SR SUNTOUR DURO-E (com alterações)

#1
Primeiro as fotos e o pdf com o esquema:







Julgo que é o modelo de 2005, apesar de na coroa vir marcado 2004... Para além disso é o modelo de 100mm de curso(era...) e com regulação de rebound (também há sem este ajuste e em 80 e 130mm). Tem pernas de 32mm em cr-mo, de espessura interna variável, tubo de direcção em aço e a parte inferior é em magnésio. É bastante rígida(envergonha algumas suspensões com eixo de 20mm), mas não é leve-2.3Kg talvez.



Comprei-a há quase dois anos por 150eur(acho que se consegue arranjar mais barato, mas na altura foi a primeira que vi ao vivo, por isso...). Não gostei do facto dos botões de pré carga serem em plástico, mas até nem funcionavam mal... Nas primeiras voltas que dei com ela achei-a pouco sensível, muito por culpa de ainda não ter "acamado" e de trazer umas molas bastante duras para o meu peso. Tambem nas primeiras voltas desapertou-se uma das tampas da perna, dentro das quais está o ajuste de pré carga. Provavelmente não foi bem apertada quando foi montada. Com as pressas tentei logo apertá-la com uma chave de bocas!Asneira! A porca é de alumínio e a chave fez marcas, por isso tive que usar uma chave de caixa, que resolveu o problema.
Passado uns tempos tornou-se mais sensível e pude aperceber-me melhor das diferenças que fazia a regulação de rebound. Sem chegar a ter uma recuperação muito rápida no mínimo, nem muito, muito lenta no outro extremo a diferença nota-se bem, até pelo maior ruído que faz o óleo a mover-se quando se fecha mais o rebound. Como as molas eram duras para mim, que peso 70Kg, andei muito tempo com a pré carga no mínimo, mas o ajuste de pré carga faz-se sentir, embora não tanto como, certamente, um gajo de 100Kg gostaria. Para isso só com umas molas mais duras. Ainda bem que o curso negativo é bastante, senão sempre que aliviasse o peso na frente a suspensão iria bater no topo do curso.Como é lógico, por causa das molas, o sag era muito pouco(10mm) o que limitava a capacidade de absorção em pequenos obstáculos.



Nesta altura estava satisfeito com a suspensão, aguentava porrada e qualquer salto sem problemas, não era leve, mas também não tinha um peso que se notasse demasiado em movimento, não era muito sensível, mas também não deixava de amortecer bem.
Até que um dia tudo mudou para melhor, mas isso é para outro dia...


Uma amostra do que está para vir...


CONTINUA
 
#2
Continuando...

Talvez uns 4 meses depois da compra, a suspensão começou a ficar menos sensível. Nada de especial, mas notava-se um pouco. Achei que era altura de fazer uma revisão e fui ao site da suntour ver que quantidade de óleo levava e sacar um pdf com o esquema(está no post anterior). Comecei a desmontar e, ao compara com o pdf vi que havia uma diferença interna. A minha trazia uns espaçadores de plástico com 30mm do lado das molas negativas, como se vê na foto:



Os espaçadores da duro são os 2 maiores, o mais pequeno é de uma xcr de outro utilizador do fórum 8).

Ao remover estes espaçadores passas de 100 para 130mm de curso! A versão de 130mm traz molas mais compridas e, provavelmente, mais moles. Como as molas que tinha ficavam agora curtas arranjei um pedaço de plástico cilindrico(tubo hidronil pvc 1/2 polegada dentro de um tubo fino de 25mm de diâmetro) com um pouco menos de 30mm para meter entre a mola principal e o ajuste de pré-carga do lado esquerdo. Do lado direito meti um tubo hidronil de 1/2 polegada por cima da mola que está dentro da cartridge.

Isto deve dar para ver melhor(ou não :twisted:)



Onde se vêem os rabiscos a vermelho estavam os espaçadores e nos locais marcados pelas setas azuis coloquei as novas peças.


