para atletas que vêm a desenvolver trabalho continuado e programado com determinado objectivo ao longo de anos, pois se começas agora e queres logo no 1º ou 2º ano treinar à Vanessa ou à Ricardo com cargas enormes o que para eles é fácil para tí será... garantido que bates na parede... com muita força, e aí... o Cardio Frequencimetro e algum bom senso nas series sendo que deves começar essas series um pouco mais pianinho para acabar em grande... bastam, e são muito mais baratos e menos complicados de operar...


paulo marinheiro
 
#76
Boas Paulo
Seria possivel treinar, como com o potencimetro, por exemplo usando sempre a mesma subida com uma inclinação constante, e usando tambem uma desmultiplicação e uma cadencia constante, teoricamente estariamos a treinar na mesma potencia, claro que não sabemos é qual, mas com alguma pratica e progressividade e tendo uma ideia do limiar anaerobico, poderia ser uma solução ?
 
#77
Ok, Paulo
Acho que treinar com Potencia, mas sem Potencímetro, só eliminando os diversos agentes externos que interferem na FC, o que não sei se é possivel. Mas talvez se possa ao menos amenizar
 
#78
Epá... numca vai haver o método perfeito, o treino perfeito, porque numca vai haver uma constante do "dia perfeito" seja na tua sensação, seja no tipo de dia que está em que tu te sentes melhor, em todos os dias de treino... seja com cárdio, seja com potencímetro, seja até sem nada, vais sempre errar um pouco, até e como já disse com o potencímetro, que não se pense que é fácil manter o que se quer no valõr definido... aquilo varia muito também e mostra que temos mesmo que errar. O que se procura é errar o menos possível, e nesse campo se não tens potencímetro rge-te pela regra de no primeiro terço da serie meteres menos potencia, seja: não paratas à morte...

Candido, se conseguires manter a cadencia certa com a mesma desmultliplicação vais imprimir a mesma potencia teórica efectivamente, mas repara que a baixas cadencias tu podes imprimir muita ou muíssima potencia sem alterares muito a cadencia, e aí podes estar a fazer 300 ou 400 watts mesmo com a mesma aproximada cadencia, isto sem contar que se tiveres vento de frente, e outros factores que podem fazer com que para manteres a tal mesma desmultlipicação e cadencia tenhas que fazer mais "força" digamos assim.

Apenas baixa um pouco a atitude no início da série e estás lá. Havia um rapaz que treinava estrada sem cárdio sequer e talvez por isso "puxava" muito nos treinos, pois series era sempre a fundo e endurance era a doer, pois não havia cárdio a mandar... e ganhava aqui em Portugal Taças de Portugal... e ganhava em Espanha... era máquina mesmo. Depois no ano seguinte meteram-lhe um cardio no pulso e disseram-lhe para ir a X e a Y... ele cumpríu mas achava que aquilo era pouco, "mas tá bem" dizia ele. Numca mais ganhou, nem o pelotão segurava. Moral: a tecnologia por vezes retira o tal exagero no inicio da serie e ao retirar esse "exagero", retiras a alma ao tipo... aquilo que marcava a diferença.



Melhor que o sistema de potencia é o sistema velho de sensações... apenas é difícil o atleta conhecer-se tão bem que "sente" quando está no limiar anaeróbico. Mas grande atletas de XCO mundial acreditam que este método é o melhor método pois tu se te conheceres muito bem, sabes em que nível de esforço deves andar quando eu te disser que quero que subas o Montejunto no limiar, ou quero que faças 1 hora e meia no limiar aeróbico. E para te conheceres, começa por fazer o treino sem olhares para o cárdio e tenta colocar-te na fasquia que o treino ditava... 15 minutos depois se fôr extensivo, ou no meio da serie se for treino mais curto, olha para o cárdio e vê se a tua sensação igualou o que o cardio marcava... e assim vais saber muito sobre sensação e um dia dizes para o cárdio: meu amigo, hoje o meu limiar não está aí onde queres marcar... está mais abaixo malvado.




Se quiseres brincar um pouco com a melhor forma de medires o esforço tens a tabela abaixo de Percepção de Esforço, mas lembra-te que aqui não "produto de consumo imediato" de compra e já está... levarás anos a aprender o teu corpo.

1- dormir
2- muito, muito fácil
3- muito fácil : menos de 65% da FCM falas e cantas tranquilo
4- fácil : 65 a 72% da FCM falas bem e podes manter conversação se esforço
5- leve : 73 a 80% da FCM falar é já mais difícil
6- moderado
7- um pouco duro
8- duro : 84 a 90% respiração forçada, falar só pequenas palavras ou frases curtas
9- muito duro
10 - muito, muito duro (vomitar quase) : 91 a 100% da FCM respiração extremamente forçada. Conversa... nada, nem pío...

Os valores de FCM são variáveis e têem uma grande amplitude como se vê em cima, pois como sabemos, variamos de pessoa para pessoa e no tempo mesmo na mesma pessoa.




paulo marinheiro
 
#79
Paulo eu sempre treinei por sensações, principalmente quando fazia atletismo, só á meia duzia de anos é que comecei a usar cardio, mais para me obrigar a andar devagar, quando tinha de andar devagar, porque sempre que ia treinar passado o tempo de aquecimento já estava no ritmo de limiar anaerobico ( na altura nem conhecia a palavra ). Quando fiz o teste contra relogio nao regulava o ritmo pelo cardio mas pela cadencia da respiração, neste caso a minha cadencia que me permite andar naquele ritmo ate se acabar a "gasolina".
A sensaçao que tenho quando estou a ultrapassar o limiar é um aperto nos pulmões, que me diz abranda ou rebentas.
Por vezes, se não tivesse o cardio, e tenho que treinar na zona mista, rapidamente passo para perto do limiar porque ja estou tão habituado a treinar nessa zona que a sensação de esforço não é muito "grande" e ate gosto dessa sensação, o grande problema é que no btt ao fim de 2h e 30 +/- a energia esgota-se e passo por dificuldades e por isso tenho de usar o cardio para me obrigar a controlar,
claro que desde que comecei a ler os teus posts ja melhorei muito este aspecto. por isso mais uma vez obrigado Paulo
 
#80
Paulo/Candido,
Meu Cardio nem marca a média da FC, por isso nem fiz o Texte de CR, mas mais ou menos já tenho uma 'idéia' do que seja, considerando a Percepção de Esforço e de olho da FC Instantânea.
Veja se estou certo: Costumo treinar 3ª e 5ª mais ou menos 1:20h (fora o 15' de aquecimento) de Road, Estradeira, não sei como se chama pra vocês (aqui no brasil chamamos Speed). É um treino forçado, desgastante, e em bom pouco tempo já estou a 150ppm, e na grande maioria do tempo a FC fica pulando nas redondezas de 160. Na subida 170, 172, 177, 179, 165, 162, uma folgada e cai pra 158, 162, etc, sucessivamente, de acordo com a estrada.
Assim considerando que deve ser a média e aí baixa um pouco em função do início até subir, creio que a média fica em 160 ou até mais.
Será mais ou menos por aí o Limiar de Lactato?
43 anos
FCM teórica: 177, mas já vi 180, de forma que considerado 180
FCRepouco: 47 (de manhã) Agora, escrevendo no PC, 60ppm
Aliás, como o Candido tem 43 (ou 44), não entendo porque os dados da FC dele são tão mais altos, FCM e consequentemente Limiar Anaero e Aero, e talvez tb a FCRepouso. Pois se para a mim a FCM da formula não bate, pra ele muito menos