[Crónica] Ruta "Pedals de FOC" by Froids

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#1
“Ruta Pedals de FOC 2009 by Froids”

Esta crónica relembra uma passeata que fiz pelos Pirineus em Junho deste ano, percorrendo a bela zona do Parque Natural de Aigüestortes e Sant Mauriç di Estany...
Uma foto-report/crónica das minhas aventuras durante esses magnificos dias...

Os dias que antecederam a partida a 21 de Julho podem ser lidos aqui

[Crónica] Pedals de FOC - Dia X
[Crónica] Pedals de FOC - Dia 0

O relato completo, mesmo completo, também está por lá se quiserem perder tempo...
Demorou um pouco a sair do rascunho, mas já cá está.
Espero que gostem tanto de o ler como eu gostei de o escrever!

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21 Junho 2009
Viella – Gotarta


Depois de um pequeno-almoço principesco no Hotel Pirene, com tudo que me coube no bucho e a que tinha direito, saio para a rua à espera do BUS que nos levaria até à outra vertente do túnel de Viella que percorre cerca de 6km por dentro das entranhas da montanha para sair a sul, junto a Espitau de Viella, e que chegaria às 08h00 em ponto!

Prontos estávamos mais de uma dúzia de parceiros de aventura. Um casal vindo de Barcelona e que montava num tandem MSC de dupla suspensão muito bonita, um rapaz de Madrid que iria fazer a travessia nas mesmas etapas que eu, e um grupo grande, estilo familiar, que englobava um casal de Valência – o José e a Amparo – uma família inglesa fixada também em Valência há 27 anos e que tinha como anfitrião um senhor do mais simpático que conheci de graça Ken Hogan, as suas duas filhas, Suzanne e Kate, e ainda Alexander e Kharim, este último também de Madrid.

No BUS apenas falei com o rapaz madrileno que por curiosidade é amigo e companheiro do espanhol que me cedeu os tracks da PdF – Edição de 2007, a partir do foromtb – Isto de dizer que o Mundo é um T0, não é à toa…
O moço não queria acreditar que tinha feito 1300km para ir fazer a Ruta! Não tinha conhecimento de nenhum português a fazê-lo até à data.
Dizia ele que era preciso “tener muchas ganas de hacerlo!”

Era bem verdade! - Há anos que sonhava com aquilo.

A amena cavaqueira serviu na perfeição para não perceber os 25 minutos de viagem que demorou o pequeno autocarro até parquear no Parking del Bosque de Conangles, onde está situado o km0, início oficial da travessia.

Os últimos preparativos, como suspender os alforges no suporte, fixar tudo, confirmar que está tudo ok, resetar dados do gps, fumar o cigarrinho da praxe, etc, aconteceram num ápice e depois de “cravada” a solene foto a uma das companheiras – que ainda não conhecia – era hora de me fazer ao caminho, atrás do “tio” madrileno e do casal do tandem.


Et ça commence! Foto por Kate Hogan

Os primeiros quilómetros foram ladeando o rio Salenques, por um GR belíssimo, obrigando logo nos esforços iniciais, os menos aptos a carregarem as montadas às costas já que o trilho tinha zonas a pedir bastante das unhas, com muita pedra, fazendo deste um inicio mágico…
Mas a determinada altura o trilho funde-se mesmo por entre as pedras e o rio que transborda da sua clausura, obrigando-nos aos quatro a estudar várias hipóteses até darmos com a certa para conseguir seguir em frente.


Parte inicial do percurso junto ao rio Salenques…

A “pareja” de Barcelona e o “tio” madrileno que seguia também em solitário…

Na ponte de Forcat…

Depois de passada a ponte de Forcat, parei para vestir algo mais fresco e para saciar outras necessidades mais básicas ainda.
O Livro de Ruta mostrava-se verdadeiramente simples de seguir e depois de habituado ao folhear das páginas a coisa estava perfeitamente dominada.
Depois de aliviado volto ao pedal para atravessar a povoação de Forcat, seguir direito a Vinyal até Ginast, sempre através de paisagens de prados e campos do vale.
Depois de passar esta última povoação entrei num dos primeiros single-tracks do dia e dos dias que se seguiram – os senderos, como em Espanha são conhecidos. Ao inicio um carreiro de pé posto, depois alargava um pouco, mas mantinha-se serpenteante ladeando os campos e que me levaria até pertinho do Santuário de Riupedrós. Muito bom!

Daí até à povoação de Vilaller foi um tirinho.


Villaler…

Os primeiros senderos, como por aqui são conhecidos…

Desde o Barranco de Vinyassola que vinha a subir progressivamente. A povoação de Vilaller estava situada a 986m de altitude e o Coll de Serreres, passagem obrigatória para quem pretender mudar de vale, 370m acima desta, a 1354m de altitude. Uma subida de 3.5km em bom piso no meio de densos e frescos pinhais, que iam deixando aqui e ali ver para lá do denso arvoredo, mostrando um horizonte difícil de descrever.
À minha esquerda ia descobrindo a crista rochosa onde se encontram os picos do Tossal de l’Orri, Cap de Concesse e Tossal de les Roies de Gardet, todos acima dos 2300m de altitude…

Vistas ao longo da subida. O pico da direita é o Tossal de l’Orri…

A chegar à passagem para o Vall d’Boí, o Coll de Serreres, a 1354m…

Chegada a hora de começar a descer algo me obrigou a parar.
A paisagem era de tal maneira incrível que demorei bastante mais que o necessário para me recompor da subida. As cores eram tão vibrantes que pareciam animadas de vida própria e os contrastes aconteciam com uma genialidade desumana. Brotava de todo o lado uma energia impossível de decifrar.
Os trilhos mudavam rapidamente de cinzento para branco, para depois se tornarem vermelhos, tudo isto salpicado de amarelos, muitos verdes e doses massivas de azul. Os peculiares sons que me afagavam os ouvidos formavam a banda sonora de uma palete de cores infindável mesmo para o mais criativo dos artistas. Um verdadeiro festim para os sentidos da alma!


Cores vibrantes e poderosas. Vistas exuberantes até onde a vista alcançava…

Descendo até Llesp completamente deslumbrado com a paisagem, acabei por me perder. Ou melhor não me perdi, foi mais o facto de duvidar se estaria, ou não, no caminho certo. E afinal até estava!
Mas tal desatenção teria um preço deveras doloroso – agora sim, já sei o que sentem os animais quando tocam nas vedações electrificadas…
Depois de passar uma primeira vez a dita cerca – a electrificada pois claro – que faço com extremo cuidado, tive que voltar a passar no sentido inverso pois achava que estava mal.
Volto para trás, volto a abrir e volto a fechar a cerca, segurando no único sitio possível e evitando qualquer contacto com os varões metálicos que se encontram animados de vida “eléctrica” e sigo uns metros atrás à procura de algum desvio mais óbvio que aquele que tomara. Subo uns valentes metros da descida que tinha acabado de fazer e nada de outros caminhos.
Tinha que ser aquele! – Acabo por deduzir.
Volto para baixo, novamente até à cerca, agora confirmando que realmente era mesmo aquele o caminho que o Livro indicava.
Paro em frente à cerca, volto a abri-la novamente, avanço a bike sem desmontar e tento – este foi o meu erro – tentar fechar a cerca com a mão atrás das costas e…

Ahhhhhhhhhhhhhh…

Os segundos iniciais foram surreais, deixando-me bastante desnorteado até perceber exactamente o que se tinha passado. A dor flamejante na ponta do dedo e a dormência do corpo eram por si só demais evidentes.
As vacas olhavam para mim completamente incrédulas. Deduzo que rindo à grande e à Francesa. Neste caso, à Catalã…

“Vacas(!)” – Lanço para o ar em tom de escárnio.
“Um gajo quase morre aqui e vocês riem-se” – Continuo a barafustar enquanto descalço a luva para me certificar que não havia queimaduras.