Aproveitei e tirei o cilindro de borracha que estava dentro da mola porque era demasiado longo para o que a mola poderia agora comprimir(+30mm)

Não usei os espaçadores que removi, porque, no lado esquerdo não encaixava bem entre o topo da mola e o parafuso da pré carga. Tambem não puz a peça do lado esquerdo com exactamente 30mm porque, mesmo com a pré-carga no mínimo a mola já estava ligeiramente comprimida. Cortei, por isso, o pedaço de plástico com o comprimento suficiente para não deixar a mola a chocalhar lá dentro.

Assim, ficou um pouco mais mole no início do curso.

A mudança do lado da cartridge também ajudou. O nível do óleo influencia o volume de ar acima dele e o ar, ao ser comprimido ajuda a mola a fazer força. Mantendo o mesmo volume de óleo(75cc) que tinha quando o curso era de 100mm o volume de ar acima do óleo aumenta, pelo que, aos mesmos 100mm de curso, o ar está menos comprimido que anteriormente e por isso faz menos força. Isto torna a suspensão, agora com 130mm, mais mole a meio do curso.

Convém dizer que nesta fase tentei usar um pouco mais de óleo, mas ao notar que a suspensão se tornava mais dura (por causa daquilo que expliquei no parágrafo acima) tive que desistir da ideia... Mas mais óleo pode resolver o problema de bater no fundo sem ter de trocar de molas. Tambem usei um óleo de suspensões da galp que era um bocado manhoso, nem sequer dizia a viscosidade no frasco e fazia espuma ao mover-se no interior da cartridge. Por 5 eur não podia ser grande coisa... :mrgreen:

Como é lógico, se já antes a capacidade de absorção era porreira, melhor ficou.

Para a próxima explico como lhe tirei a mola principal e a substitui por ar.

CONTINUA
 
#3
Continuando...

Depois de um largo período em que abusei um pouco da suspensão sem ligar muito à limpeza consegui partir o regulador da pré carga do lado esquerdo. Estava cheio de areia e não se mexia (estava no mínimo como habitual) , então resolvi usar um alicate para soltar a rosca sem sequer limpar a peça. Um pouco de força a mais e partiu! É o que dá ser bruto... Primeiro pensei em deixar andar sem o botão, que até nem me fazia falta porque o trazia sempre no mínimo, mas depois ocorreu-me desmontar todo o mecanismo de pré carga. Ao tirá-lo da "tampa" roscada ficava um buraco de 10mm por onde podia passar uma válvula de ar. Coloquei-lhe então uma válvula

com uma porca e uma anilha metálica por cima e uma anilha de borracha por baixo e tirei a mola principal de dentro da perna, deixando a mola do lado da cartridge. Carreguei-a com uns 5 bares de pressão para ver o efeito. O pior que podia acontecer era sairem os retentores, mas em vez disso o ar escapou-se pela tampa roscada do topo da perna. Coloquei um pouco de fita de teflon da que utilizam os canalizadores na rosca e vedou perfeitamente. Deixei ficar assim de um dia para o outro e não perdeu pressão.

Fui dar uma volta na bicla e cheguei à conclusão que a força que fazia o ar era demasiado constante ao longo do curso, ou seja, a força necessária para bater no fundo era pouco maior que a necessária para iniciar o movimento.

Ao passar o volume, de um vaso selado contendo ar, para metade, a pressão passa a ser o dobro. Esta pressão é proporcional à força necessária para manter o volume de ar comprimido. Só que no caso da suspensão o volume final e inicial eram pouco diferentes( os 130mm de comprimento e o respectivo volume associado a eles que perdia a suspensão eram pouco significativos quando comparados com o comprimento inicial de 400 e tal mm) Era portanto necessário que a variação relativa do volume fosse maior para obter uma força, ao bater no fundo, bastante maior que a que é necessária para iniciar o movimento.

A solução para este problema foi simples: acrescentar cerca de 100ml de óleo em banho aberto à perna para reduzir o volume de ar disponível. O resultado foi o pretendido- era agora muito difícil esgotar o curso e a força necessária para iniciar o movimento era mínima.

No entanto houve um problema não previsto- o óleo que foi acrescentado travava demasiado a compressão no início do curso

As anihas com os números 14 e 15, no início do curso, tapavam parcialmente o furo da peça 17, por onde subia o óleo à medida que a suspensão afundava. Passei, por isso, as anilhas [14 e 15] para cima da mola negativa [12], desimpedindo a passagem do óleo.

O óleo em banho aberto permitiu tambem um funcionamento mais suave e sensível ao lubrificar as peças móveis. Com uma pressão de 2bar conseguia-se um SAG de 40-50mm sem que o curso esgotasse num drop de 1,3metros para flat. :D Como a suspensão estava mais mole a recuperação ficou mais lenta e tive que a regular para o mínimo. Troquei também o óleo da Galp, que fazia muita espuma e era muito grosso, por um Putoline 5w. Este não faz qualquer espuma e o amortecimento é bem melhor e permitiu-me regular o rebound deixando o botão num ponto médio. A compressão a alta velocidade continuava a ser ligeiramente travada pelo movimento ascendente do óleo em banho aberto, o que até era bom para evitar que a suspensão batesse no fundo em recepções de saltos mais à bruta.

Com estas alterações a suspensão estava a funcionar 5 estrelas, com uma progressividade, uma sensibilidade e um amortecimento do melhor que já experimentei.

Em Outubro passado fiz estas altrerações e em Dezembro troquei-lhe o óleo Galp pelo Putoline. Funcionou sempre impecável até ao mês passado(Junho) em que resolvi abri-la ,por precaução, para colocar nova massa e trocar o óleo. Lembrei-me tambem de remover os retentores, que nunca tiveram problema durante este tempo todo, para os limpar. E aí começaram os problemas...
Limpei e montei tudo, pus massa consistente, troquei o óleo e ajustei a pressão para os 2 bar de pressão. Quando fui andar na bicla, ao fim de pouco tempo, o retentor do lado do ar saiu do sítio deixando sair óleo e ar... Acabou-se o que era bom!

O retentor entra à pressão no sítio e, sendo novo, custa a entar e a sacar do sítio, mas depois de ser removido uma vez, entra e sai com muito mais facilidade. Fiquei espantado quando, da primeira vez que coloquei ar à pressão na suspensão, o retentor se manteve na sua sede sem se mexer. Julguei que fosse por ser estreito (41-32mm) que se tivesse aguentado, mas só aguentou porque era novo e estava bem apertado. Agora que já foi mexido não se segura. Aliás, acho que tive muita sorte em não ter saído antes, pois a função de um retentor não é aguentar pressão, é só impedir que saia o óleo. Se fosse possível segurar o retentor com um freio ou algo semelhante continuaria a funcionar, de outra forma a pressão é muito provável que o faça sair do sítio. Ainda tentei arranjar retentores novos, mas sem a garantia de que se segurassem no sítio desisti da ideia...

Agora voltei a utilizar a mola com os mesmos retentores (sem pressão seguram-se na boa), mas ainda hei-de arranjar maneira de voltar a pôr ar na suspensão... Ou isso ou uma mola mais mole que o único problema da suspensão é mesmo a mola original ser muito dura! :evil:
 
#6
Da última vez que disse alguma coisa neste tópico, estava com o problema de o retentor do lado esquerdo não aguentar a pressão e por isso voltei a colocar a mola. Andei assim o verão todo e já estava a ficar conformado com a dureza da mola de origem... Mas entretanto fui à Avalanche da Lousã e fiz o percurso todo sem passar dos 2/3 de curso :s Seria de esperar que com tanta pedra, raíz e drops fizesse mais curso, mas não, a mola é mesmo dura como os c....s :twisted:

Ainda por cima li no site da suntour que a suspensão é mesmo suposto usar 0(ZERO!)milímetros de SAG! Ora, não sendo eu um pro do dirt jump nem do 4-cross andar sem SAG (ou muito perto disso) não me dá jeito nenhum!

Por isso peguei na válvula de ar, na rebarabadora, na lima, na tocha de soldar, numa chapa de 3mm de alumínio, nuns tubos quadrados de 12mm, nuns parafusos, num rolo de fita de teflon, etc,etc,... e saiu isto:





Está com um funcionamento muito melhor (como estava da outra vez), com a diferença que agora o retentor já não salta com a pressão. Também há outra novidade, que é o facto de estar inegavelmente mais feia :mrgreen:, coisa que pouca diferença faz no comportamento da suspensão.