A ponta rosácea e latejante do meu dedo mindinho era uma cruel testemunha da minha incrível burrice. De um momento para o outro esqueci-me que aquela m**** dava choque e sem ver o que estava a fazer acabei por tocar com a ponta do dedo no varão metálico. Os pés em cima da chapa foram a cereja no topo do bolo, permitindo a descarga eléctrica passar livremente pelo meu corpo até se perder na terra… Foram meia dúzia de Volts com certeza, mas deixaram-me completamente abananado!

Depois do susto inicial e quase totalmente recomposto acabo por passar pelo cemitério de Llesp e uns metros mais à frente entro na bonita povoação.


Lugar do “Choque Eléctrico”…

Povoação de Llesp…

Logo a seguir à povoação de Llesp entramos numa pequeno caminho, com cerca de 11 quilómetros de extensão, todos eles de uma beleza avassaladora.
O seu nome, Camí del Aígua, quer dizer “Caminho da Água” e percebe-se bem porque, já que todo ele percorre as sinuosas margens de um bonito mas rebelde curso de água. Um pequeno oásis de tranquilidade e sombra.

Todo o trilho é perfeitamente ciclável e algo único.
Além dos barulhos provenientes do meu conjunto, tudo o resto era harmónico e perfeito. Um cantinho que fiquei feliz por conhecer.


Camí del Aígua…

O trilho desemboca directo na estrada que leva a Iran, a partir de onde seriam precisos mais 2.5km de subida para vencer os 248m de desnível vertical que me separavam de uma Coca-Cola fresquinha!
Iria também fazer o primeiro controlo da travessia neste mesmo pueblo.
Os controlos consistem em carimbar o Livro de Ruta em determinados lugares específicos e que são obrigatórios cumprir se pretendemos o Jersey de Finisher. E em Iran esse controlo seria o C2, na Casa Joanot.


Povoação de Iran ficando para trás…

Desde Iran tinha mais 3km de subida pela frente.

“1.5km de rampas duras e 1.5km progressivos” – Apontava o livrinho.
“E que raio quererá isto dizer?” – Lembro-me de pensar.

Sentado à porta da Ermida trato pois de atacar o que trazia de almoço. Uma sandes ainda resistia! Mais uma banana e uma maça, uma barrita de geleia e muita água. Como estava quase no final da tirada de hoje e até lá seria sempre a descer, dei-me ao luxo de me perder por um bocado naquela imensidão de espaço.


Ermita de Sant Salvador, no Coll de mesmo nome, a 1399m de altitude…

Descida em estradão de gravilha para a povoação de Gotarta…

Gotarta…

À porta da Casa Vilaspasa de Mercês. Uma anfitriã super, parecia nossa mãe…

Dar com o sítio de pernoita não foi fácil, mas nada que duas voltas à vila não resolvessem. Ao tocar à campainha, surge à porta minutos depois, uma senhora magrinha, dona de uns olhos muito expressivos, morena e de pele encortiçada, muito simpática que antes de me dar tempo de dizer o que quer que fosse me atira esta frase:

“Olá! Então deves ser tu o Português!” – E abre-me em simultâneo um sorriso autêntico de orelha a orelha.

Fiquei pregado no chão! - Depois de alguma conversa fiquei a saber que já se tinha cruzado com o rapaz de Madrid e que este lhe havia dito que vinha um Português na ruta e que seria eu que iria dormir ali. Os meus companheiros de aventura faziam questão de me apresentar como sendo “El Português que está haciendo la ruta”, mesmo quando chegavam primeiro que eu aos controlos ou alojamentos.
Sinceramente, este foi um dos factores que mais me fez vibrar, a sensação de ser bem-vindo em todos os lugares por onde passei e por quem tive oportunidade de travar algum diálogo, ainda que breve!

Além desta recepção tudo aquilo era simplesmente surreal. Literalmente tinha a casa só para mim. Mostrou-me o meu quarto e logo a dispensa – cheia de colas fresquinhas e cervejas geladas – a sala de convívio, a terraça, enfim. Pôs-me à vontade! Disse-me que o grupo grande também iria dormir ali e que queria descansar um pouco antes que eles chegassem e pergunta-me se eu podia abrir a porta se ela entretanto não acordasse com a campainha.
Acedi ao pedido e depois da merecida banhoca, fui lanchar para a terraça gozar de um fim de tarde perfeito, bem embrenhado nos Pirenéus.

Ao sair reparo que nenhum dos quartos tinha fechadura, muito menos chave. Inclusive o parque de “Bicis”, e à sua semelhança também a porta da rua era desprovida de qualquer dispositivo de tranca. Realmente ainda há sítios assim!

Perto das 17h (locais) começa a chegar a restante malta, a família Hogan e amigos.
Primeiro chegam Kate e o pai, desejosos de uma cerveja fresquinha que a Mercês, como adivinhando, trazia já para baixo junto com o seu grande sorriso. A restante malta tinha ficado a dormir a sesta junto à Ermida – afinal não fui o único a pensar no assunto – e tardaram cerca de 2 horas mais a chegar.

O jantar foi todo ele confeccionado pela dona da casa, com produtos da horta e posso-vos dizer que estava qualquer coisa de extraordinário.
Não sei precisar o que comi, pois eram tantos os mini pratos de especialidades da região que nem sei. Isto aliado ao facto de à mesa estarem 10 pessoas, todas de idades diferentes e de várias nacionalidades, falando desde Inglês passando pelo tradicional Castelhano até Catalão e Aragonês, deu ao ambiente uma atmosfera única, dificilmente igualável.


O final deste primeiro dia pautou-se por uns singelos 47.5km, com um acumulado de subidas de 1227m e 1592m de descidas, que percorri num total de 6h30, incluindo 2h15 de paragens.

Local de pernoita: Casa Vilaspasa

[Continua…]
 

froids

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#2
22 Junho 2009
Gotarta – Espui


Assim que abro os olhos e ponho a vista para fora das paredes do meu quarto sou absorvido por uma luz tão brilhante que me cega por momentos. O dia amanhecia límpido, com uma luminosidade impressionante. Não soprava uma aragem e ainda assim a frescura da manha mantinha o seu toque suave, anunciando um extraordinário dia, inclusive com pouco calor. A humidade dos dias anteriores, essa tinha desaparecido por completo…

Novamente Mercês trata de montar uma mesa para o desayuno que mais parecia para um exército. Queria-nos mesmo bem alimentados a senhora!

Enquanto o diabo esfrega o olho a comida e bebida desapareceu de cima da mesa. Cerca de 45 minutos depois, hora a que chegou a jornalista e o camera-man da TV3 não sobrava nem uma fatia de bolo, nem uma fatia de pão tostado, nem uma rodela de chouriço, nada!


Pelas 07h00 da manha era este o panorama desde a sala de refeições…

Na foto da praxe falta Kharim, pois era quem sacava o retrato…

O arranque acabou por ser a horas decentes apesar de todo o aparato matinal no pequenino largo.
Rapidamente ganhamos ritmo devido ao excelente piso das pistas de terra e do asfalto predominante destes primeiros quilómetros. Depois de ultrapassada a povoação de Raons, apenas 2km mais à frente, rumamos na direcção de Malpás, onde começamos a enfrentar as iniciais subidas do dia. Assim aconteceu mais notoriamente depois de deixarmos para trás o cruzamento que leva a Ericastell, ponto a partir do qual teríamos pela frente 6km de subida constante, divida em 3km duros e 3km progressivos.
Como já tinha visto este filme dos “progressivos” assumi a subida com sendo de 6km duros, do principio ao fim.


Depois de passada Raons, a caminho de Malpás…

Ken seguido de Amparo, já a subir para a povoação de Castellars…

Cada um foi subindo e vencendo desnível como pode. Uns mais devagar, outros mais depressa, mas sempre a olho do companheiro que seguia atrás. Deste modo chegámos todos mais ou menos ao mesmo tempo à bonita povoação de Castellars, onde nos aguardava já Pep com a equipa da TV3, que depois de filmado o arranque, queriam agora fazer umas entrevistas – calhou à Suzanne o rebuçado – e filmar alguns planos do pessoal a pedalar nos trilhos. Para tal fizeram-se ali mesmo algumas filmagens e acordou-se que iríamos novamente ter a sua companhia no final da primeira subida, antes de começar a doer a sério.

Em Castellars era também necessário carimbar o C3 que fizemos sem pressas.
Soubemos pela dona da casa L’Abadia num Catalão quase imperceptível – decifrado por Pep – que o solitário madrileno tinha abalado daqui fazia tempo e seguia portanto, uns quilómetros mais à frente. O casal do tandem tinha pernoitado em Iran, mas levantando-se bastante cedo, estavam também mais adiantados no terreno que nós.


José e Amparo com Pep depois de carimbar mais um Controlo, em Castellars…

A povoação de Castellvell de Bellera, vista desde Castellars…

Eu, Kharim e Ken Hogan. Um Português, um Espanhol e um Inglês… – Onde é que eu ouvi já isto?

Depois de finalmente sacarem mais uns planos da malta a subir, deixamos a equipa da TV3 e Pep no início das rampas duras com que nos iríamos entreter na próxima hora. Uma belíssima pista de gravilha ganhava metros à montanha desde a povoação fixada a 1219m de uma forma gradual até que sem aviso prévio empina estupidamente e assim se mantém durante alguns quilómetros. Curva após curva, gancho após gancho vamos ganhando altitude rapidamente, até que volta a uma inclinação mais gentil sensivelmente a 3.5km do Collado de Fades para terminar a 1610m acima do nível do mar.

Ken Hogan, o “velhote” de 67 anos dizia frequentemente que não se importava de andar a pé a subir.

“I don’t mind walking” – Dizia!

Fiz muitas das duras rampas do dia, pedalando ao seu lado na conversa, ora em castelhano ora em inglês, enquanto ele as fazia sem qualquer esforço empurrando a sua bicicleta, muito mais ágil do que em cima dela! Marido da actual campeã do mundo de maratonas, na classe de veteranos e dono de variadíssimas experiencias de vida, inclusive uma estadia em Portugal que remontava aos anos 60, foi uma extraordinária companhia. Com um humor simples e de espírito jovial estava longe do perfil Inglês que temos como referência. Fixado com a família em Valência fazia 27 anos, tinha já mais de Espanhol a correr-lhe nas veias que de Inglês, e isso era notório.

Com o seu estranho sotaque, de Inglês traçado com Espanhol – ou o inverso, já nem sei – foi uma figura que me agradou imenso ter a oportunidade de ter conhecido.

Meteu-se nisto com as filhas depois destas lhe terem dito que eram apenas 50km por dia, durante 4 dias.
Como faz ciclismo de estrada, associou rapidamente os 50km a 1h30 de passeio diário…

“That’s cool! 1h30 each day, maybe 2 hours… That’s sound ok!” – Dizia…
“Now… In this terrain?! My God, I’m too old for this stuff. Those girls had played me well” – Blasfemava sempre sorridente e brincalhão!


Kharim antes de uma secção de duras rampas…

Daqui e passando pelo Barranco de Ert até à pequena povoação de Erta seria sempre a descer. No entanto as alegrias foram de pouca dura, pois pouco tempo depois já nos encontrávamos de novo com o peso sobre os ombros a empurrar forte os pedais. A quase desabitada povoação de Sas marcaria essa nova inversão de sentido, para o tornar de novo ascendente por mais 2.5km sempre por estradões e pistas de óptimo piso.

As vistas mantinham-se sempre arrebatadoras, e quanto mais subíamos, melhores ficavam.


Na subida para o Coll de Sas, situado a 1518m de altitude…

Povoação de Sas a ficar já bem lá em baixo…

José e Amparo subindo…

Vistas surreais no Coll de Sas! Ao fundo o Maciço da Maladeta, marcando o tecto dos Pirenéus…

Amparo e Kate deliciadas apreciando o Prat d’ Or enquanto chega Kharim…

Povoação de Sentis, com a continuação da nossa descida serpenteante vale abaixo…

Desde o Coll de Sas a 1518m, já tínhamos descido até aos 1312m de altitude da povoação de Sentis, mas até Les Esglèsies teríamos ainda que baixar mais 276m, totalizando um desnível de quase meio quilómetro de descida ininterrupta através de 9km de belíssimo piso. Ao principio por trilhos e caminhos rápidos e ondulantes, mas desde a povoação de Sentis que a descida se fez por asfalto, mas não por isso menos interessante…

Em menos de nada chegávamos à povoação de Les Esglèsies, onde controlaríamos o C4 na Casa Batlle e onde faríamos também a merecida pausa para almoço, altura em que batiam ambos os ponteiros nas 14h!
A escolha recaiu nos bocadillos da ordem, uns de presunto e queijo, outros de tortilha, outros de salsichas e carnes da região, um sem fim de escolhas. O acompanhamento ficou a cargo de umas brutas saladas, bebidas fresquinhas e um geladinho para rematar, finalizando com o belo do cafezinho e o cigarrinho da praxe…


Esperando pelo almoço! Bocadillos para todos…

Á semelhança do dia anterior, parte do grupo quis ficar a descansar mais um pouco antes de encarar as duras subidas que estavam ainda por vir…
A Kate e o pai preferiram continuar após uns breves 45 minutos de paragem, pelo que aproveitei para seguir com eles.
Dividimos assim um grupo grande em dois mais pequenos, ambos providos de equipamentos de navegação. Um grupo equipado de GPS – o meu – e outro grupo equipado de JPS – o do José. Este termo quando dito pela Amparo levou-me a questionar sobre o que queria ela dizer com o acrónimo “JPS”.

“JPS quer dizer: José Positioning System!
Percebes? J de José… José Positioning System!” – dizia divertida Amparo!

A subida inicial na direcção de Buira fez-se por um asfalto de excelente qualidade, passando depois a estradões de piso muito bom, mas partindo de certo ponto só resistiria mesmo uma pista pedregosa por onde seguir.
Foi um inicio de tarde durito. As primeiras rampas de al-catrone tinham uma inclinação perigosa, roçando o limiar do possível como autênticas paredes que eram, mas o que se seguiu depois foi bastante mais violento. A inclinação não baixou, foi sendo intercalada com zonas menos duras, e apenas o piso foi substituído por um tapete de pedras redondas e soltas que cobria outro de pedras maiores cravadas no solo. Uma romaria que me abanou o esqueleto tantas vezes quantas consegui resistir aos solavancos e coices dados pela minha menina.


A povoação de Les Esglèsies vista do início da subida para Buira…

Pai e filha, os meus únicos companheiros da tarde…

A Kate não achava o mesmo, embora pior ainda estivesse por vir…

A cancela marcava o final do bom piso! Para cima seria diferente…

Uma zona bastante dura pelo piso bastante pedregoso…

A subida terminou no Coll de Pemir, onde após um breve tramo de descida entraríamos numa das zonas mais interessantes de toda a travessia. Pela inexistência de caminho ciclável foi necessário ir encontrando a passagem através de uma pequena encosta até dar com uma pequena abertura que serve de passagem para a outra vertente do vale, que nos presenteia a vista com umas formações geológicas bastante características e interessantes.