Há no entanto, uma pequena chatice, que é haver uma folga de apenas 2mm entre a peça de alumínio e o flanco do pneu. Vou ter que puxar pela cabeça e arranjar maneira de tornar as peças mais compactas. Aproveito e invento tambem uma nova tampa roscada para meter no topo da perna, para substituir esta:


porque esta, para além de já ter as faces da porca um bocado amassadas, tem que ser desenroscada do topo da perna de cada vez que queira alterar o nível do óleo. E como tem que levar a tal fita de teflon, colocada com muito jeito e paciência para ficar tudo bem vedado, dá uma grande trabalheira.

A próxima que fizer vai dar para desenroscar o corpo da válvula, mantendo a tampa no sítio. Assim dá para usar o furo para acrescentar ou tirar óleo com uma seringa, bem como ver o nível com uma vareta. E para não ficar a parecer tão mal, provavelmente também vou pintar as peças novas- se repararem, na segunda foto já se nota alguma ferrugem.

Quanto à suspensão em si, não teve qualquer problema desde junho, altura em que lhe voltei a colocar a mola dentro. A semana passada desmontei-a para lhe montar as peças e ainda não se sentia atrito nem havia sujidade. Por isso nem acrescentei massa nem lhe mudei o óleo da cartridge, apenas coloquei óleo do lado da válvula até perfazer o volume que já tinha usado da outra vez.

E, por incrível que pareça, ainda não sobraram peças nem se passou nenhuma rosca, o que, por si só, dado o número de vezes que abri a suspensão desde que a tenho, já é um bom indicador da qualidade do material ( :mrgreen:e do mecânico, é claro! :mrgreen: )

Assim que fizer as novas peças dou novidades
 
#7
sim senhor, grande engenhocas :lol:

isso parece aquelas pessoas que partem uma perna e levam ferros para ir ao sitio :shock:

irremediavelmente mais feia, mas desde que funcione podes sempre ir espetando "petas" que é uma suspensão exclusiva produzia pela marca somente para ti xD

vai postando mais inovações tecnológicas :wink:

cmpts
 
#9
Epá sim senhor tou parvo..........eu tava a olhar para essa suspensão mas em 130mm pelos vistos não é má......espetáculo meu ..Iloper tem razão meu deves perceber mais da suspensão do que os gajos que a fizeram ..muito bem
 
#10
Novidades :!:
Estava assim:


Nova peça para segurar o retentor, mais compacta:


Entretanto houve mais alterações:
Fiz uma peça para substituir esta tampa

que já estava um bocado "amassada" e que por isso exigia muita paciência(e fita de teflon) para vedar decentemente. Mas não chegou a ser usada porque a face inferior não ficou exactamente plana e perpendicular. Seria fácil de resolver isto facejando a superfície num torno, mas como não tenho nenhum ficou em standby.

Fiz 6 furos concêntricos, em relaçao ao furo central de 12mm, de 3.5mm na peça nº 17

Assim diminuí a resistencia à passagem do óleo na fase de compressão drasticamente, o que levou a uma melhor absorção das pequenas irregulariedades. Com um sag generoso (usando baixas pressões de ar) e a maior sensibilidade obtida à custa desta alteração a suspensão ficou bem mais confortável. Dá para andar a pedalar sem mãos, na mudança mais pesada, numa descida de terra batida com brita e pedra solta, onde antes a trepidação causada pelo facto de a suspensão ser "presa" na compressão nem sequer me deixava pensar em tal coisa... Esta diminuição da resistência ao movimento na compressão acabou por deixar a recuperação tambem mais rápida. Tive que fechar o rebound um pouco, para que não bombeasse tanto.