O trilho e a envolvente eram lindíssimos.
Por entre pedras a lembrar a superfície de Marte e tojos muito verdes corria uma finíssima linha que ziguezagueava por entre o caos de calhaus, onde com alguma perícia era exequível desfrutar de algumas dessas zonas em perfeita segurança, com o enquadramento paisagístico perfeito.
Foi o que fiz na medida do que me foi possível. Dava algum espaço aos meus companheiros, para depois pedalando, rapidamente recuperar essa distância. Este carrossel levou-nos lentamente ao Coll d’ Oli, ponto de viragem do caminho, sempre em sentido descendente, mas agora na direcção de Guiró.


Simplesmente fabuloso…

Junto ao Tossal del Portel, a 1541m

Para depois poder pedalar um bocadinho…

E rapidamente estava de novo ao pé dos meus companheiros…

Esperar mais um pouco…

E eis que já ali estão outra vez…

Kate no Coll d’ Oli, situado a 1525m de altitude. Onde o JPS se perdeu…

No Coll d’ Oli era importante não descurar a navegação e manter alguma atenção no mapa. O José – o JPS – não reparou no poste com todas as indicações necessárias para uma viagem sem percalços e enganchou no trilho da esquerda, também descendente, mas que levaria na direcção oposta à pretendida, desembocando num vale que não o certo. Demoraram 1h30 a corrigir o erro.

O trilho que tínhamos que seguir desde o Coll era absolutamente alucinante.
O pequeno e fugidio single-track que corria montanha abaixo, apesar de lindíssimo, não era desprovido de dificuldade técnica. Tardámos 1 hora para descer pouco mais de 2km. Uma autentica loucura! – No entanto, grande parte desse tempo foi esperando pela Kate e pelo pai que desesperaram a quase totalidade do caminho.


Sendero exemplar que nos levaria até à pequenita Ermita del Coll…

E outras mais fáceis mas não menos espectaculares…

A chegarmos a Guiró…

Povoação de Astell, onde ainda haveríamos de passar…

Foi uma parte final verdadeiramente dura para Kate que a certa altura viu o seu desviador da frente abdicar de funcionar. Depois de muitas horas desde Les Esglèsies estávamos de novo no asfalto e à porta da povoação de Guiró. A descida continuou até Astell e depois de uma curta subida chegámos a Gîte La Torre em La Torre de Capdella, onde estaria situado o C5 e que se encontrava fechado. Seguiríamos juntos mais um pouco até passarmos por Espui. Os meus companheiros seguiriam ainda mais 1.5km até ao aglomerado de casas de nome Central de Capdella.

Nesta altura já muito tínhamos falado, Eu e Ken, sobre onde e como andaria a restante malta. Estávamos a chegar bastante depois do previsível e muito por culpa da dificuldade do percurso da tarde. Bastava que eles arrancassem do almoço 1 hora depois para irem fazer a ultima parte do percurso já ao lusco-fusco.
Não fazíamos ideia que seria necessário acrescentar ainda o tempo necessário à correcção do engano no Coll d’ Oli e sem esse factor na equação, as expectativas temporais que tínhamos para a sua chegada nunca poderiam ser as sensatas.

Depois de o sabermos percebemos rapidamente que chegariam para lá das 22h e bem sob a frescura da noite. Ainda puseram a hipótese de chamar um dos táxis da organização, mas as meninas presentes no grupo não deixaram.
Há! Valentes!



À porta do C5, o ar de visível cansaço em Kate e o de apreensão estampado no rosto de Ken…

Enquanto Kate falava com a irmã, Ken e eu procurávamos o eventual problema residente no desviador da bike da Kate. Nada encontrámos e aparentemente nada deveria impedir o mesmo de trabalhar, mas a verdade é que estava tão colado no prato do meio que mais parecia cimento. Não se mexia por nada e o cabo estava partido.
Era estranho…

À minha pronta oferta de um cabo de substituição, Ken riu abertamente e disse:

“You’re crazy, can’t accept it! Maybe José have one… If he doesn’t… we’ll see! I sure can’t accept yours.” - E deixou-me muito pouco espaço de manobra, terminando com um enorme “Thank you” – e um terminal – “Fred, it’s not even in discussion!”

Separamo-nos à entrada da povoação de Espui, que subo ao engano pensando ser onde se situaria a minha dormida de hoje.
Corrigo a direcção a tomar depois de consultar um Azimute Falante – titulo que dou às pessoas “lá da terra” – e volto a descer novamente tudo o que tinha subido e que não tinha sido tão pouco quanto isso.
Mais umas pedaladas e avisto finalmente o Hotel…

Não foi das recepções mais calorosas mas foi uma verdadeira caixinha de surpresas aquela estadia.

Entro cansado pela porta principal adentro e dou comigo no bar do hotel, repleto de fumo de tabaco, espesso, terrivelmente mal cheiroso. Um velhote de aspecto pouco amistoso levanta a cabeleira branca por cima de todas as outras – que agora me fitam quietas – e solta um quase imperceptível: “Há! Deves ser tu el Português, no?” Passa, passa, acerca-te aqui.”

O barulho inicial da sala que parecia ter-se extinguido com a minha entrada era agora muito mais evidente. Falava-se, imaginem, do tal do Cristiano Ronaldo. Todas as atenções se viraram pois para aquele gajo de capacete que o dono do estabelecimento tratava por Português. Num instante era já invadido por perguntas sobre futebol – e eu num mundo à parte, completamente – sobre o que achava da transferência do fulano para o tal clube espanhol, etc e tal.

Fui salvo pelo senhor de cabeleira branca. Apaga a beata e diz-me que o siga para me mostrar os aposentos da noite!

O jantar foi muito bom!
De entrada marchou uma sopinha! De seguida vários mini pratos típicos da região. Coisas como pé de porco, bochecha de vitela ou redondo de vitela e mais uma especialidade de cogumelos que agora não me lembro o nome. Uma tábua de enchidos e queijo quente, salada e fruta da época para sobremesa. Em cima disto ainda comi mais um geladinho.
Fiquei, como será fácil de imaginar, cheio até ao topo!

Haveria ainda de acontecer um episódio caricato em que me vi, de repente, enfiado dentro do carro do tal senhor, acelarando direito a Gîte La Torre à procura do carimbo para controlar o Livro da Ruta. O espaço estava fechado já o sabíamos, mas não sabia eu que de alguma forma eles tinham combinado entre eles esta artimanha para que não ficasse sem carimbo. Não faço ideia porque o senhor insistiu para que o acompanhasse, mas durante todo o rápido caminho não trocámos uma só palavra. Encontrámos o carimbo e voltámos, novamente a 100 à hora por uma estrada de montanha cheia de curvas apertadíssimas e escura como breu, com uma largura máxima que não permitia a passagem de dois carros em simultâneo.

Despede-se com um curto “Desayuno às 7h00!”


No final do dia e fazendo contas pelos dedos, subimos um total de 1647m e descemos 1580m. Foram precisas 11 horas para vencer a miserável distância de 52km, incluindo paragens.

Local de pernoita: Hotel Montseny
http://www.pallarsjussa.net/montseny/

Continua...
 

froids

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#3
23 Junho 2009
Espui – Son


De desayuno engolido apresso-me a sair para a rua. Ir buscar a bike ao parque de “bicis” – perceber que os do tandem já tinham partido novamente – carregar pilhas novas no Orégão e na máquina dos retratos, enfiar o pic-nic – almoço – dentro do camelbak, encher este de água e fazer-me à estrada.
Pela frente, 1km depois de ter começado a pedalar, tinha uma subida que se prolongaria por 12kms ininterruptos, com uma inclinação média a roçar os 10%, de bom piso e que me transportaria até ao Coll del Triador e ao alto dos seus 2138 metros de altitude.

Literalmente, passei as mais de 3 horas que se seguiram cavalgando o dorso da serpente… Uma serpente enorme e venenosa, deveras venenosa! Torcia-se montanha acima, levando-nos com ela numa fantástica viagem de sangue, suor e lágrimas.