Agora, que estava plenamente satisfeito com o funcionamento, surgiu um outro problema...
Tenho os retentores a ficarem velhos, o que faz com que a suspensão se babe (apenas do lado esquerdo onde está o óleo e o ar pressurizado). A início é só uma película de óleo quase invisível, mas ao fim de umas voltas começa-se a ver que, primeiro o retentor começa a ficar molhado, depois a perna, até que finalmente a película se estende pela suspensão abaixo. Já tive este problema anteriormente, e quase não fazia diferença, mas à medida que os retentores envelhecem, fica pior... Já não basta passar um pano de vez em quando nas bainhas. O facto de usar uma massa mais fina para os casquilhos e retentores ainda piora esta situção, apesar de diminuir o atrito. A perda de pressão só se nota ao fim de uma semana ou duas e o óleo apenas deixa a suspensão gordurenta, mas como uso travões de disco... ao fim da última volta de 50km lá se foram as pastilhas :!: :evil:
Normalmente os fabricantes usam uma câmara e um pistão com um vedante dentro das bainhas para reter o óleo à pressão e não há problemas de fugas. Tem tambem que se usar um óleo grosso, que mais parece massa consistente, para lubrificar e ajudar a vedar esse piston. o piston tem sempre uma camada generosa de óleo grosso em cima por estar na parte inferior dsa câmara. No meu caso não tenho uma câmara de ar interna e a própria bainha serve de piston, pelo que não posso usar óleo grosso, sob pena de tornar a compressão muito lenta e a suspensão muito, muito dura.


Para resolver este problema pensei em trocar a mola principal, abandonando o sistema de ar. Fui ao site da suntour tentar ver qual era a mola de origem , mas, com a tabela e as medidas fornecidas, não consegui imediatamente identificar a mola que tinha para, assim eleger uma mais mole que a substituísse.


A solução foi determinar experimentalmente a constante da mola:

Arranjei um tubo onde a mola entrasse, com folga, e tapei-lhe a extremidade inferior, soldando uma anilha.
Em seguida arranjei maneira de suspender esse tubo numa viga no tecto.
Pus-lhe a mola dentro, juntamente com um varão roscado M6 a atravessá-la, com uma porca e uma anilha larga na ponta de cima.
O varão ficou, assim, com a parte de baixo a sair pelo furo da anilha soldada no tubo e, com a porca e a anilha larga que tinha em cima, a comprimir a mola.
Depois foi só arranjar um balde para pendurar no varão roscado M6, enchê-lo com um volume conhecido de água e medir quanto comprimia a mola.

Resultado: Com 15L de água (15Kg) a mola comprimiu 21mm. Acrescentando, ao peso da água, o do varão roscado e o do balde podem-se considerar 16Kg no total. Portanto 16*9.8/21=7.47N/mm.
O valor da constante de mola veio confirmar as minhas suspeitas. Segundo a tabela havia algumas molas com comprimentos e diâmetros parecidos, mas apenas uma a mola com uma constante de mola semelhante, a FEP201, com 7.4N/mm. Procurei uma mola com as mesmas medidas e uma constante de mola inferior e cheguei à conclusão que precisava da FEP201-20, com 4.7N/mm.

Tentei arranjar esta mola através da minha loja habitual, que trabalha com a Aguesport, importadora da marca. Depois de a loja contactar com o importador vim a saber que não tinham a mola em stock :evil: :evil:
Por isso mandei ontem um e-mail à suntour europe, para saber como a posso arranjar.
 
#12
Mr.sa said:
tu és o meu herói :D :D, ou não. f** parabéns, só o ter cabeça para fazer isso tudo
:mrgreen:
Obrigado pelo elogio.
Quando um gajo não está satisfeito com o funcionamento do material e é um bocado forreta, dá nestas aventuras. :twisted: Mato a cabeça com esta e outras coisas porque gosto de fazer experiências. Não há nada como conhecer o material que se usa
 
#14
Tenho trocado mails com o pessoal da Aguesport. Têm sido bastante atenciosos e têm em stock os retentores/guarda pós e a peça roscada que tem o botão. A mola está esgotada, mas vão tentar arranjar. Quando tiver as peças meto aqui mais uma posta a dizer como correu.
 
#16
Novidades!
Comprei esta xcr, por 10euros:D

Tinha uma folga enorme, porque as camisas de plástico que servem de casquilhos estavam completamente comidas. Pelos vistos nunca viu óleo nem massa e nunca foi aberta. Assim não há material que resista:fpalm:

Comprei-a para lhe retirar uma mola para substituir esta:

Mola de origem da minha Duro de 2005 + espaçador para ter 130mm em vez dos 100 de curso que tinha de origem + tampa com regulador de pré carga partido. 7.4N/mm(dura de mais para o meu peso)

Mola da XCR, ao lado da mola original:

A XCR que comprei usava duas molas idênticas, uma de cada lado.
O comprimento da nova mola é o mesmo que o comprimento da mola antiga+espaçador.Dispensa, por isso o espaçador para poder ser usada com a suspensão a fazer 130mm de curso.
A nova mola acusou 4.6N/mm, segundo um método arcaico mas suficientemente preciso, já descrito num post anterior.