Junto comigo em Montseny estavam hospedados, além do casal de Barcelona que já seguia na dianteira, mais 3 companheiros de origem Basca, super “boa-onda” e muito divertidos. Falámos apenas hoje de manha e sabia que teria a sua companhia nos trilhos, ainda que apenas durante breves momentos, pois eles haveriam de passar por mim e deixar-me pregado no chão.

Arranquei por isso entusiasmado, confiante e cheio de “ganas” de me ver pisando El Triador!
A encosta a vencer tinha um desnível de 1050 metros verticais e embora a inclinação fosse quase constante, de vez em quando lá vinha umas paredes, sempre em curvas apertadíssimas com formas de gancho ou de ferradura. Houve 3 dessas rampas que me obrigaram a descer dos pedais, autoritárias.


A povoação de Espui…

A cabeceira do Vall Fosca começava a perceber-se…

O primeiro “gancho” a doer a sério! Mais paredes destas haveriam de surgir…

A subida continuava…

Sempre fiáveis, ambos…

Espui e a serpente…

Ao pé daquelas pedras, nova secção a matar…

A 3ª e ultima parede em forma de ferradura…

As vistas que o horizonte abrangia…

O corpo da serpente… venenosa! Espui ainda visível no vale lá bem em baixo…

José já se encontra visível na imagem. Onde está o Wally?

No Coll del Triador, a 2138m de altitude.

Depois de 3h02m pisava finalmente o tão aguardado Coll. Lugar fantástico de onde se avista um mundo maravilhoso. Reconhecem-se os Pirineus franceses, os maciços orientais dos Pirineus espanhois, Andorra… Um Quebrantahuessos sobrevoa um pico pedregoso vizinho…
Só o vento interrompe aquele silêncio repleto de harmonia…

O vento e um ronco na pança!
Estava com fome. Já tinha comido no caminho, durante uma das paragens que fiz durante a subida, mas iria faze-lo agora ali mais descansadamente, com outras vistas para apreciar. Fazia o jeito e esperava pela restante malta que já sabia estarem todos a caminho. Já os tinha visto há uns quilómetros atrás, todos eles cavalgando o amarelado dorso da serpente, devagarinho e pachorrentamente…
Numa das vezes em que me debrucei sobre as vistas que iam ficando para trás reconheço José, que vinha forte e a ganhar espaço ao que nos separava, mais de uma hora de caminho.
Fiquei feliz por perceber que estavam de novo todos lá. Face às incógnitas do dia de ontem, não sabia se eles estariam aptos a prosseguir logo pela manha ou não. Assim conseguiram. O grupo do José chegou um pouco depois das 23h e apesar de não conseguirem resolver o problema do desviador da bike da Kate, passaram-no à mão para a avozinha e foi assim que ela trepou ao Coll del Triador.


Assim como Ken e Alex, os últimos do grupo a atingirem tão almejado…

Uma última foto antes das despedidas…

As despedidas tiveram que acontecer, lamentavelmente, e depois de abraços, beijinhos e votos de boa continuação, foi hora de seguir viagem. É que ao contrário dos meus amigos que tinham apenas mais 10kms para fazer até ao seu local de pernoita para hoje, eu teria mais 45, mais coisa menos coisa. E alguns deles duros, quer a subir, quer a descer.

Sigo direito ao Coll de La Portella, ponto mais alto da travessia, com a passagem dos seus 2268 metros através de estradões de bom piso, necessitando apenas de me preocupar para não atingir uma das muitas minas, provenientes do gado pastando descontraído, que salpicavam os caminhos.
As vistas continuavam dominadoras e magníficas.
A certa altura a pista – que vinha há uns curtos quilómetros à cota pela encosta da montanha, contornando o pico Montsent de Pallars e os seus 2883m – começa a descer suavemente sem nunca perder demasiada altura, mas torna-se rapidíssima com o acumular de desnível aliado ao piso de gravilha pequena. Acabou por ser uma surpresa em cada curva, pois nesta altura havia bons pastos, e além de muitas vacas, haviam também muitos cavalos. Alguns, exemplares perfeitos de porte elegante e atlético. Pastavam soltos e livres de amarras, donos das encostas das montanhas e dos caminhos.

Corvos levantavam do caminho à minha passagem enquanto águias sobrevoavam bem do alto, apreciando todo aquele panorama irrepreensível…


A caminho do Coll de La Portella, tecto da PdF com os seus 2268m de altitude…

Cavalos…

E uma intensa descida em gravilha, rapidíssima…

E ainda mais outros…

Esta descida termina numa zona em que um ribeiro alimentado pelo degelo da neve que ainda resiste um pouco mais acima nas alturas marca a transição para a extenuante subida até ao Coll de La Portella, onde iria largar os trilhos da “Travessia dos Pirineus” que tinha vindo a seguir desde Espui. Haveria de seguir então para a esquerda na direcção do Coll de La Creu de L’Eixol, que está fixado a uma altitude de 2232m, e que acaba por surgir depois de um período ondulante alternando pequenas subidas com pequenas descidas, sempre em estradão de gravilha, sempre á cota.

Depois do Refugio de Quatre Pins e daí até ao início da descida pelo Vall d’ Espot foram mais uns minutos. Alguns, pois a subida até ao Coll de nome complicado que permitia essa passagem foi durinha, embora de uma beleza estonteante.


O Pico Montsent de Pallars e a bela e rápida pista descendente que vinham seguindo…

No Coll de La Portella, situado a 2268m

A caminho do Coll de La Creu de L’Eixol, localizado a 2232m

Auto-retrato no Coll de La Creu de L’Eixol…

A descida para a povoação de Espot foi brutal. Muitos e muitos quilómetros de pistas e caminhos de terra para depois terminar em asfalto, já pertinho do pueblo. A pista de ski nórdico de Forcall foi tão potente que me derreteu o que restava das pastilhas do travão traseiro. Com este completamente inutilizado, passei a abusar do travão da frente que chegou á pacata vila de Espot rosado que nem o rabinho de um babuíno!
Foi demais…
Foram só 13kms de descida non-stop!

Em Espot voltei a encontrar os Bascos. Tomavam uma cervejinha quando cheguei á esplanada onde estavam sentados. Coincidência? Não! O local do C6 era mesmo ali atrás, no hotel Roya. Mais dois dedos de conversa e eles arrancam pois já ali estavam há 45 minutos. Delicio-me com um prato de “tapas” e uma coca-cola, aproveitando para descansar um pouco, pois dali para a frente seria novamente a subir.

“Ainda bem, pois já não aguento muitas mais descidas destas sem travão traseiro” – Pensava enquanto olhava o Livro de Ruta.

Já não havia comida no prato e no copo já só restava gelo, mas eu ainda não me tinha levantado. Já tinha inclusive fumado o cigarrinho do costume. Mas não me conseguia levantar, não me apetecia mexer. Mas tinha que ser, ninguém o iria fazer por mim e descansar mais não iria trazer benefícios.

Tive que me por ao alto e mandar o meu cérebro ordenar aos músculos fazerem o favor de me respeitar. – Afinal quem é que manda aqui?!


Iniciando a descida pelo Vall d’ Espot…

Descendo pela pista de ski nórdico Forcall da Estância de ski de Espot…

Povoação de Espot…

Depois de Espot restava-me alguns quilómetros a cumprir numa única subida até Son, local onde iria dormir, com a companhia dos companheiros provenientes do País Basco, na casa Masover.
A subida de asfalto foi meiga, mas não menos impressionante! Uma linha cinzenta muito brilhante cruzava impiedosa através dos montes acima, contornando estes e perdendo-se na densa vegetação atrás de uma curva.

As vistas iam humilhando o esforço, deixando-o pequenino e insignificante.
Quanto mais subia melhor eram. O Vall d’Aneu abria-se ante os meus olhos como qualquer coisa de divinal. O éden na terra!

Sempre em sentido ascendente acabei por passar pela povoação de Jou e uns quilómetros mais à frente lá estava, silenciosa e plácida, a povoação que me serviria de porto de abrigo para uma última noite nas montanhas. Na bonita povoação de Son, estava situada a casa Masover, onde haveria de pernoitar.


Subindo para Estais… Pistas de Espot bem marcadas ao fundo na montanha…

Belas paisagens do Vall d’Aneu…

Vistas sobre o lago com o Parque Natural L’ Alt Pirineu ao fundo…

Povoação de Son, onde dormiria na casa Masover…

Assim que cheguei e depois de esperar uns minutos até que aparecesse alguém, lá me foram mostrados os aposentos, as instalações, o normal. A simpatia e recepção foram semelhantes ao que de melhor já tinha presenciado. Um senhor forte e bonacheirão era o anfitrião.
Estranhei os Bascos ainda não terem chegado, mas deduzi que tivessem tomado a opção de uma das variantes da Ruta que passa pelo Bosque Negro de Son. 670 Metros de acumulado positivo a mais não era coisa que me apetecesse muito, embora depois do relato feito pelos intervenientes tenha ficado com alguns remorsos pela opção que tomei.
Disseram maravilhas do trilho! Enfim…
Aproveitei esse tempo para trocar as minhas mortas pastilhas traseiras depois de um banhinho cuidado na montada que bem precisava. O pó acumulado resultante da batalha era o culpado pelos barulhos incomodativos que soltavam os pivôs da escora ao receber os obstáculos do caminho. Depois do serviço concluído e cara lavada era outra!

Entretanto chegam os meus companheiros de jantar e de aventura!
Só aqui pudemos travar melhor e mais prazenteira conversação. Enquanto esperávamos pela feitura da janta fomo-nos perdendo em histórias de cá e de lá. Sempre em Castelhano que eu de Basco não percebo nada, proporcionando um final de tarde estupendo.

O jantar foi na mesma onda…
Bastantes coisas em comum entre estranhos deu o mote para uma conversa que se estendeu por horas atrás da mesa do jantar. O dono do estabelecimento connosco à mesa e muita simplicidade no trato, fez desta uma noite em tudo semelhante a uma noite “entre amigos”.
Tudo malta que vive no monte, para o monte e do monte!

Que posso eu dizer mais?!
Apenas que tive muita, mesmo muita pena que terminasse…


Gosom, Hiker e Yon! Os companheiros Bascos com o seu instrumento de “bebida”…

Ainda estivemos para ir a pé às festas que aconteciam em Esterri d’ Aneu, donde vinham os foguetes que ouvíamos estoirar no ar, mas acabámos por perceber que seria de loucos e confortavelmente nos fomos deixando embalar na cavaqueira, bebendo birra com lima por um “vaso basco” próprio para tal, cedendo lentamente ao cansaço e à vontade de deitar o esqueleto que aconteceu por volta das 02h30 (!) da madrugada.


O início da tirada de hoje foi às 8h em ponto e acabei por chegar ao final no exacto momento em que o relógio acusava as 16h30. Para completar os 54.5km demorei 8 horas, das quais 2h30 foram à sombra a descansar. Trepei um total de 1611 metros e acumulei um total de descidas na ordem dos 1485m.

Local de pernoita: Casa Masover
http://www.casamasover.net/principal.htm

[Continua…]
 

froids

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#4
24 Junho 2009
Son – Viella


Estranhamente acordei à hora do costume, mas o corpo estava dormente e a cabeça não se encontrava nas melhores condições, pedindo árduo trabalho para conseguir discernir os meus pensamentos durante aqueles primeiros minutos.
A boca encortiçada pedia água com urgência.

A noite de ontem tinha deixado marcas.
Em Yon e Hiker a tola latejava de igual maneira. Gosom ainda dormia na sua estreita tarimba.

Meia hora depois e de banho tomado começamos a recuperar e com a ingestão de um calórico pequeno-almoço – que inclui as bem ditas fatias enormes de pão tostado, barradas com alho, azeite e tomate para depois serem cobertas de fatias de enchidos e queijo – a coisa foi melhorando significativamente. Comi que nem um abade. O corpo bem o pedia e eu dava-lhe!

Obstante o potente desayuno, encontrei alguns problemas para manter o equilíbrio durante as primeiras pedaladas através do Cami del Calvari.
Mas da mesma forma que tinha acontecido ainda há pouco, o corpo lá foi recordando como andar de bike e em menos de nada estava como se nada tivesse passado, fluído e ágil como sempre.
Felizmente, porque o que se ia mostrando era realmente de grande qualidade. Um sendero que se perdia por dentro da zona baixa do Bosque Negro e que pedia muitíssimo da técnica, com curvas a 180º com uma inclinação razoável e bastantes pedras a impedir uma passagem mais bruta. Algo de muito precisoso. O melhor single-track de todo o trajecto.

No final deste Cami del Calvari entrámos numa outra zona. Num bosque muito bonito, de nome Bosque del Gerdar e que por ser Reserva Integral não é permitido circular de bicicleta. O pequeno percurso é feito a pé e a coima por desrespeito pode chegar aos 600€ – e os guardas estavam mesmo lá que eu vi.
Vai da consciência de cada um, mas independente disso, torna-se uma petição fácil de cumprir já que o trilho apresenta um elevado grau de dificuldade e não será exequível a qualquer um.
A paisagem envolvente é digna de ser plenamente apreciada, vale bem o curtinho passeio pedestre!


Á saída de Son…

No inicio da jornada pelo Cami del Calvari…

No Cami del Calvari! Soberbo, fantástico, precioso... Descida alucinante…

Ainda no Cami del Calvari, todo ele ciclável haja a perícia necessária…

Na ponte de Barranco de Cabanes…

Barranco de Cabanes…

Bosques de Piño Nero – Pinheiro Negro

NÃO CICLAVEL. É reserva Integral! Há que respeitar…

Plaza Major de Sorpe…

Quando o single-track que nos carregava desde Sorpe termina, entra-se numa estrada que sobe gentilmente pela encosta da montanha. O asfalto permite-me uma cadência que até ali ainda não tinha conseguido atingir, permitindo deste modo um avançar suave e sem grandes martírios ao longo de um pequeno rio que descia vale abaixo, revolto e gelado…
Essa linha cinza e esguia levar-me ia a passar por Isil e daí até Alós d’Isil, lugar onde tinha programado uma paragem mais longa para almoço. Os Bascos esses, já deviam estar quase a chegar a Alós d’ Isil, onde eu chegaria 30 minutos depois.
A estrada mantinha-se à fresca, resguardada sob a copa das frondosas arvores que se penduravam nela desde a encosta. Foi uma subida de 6kms que fiz sem pressa, degustando cada novo sabor do rebuçado que trazia na boca desde que chegara a Viella, alguns dias antes…


Ainda estive para tomar uma banhoca, mas estava fria…

Alós d’Isil…

Almocei aqui, em Alós d’Isil, o pic-nic que trouxera da casa Masover.
Acabei por dar uma voltinha pelo largo, fazendo com que um senhor que descansava na varanda de sua casa se tenha interessado de minha figura. Falou-me em Aragonês…
Foi como se tivesse falado em russo!
No castelhano mais correcto que consegui encontrar expliquei-lhe cordialmente que não tinha entendido nada do que me havia dito, que era português e que se queria falar comigo só em castelhano mesmo…

Riu-se e depois tentou de novo, mas num castelhano ainda pior que o meu – se isso é possível.
Perguntava-me se estava fazendo a “Ruta” – A Pedals de Foc, entenda-se – e depois de alguma conversa acaba por me aconselhar a não ceder à vontade de descer directo para Viella e seguir para Bagergue, que valeria bem o desvio.
Ora, já contava mesmo em ir por Bagergue! – Com mais esta dica, não falharia de certeza!