A tampa de origem, por falta de cuidado, estava já um bocado amassada e faltava-lhe o regulador de pré-carga. Pensei, por isso, em comprar uma nova. No site da Suntour só havia referências das peças das Duro pós-2007, e foi uma peça das Duro de 2007/2010 que mandei vir do importador (Aguesport). Acontece que a rosca é diferente: nas de 2005 a rosca é igual à usada nas forquetas roscadas de 1 1/8 e nos modelos fabricados depois de 2007 é usada rosca M30(acho). Resolvi, por isso inventar outra tampa, aproveitando algumas peças...


Legenda:
1-Chave específica , feita para a nova tampa
2-Peças que serviram para fazer uma nova tampa, sem botão de pré carga (tubo roscado de 1 1/8+porca)
3-Tampa que fabriquei para poder usar uma válvula de ar(sem mola na perna esquerda, como explicado em posts anteriores)
4-tampa de origem bastante mal tratada
5-tampa nova, que só serve nos modelos fabricados depois de 2007

O resultado foi este:

Mas deu muito trabalho:
Soldei o tubo roscado à porca, previamente enroscada.
Juntei uma anilha com furo de 10mm e soldei-a a tapar o topo do tubo.
Passei um parafuso M10 pelo furo da anilha, montei-o na cabeça do berbequim e, com o berbequim a rodar, "torneei" o topo da tampa com uma rebarbadora até ficar com a forma pretendida.
Fiz o encaixe da chava com uma lima pequena.
Passei uma lixa e diluente.
Finalmente isolei a rosca e o interior da tampa e mergulhei-a em primário. Assim ficou com uma acabamento decente e não enferruja.


Para apertar/desapertar uso esta espécie de chave:


Como é lógico, com a nova mola, a suspensão ficou bem mais sensível. O sag está agora nos 29mm(22% do curso), portanto um valor razoável.
O funcionamento é o que esperava, mas menos suave que quando usava ar comprimido. O ar empurrava uma película de óleo constantemente contra o casquilho superior e o raspador e o atrito era ainda menor que agora.

Estou a usar 75ml de óleo Putoline 100% sintético na cartridge(já é o mesmo há quase um ano) e 15ml em banho aberto em cada perna.

Com a mola mais branda passei a usar o rebound quase todo aberto, numa afinação que, com a mola mais dura, daria uma recuperação demasiado rápida.

Para fazer uns saltos e uns drops talvez tenha que voltar a montar o cilindro de borracha que vinha com a mola original para evitar bater no fundo. Ou talvez acrescente óleo na cartridge, tenho que experimentar.

A suspensão está com um funcionamento muito bom e continua sem folgas nos casquilhos nem desgaste que se note nas pernas.


Tenho mais umas ideias de novas alterações, mas não é para já.
 
#17
Já pensaste em criar uma marca de suspensões? Se consegues fazer essas alterações todas com métodos improvisados nem consigo imaginar o que conseguirias fazer com tecnologia de ponta!
 

Kamoes

Active Member
#18
Tiago, e o dinheiro para isso?

Uma coisa é alterar material de alguém, outra é criar de novo!... Para não falar do preço que um exemplar ia ter em relação a um Fox ou RockShox que é feito e vendido ás centenas...

Acabava por ser uma exclusividade e caríssimo...


Mas quando se começa, costuma ser do zero! ;)
 
#20
:lol:
Não sou tão puto como o Bill Gates quando começou a desmontar computadores, portanto já não devo ir a tempo de me tornar podre de rico:(:p
Para além disso, ele, para além de se ter empenhado bastante, teve sorte e timing...
Eu já fico contente se conseguir fazer as alterações e invenções que me proponho, para uso próprio. E, como disseram, é preciso dinheiro, até para umas pequenas invenções. Fazia-me jeito um torno, por exemplo...