Acabei por saber que já tinha feito várias vezes aquela volta, umas de bicicleta, outras a pé (!). Nunca por lazer, mas sim por necessidade de se deslocar de um sitio para outro por qualquer razão. Também fiquei a saber que o seu mau castelhano era devido a quase nunca usar a língua, apenas Catalão e o dialecto da sua terra, o Aragonês.

Para Bordes d’ Isil foram só mais 8km de subida leve e em óptimo piso. Um estradão largo de chão compacto e poeirento ascendia devagar pelo vale. Sempre ladeando o rio o que fazia com que a temperatura andasse muito perto da ideal, minimizando a tarefa de pedalar com o sol a pino por cima da cabeça.


Tranquila e majestosa subida para Bordes d’ Isil…

Com as vistas sendo progressivamente “maiores”…

Um descanso…

Passeando por Bordes d’Isil…

Foto tirada a pedido a um casal de namorados…

Seguindo viagem acabo entrando rapidamente no Vall d’ Aneu, majestoso e único.
O objectivo era agora o antigo Santuário de Montgarri, um dos ex-líbris da região e que por essa razão atrai muitos visitantes. Está situado já dentro da espaço da reserva natural de L’Alt Aneu e é uma construção Gótica que data do século XiV e que mais tarde foi recuperado pelos Amics de Montgarri, que o transformaram em refúgio de montanha!

As pistas sucediam-se rápidas, tivesse eu ainda a força necessária…
Os estradões de excelente piso ajudaram a diminuir a dureza dos quilómetros seguintes, com os trilhos a desenrolarem-se num suave mas demolidor “rompe-pernas” que progressivamente me ia consumindo as forças, chupando toda a energia que os meus secos músculos ainda tinham capacidade de debitar. Começava realmente a acusar o cansaço das jornadas anteriores, com o disparate da última noite em Son – aquela refinada bebedeira – a pesar por cima dos 5500m de subidas que já carregava na mochila.

Custou-me, mas havia de chegar a Montgarri. Afinal estava quase lá…
Mas este doce ondular ia-me dando cabo das pernas mais depressa do que os quilómetros passavam sob as rodas, e quando avistem o Santuário ia realmente bastante cansado, estafado pode-se dizer.


Cores fascinantes…

A caminho do Santuário de Montgarri…

Santuário de Montgarri e Refúgio Amics de Montgarri…

“A montanha é mais bonita com flores
que com papéis. Deixa-a
como a haveis encontradao.
Assim amanha os pássaros não terão
que se perguntar ?Quem passou por aqui?”

No Santuário estavam os companheiros Bascos ainda entretidos com um valente prato de massa. Também lhes custou esta última zona – acabaram a confessar!
Peço comida e bebida para repor os níveis no limiar do aceitável e entrego-me sem cerimónias a esta tarefa assim que a comida toca a mesa e só me dou por satisfeito quando o garfo arrepia no fundo do prato. Um gelado de morango e por ultimo um café que peço em simultâneo com o necessário e último controlo da travessia, o C8!

Enquanto isso, os meus companheiros ultimam os seus preparativos e seguem viagem rumo ao destino final, Viella.
Em conversa com Hiker – que conhecia bem os próximos quilómetros pois treina aqui ski de fundo – fiquei a saber que ainda me faltavam uns 500m de desnível positivo a vencer que poderiam ser divididos em três zonas: Uma dura, outra menos má e uma final, muito ruim (!).

Abalam uma vez feitas as despedidas da praxe:

“O’n di’oxl” – Isto em Basco soa melhor, mas eu mal sei pronunciá-lo, muito menos escrevê-lo. Quer dizer qualquer coisa como: “Adeus e passa bem” ou “Boa continuação”.
“Adeus pessoal, boa viagem!” – Despede-se o tuga à Portuguesa!

Haveria ainda de rever Yon já na conversa com Pep à minha chegada à PdF…


As despedidas dos companheiros Bascos…

Deixando Montgarri para trás…

Novamente em marcha, o conjunto seguia agora novamente com mais genica. O motor estava de novo atestado, embora a elegância tosca com que ia enfrentando as subidas não desse provas disso. Mais uns minutos até entrar de novo num ritmo calmo e siga que para a frente é que há caminho.
Até ao Pla de Beret aconteceu como Hiker tinha dito. Umas subidas difíceis intervaladas como algumas zonas rolantes e subidas menos duras e mais progressivas, sempre por uma pista com relativo bom piso.

Ao atingir o Pla de Beret tive hipótese de constatar o estado do tempo no Vall d’Aran. Estava medonho!
Parecia que finalmente os deuses tinham quebrado o pacto e ameaçavam agora soltar sobre as nossas cabeças demoníaca fera para nos impedir a entrada em tal recôndito vale. Na continuação do caminho acabei por ir ao encontro do menos provável dos bichos. Um burro parado no meio da pista!
O bicho ao me perceber abrandar avança na minha direcção, curioso e afável, e estica a cabeçorra pedindo festas! Esfreguei-lhe o focinho, ele agradeceu e seguiu o seu caminho, descontraído e vagaroso.


A chegar ao Planalto de Beret surge este ilustre anónimo…

Depois de cravar umas festas no focinho, segue o seu caminho, impávido…

A cruzar a Estância de Ski Baqueira/Beret…

Uma vez cruzado a Estância de ski de Baqueira/Beret só me restava alguns quilómetros antes de poder saborear por inteiro o desfecho desta aventura. O Livro de Ruta apontava o Cruce de Orri como o ponto onde encadearia com o trilho que me havia de acompanhar até ao derradeiro final em Viella, o GR211.
Mas aquela última recta no Pla de Baqueira foi terrível de vencer devido ao fortíssimo vento que varria todo o planalto visivelmente enfurecido. Foi devido ao facto do Cruce de Orri – e o inicio da longa descida – estar ali à vista que resisti à tentação de baixar o ritmo imposto pela relação de transmissão que trazia desde que tinha pisado asfalto, 1.5km lá atrás. A Talega foi difícil de conquistar nestas paragens e agora haveria de aproveitar o seu superior embalo para me arrastar até ao início da derradeira descida.
Uma descida que contava 13km seguidos através do GR211, ora em pistas de gravilha ora através de single-tracks e caminhos rurais.

Qualquer coisa de alucinante! – Haveria de constatar…


Inicio do GR211, algo de sublime…

Depois alargava e corria solto e desenfreado montanha abaixo…

Por muitos e muitos quilómetros…

Depois de uma curva embico a frente da bike para um caminho de pé-posto que me levaria à tão falada povoação de Bagergue. Estava sinalizado no mapa e no Livro de Ruta e faz parte do percurso original da travessia que vinha a cumprir.
Algo menos fácil que seguir pelo estradão mas muito mais prazenteiro, sem dúvida alguma!
Desde Bagergue o percurso desenrolou-se por dentro de povoações ligadas entre si por caminhos rurais antiquíssimos e maravilhosos, single-tracks de perder a cabeça, sempre bem embrenhados na frondosa vegetação do vale…


No inicio do single-track que levava a Bagergue…

Passando por Unha…

Trilho duro e pedregoso…

Caminhos antiquíssimos e espectaculares…

Subida a Garós, das ultimas de toda a jornada…

Depois de Casarilh surge um single-track que leva até muito perto da povoação de Betren.
Esse sendero, depois de uma parte inicial pouco aconselhada a quem sofra de vertigens, proporcionou momentos muito divertidos, com umas descidas algo inclinadas e que não davam grande margem de manobra a um deslize…


“Foi você que pediu uma descida?!” – Reparem na altura do trilho VS cabos eléctricos…

Um single-track algo perigoso, à beira de um abismo com mais de 20 metros…

Mas do melhor. As vistas de onde vínhamos. – Lembram-se dos cabos??

Até à povoação de Breten, sempre tipo “fio dental”…

Breten fica colado a Viella, literalmente. Não há divisão entre uma povoação e outra pelo que em menos de nada estava cruzando a ponte de madeira sobre o rio Garona.
Mas agora sim, de bike e como feliz Pedalante do Fogo!

Estava a 50 metros da loja da Pedals de FOC e quando lá cheguei estava já Pep à minha espera!
De sorriso aberto estende-me uma Coca-Cola fresquinha e as congratulações do costume. Mas que sabem estupidamente bem ouvir…

Durante um bocadinho falámos sobre como tinha sido, se tinha gostado, como tinha passado esta ou aquela zona – as questões de sempre – até que a bebida se acabou e passámos então a tratar de carimbar o ultimo Controlo – o da chegada – e arranjar um Jersey – o de Finisher ehehehe – com que pudesse no futuro adornar o orgulhoso esqueleto…


Novamente à porta da PdF, feliz da vida! Foto sacada por Pep…

Apesar de terminada a passeata ainda tinha algo mais para andar, pois tinha o meu carro estacionado no parque do Hotel Pirene e esse ficava na encosta norte de Viella. Comigo estando no centro, não me restava outra alternativa senão seguir pedalando o que faltava, ou seja subir!

No hotel ainda tive direito a quarto para poder tomar banho e trocar de roupa, um brinde que o hotel dá aos que chegam das Pedals e que lá cumpriram a Noite0.
Cumprida esta tarefa ficou hora de procurar alojamento para a noite. Ainda pensei na hipótese de voltar a pernoitar aqui mas os preços dissuadiram-me rapidamente. Optei por isso por rumar mais a norte para ir encontrar no Camping Verneda o local ideal para passar uma derradeira noite antes de rumar a Lisboa, a mil duzentos e muitos quilómetros de distância.


Tendo começado a pedalar às 08h40, terminei pelas 17h15 com 2h40 de paragens pelo meio. Subi um total de 1480 metros de subidas e 1900 metros de descidas num total de 64.5km.

Cumpri na íntegra o percurso original que me tinha proposto e fi-lo sem ter um único furo ou queda, sendo a relatada troca de pastilhas de travão o único apontamento sobre mecânica que existiu durante todo o trajecto.

Local de pernoita: Camping Verneda
http://www.campingverneda.com/

[FiM]
 
#6
froids said:
Espero que tenham gostado!
Se gostei, foi lindo e muito bem narrado com fotos do melhor, fantásticas!!!

Só uma pergunta como te meteste nessa aventura, alguma empresa?

Não há muitos relatos de pessoal que pedale fora do nosso Portugal, mas já há muito que me anda uma vontade de um dia ir a uma dessa estâncias nos Alpes!!
 

froids

Active Member
#7
SURFAS said:
Só uma pergunta como te meteste nessa aventura, alguma empresa?
Olá Surfas!
Sim fui através da empresa com o mesmo nome da travessia... (não sei se posso fazer a pub, mas no google encontras rápido se por exemplo procurares por "qualquer coisa pedalsdefoc.com")
:mrgreen:

:xau:
 
#8
Parabéns mais uma vez! :wink:
Uma prova de que quando se luta conseguimos alcançar grande parte dos nossos objectivos.
Gostava de me aventurar numa coisinha dessas, logo se vê quando e como. Algumas das tuas passagens no relato fazem muitas vezes parte dos meus dilemas quanto ao BTT, ainda estou numa fase de aprendizagem para saber encarar as coisas de uma outra forma. Só passando por elas é que irei conseguir ultrapassar!
A tua crónica, como sempre, enche-nos a alma com belas fotografias, excelente relato, enfim um verdadeiro sucesso. :D
 
#9
Olha, nem sei que dizer. As vezes comento apenas com o objectivo de incentivar/agradecer quem partilha.
Mas depois do que aqui está. Duvido que precises de incentivo....... :wink:

Obrigado
MY
 
#10
Brutal, este relato.

Para além do próprio relato em si, a beleza das fotos apresentadas, como já tive oportunidade de escrever noutras (poucas) ocasiões, quase que nos transporta para os locais em causa.
Parabéns pela tua experiência e obrigado por a partilhares conosco.
 
#11
E aí esta o relato que eu estava à espera :mrgreen:
Bonitas paisagens, sem duvida. Estava com muita curiosidade de ver fotos das zonas por onde eu não passei na Transpirinaica. Obrigado pelo relato, se tinha ficado com a "pulga atrás da orelha" com estas fotos acho que fiquei com uma em cada orelha. 8)

Abraços e boas pedaladas
Tiago Lages
 
#12
Granda Froids :venia: :venia:
um gajo fica rendido pela magnitude da tua jornada. Depois de ver e ler a maior parte da tua crónica, tenho a certeza que não vou puder deixar de fazer viagens semelhantes.
Também tenho a certeza, que por muito bem narrada esteja a tua jornada, longe estará do que verdadeiramente sentiste como a liberdade, o desafio, o arrojo, o gozo do cumprimento de um sonho.
Parabéns :clap: :clap:
Um Abç
JJúlio
 
#14
Fenomenal...
Ocorre-me agora uma citação de Miguel Torga:

"há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este é um deles"

Ele referia-se ao magnífico Gerês... mas encaixa que nem uma luva nestes lugares aqui revelados pela crónica fantástica do Froids.

Abcs...
 

froids

Active Member
#15
FilipeNasa said:
Fenomenal...
Ocorre-me agora uma citação de Miguel Torga:

"há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este é um deles"

Ele referia-se ao magnífico Gerês... mas encaixa que nem uma luva nestes lugares aqui revelados pela crónica fantástica do Froids.

Abcs...
Eu só conheço o Gerês de lá andar a pé! Mas conheço relativamente...
E se eu disser que, de alguma forma me sinto mais intimidado com o Gerês e serranias envolventes não estaria a mentir. Travessias como as realizadas por um tal senhor que monta uma magrela de nome Vanessa e sua alcateia de incautos são bastante "maiores" que esta e traduzem-se, essas sim, em aventuras de respeito e com molduras paisagisticas que em nada ficam a dever aos melhores spots dos Pirineus...

Conheço muitas montanhas, mas o Gerês terá sempre um lugar especial no meu coração.
Assim como Torga. O único poeta de que gosto desde os tempos de escola!
:yeah:

Abraços
:xau:

PS: Pessoal, obrigado pelas palavras! Mas como também considero o BTT como sendo partilha, sinto quase a obrigação de dar à malta do forum algo meu, já que muito me tem sido dado pela malta daqui... Principalmente motivação e conhecimentos! Estes últimos "priceless"...
:cheers:
 
#16
de facto são crónicas como estas que dignificam esta vertente do btt por qual também eu sou um apaixonado, por isso entendo perfeitamente todos os sentimentos que envolvem uma aventura como esta, gosto de louvar as atitudes quando elas não procuram medalhas mas sim sonhos, como costumo dizer sege o teu camino, grande abraço e obrigado por partilhares esta aventura. continua!
 
#19
Sem palavras para descrever a grandeza e o poder que alguém tem para tão espantosa aventura.

Obrigada, Froids" ÉS UM HERÓI :#1:
FilipeNasa said:
Fenomenal...
Ocorre-me agora uma citação de Miguel Torga:

"há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este é um deles"

Ele referia-se ao magnífico Gerês... mas encaixa que nem uma luva nestes lugares aqui revelados pela crónica fantástica do Froids.

Abcs...
 

tkul

Utilizador Banido
#20
Espectáculo!!!!!!!!!!

Quero ver (se tudo correr bem!!) se para o ano faço a Epic Trail - 4 dias (+/- 230Km) pelas terras do "Pirinaico"



Tens PM!