Guimarães - Santiago de Compostela: o Caminho Central

#1
É já amanhã que partimos novamente para uma peregrinação a Santiago de Compostela. Desta vez, partimos de Guimarães em direcção a Santiago. Como sempre, depois deixaremos por aqui o nosso relato e impressões desta aventura. ULTREIA! ET SUS EIA!:hehe:
 
#3
Boa tarde "BENTANIA"

Tudo de bom para ti e para os teus acompanhantes nesta aventura. Quando chegares relata aqui no forum....

BON CAMIÑO

Cumprimentos BTTistas
Nuno Campos
 
#4
Estamos de volta!



Chegámos! Zero problemas, zero avarias, zero furos, muito BTT, alguma chuva (em agosto... Isto é Santiago!!!), companheirismo e aventuras!! Mais logo, deixo aqui o relato desta nossa aventura.:#1:
 
#5
Guimarães – Santiago de Compostela, o Relato

Mais uma vez, percorremos os Caminhos de Santiago! Quem já o fez sabe bem como é uma experiência única. Quem não conhece, já ouviu falar e sabe que quem fala o faz com um brilhozinho nos olhos. É verdade que há um misticismo forte, um perfume de aventura, um toque de espiritualidade. No entanto, percorrer os caminhos de Santiago é também uma prova de força, de coragem, de abnegação, de esforço. É por isso que sabe tão bem entrar na Cidade Santa, inundando do sentimento de missão cumprida, do esforço terminado, do objetivo cumprido.
Nestas coisas, convém levar sempre a companhia certa e adequada ao que nos espera. Se é verdade que o caminho de faz caminhando, ou, neste caso, pedalando, não é menos verdade que é a companhia que faz o caminho. Desta vez fui com o José Neves (Mosca) e o José Real (Mosquito) que, juntamente comigo Pedro Bento (Bentania), criaram o triunvirato perfeito para a ocasião. É verdade que havia ritmos diferentes, treinos diferentes, esforços diferentes, sofrimentos diferentes. Porém, unidos na causa de percorrer os Caminhos de Santiago, começámos o planeamento com alguns meses de antecedência.
Decidimos ir em autonomia, com alforges e viajando de comboio nos troços de ida e regresso. Tudo esteve em perigo com as notícias da extinção da ligação ferroviária entre Vigo e o Porto. No final, prevaleceu o bom senso, a ligação ferroviária manteve-se em funcionamento e tudo decorreu como planeado. Vamos ver até quando se mantém esta importantíssima ligação ferroviária para os peregrinos a Santiago que pretendam regressar a Portugal.
Apanhámos o Alfa Pendular para Braga no dia 11 de Agosto. Chegámos a Braga perto das 18:00 e percorremos por estrada os 22 km que separam a Cidade dos Arcebispos de Guimarães em pouco mais de 90 minutos. Logo ali, tivemos o primeiro contratempo. O Mosquito deu-se mal com o forte calor que se fazia sentir e na subida que contorna o Outinho baqueou. Tivemos de parar para ele se acalmar e refrescar. A falta de treino cobrava a primeira prestação de uma dívida que o Mosquito iria pagar bem cara ao longo do percurso… Finalmente chegámos a Guimarães onde ficaríamos alojados no Hotel D. João IV. Nada a assinalar neste hotel.

No Dia 16 começámos a pedalar bem cedo (às 7:34), para tentar fintar o calor. Era o dia mais curto já que iríamos ficar alojados em Ponte de Lima, em casa do amigo Surfas. Em Guimarães, a partida oficial seria na Igreja da Nossa Senhora da Oliveira, ícone histórico da cidade-berço de Portugal.

Partimos em direção a Braga num trilho agradável e com muito menos alcatrão do que esperávamos.

As marcações do Caminho de Santiago não são adequadas na parte inicial deste troço, mas depois melhoram substancialmente. Sabíamos que a maior dificuldade do dia seria a subida da Falperra. Já o esperávamos. Mas nunca imaginámos que fosse uma autêntica parede de escalada como foi. Conselho de amigo: se puderem, evitem-na por estrada, não hesitem!! É mesmo com a burra às costas porque a inclinação estupurada e, sobretudo, o piso solto e muito irregular não permitem grandes veleidades às bicicletas. Depois de vencida esta escalada, lá começou a descida para Braga. Em Braga, carimbámos a nossa Credencial do Peregrino na Sé Catedral, parámos um pouco para descansar e beber uma Coca-Cola no café Vianna na Praça da República, mesmo em frente à fonte. Muito bom!

Como o calor avançava, partimos em direção a Ponte de Lima. Atravessámos o Rio Cávado na Ponte de Prado. O resto do dia foi calmo e tranquilo em direção a Ponte de Lima, onde fizemos uma pausa obrigatória na Tasquinha das Fodinhas da já famosa D. Márcia.
No dia 17 voltámos a acordar bem cedo para aquela que seria a etapa rainha desta peregrinação: Ponte de Lima – Pontevedra. Com uma extensão de 94 km, algumas subidas complicadas e uma previsão de calor forte, saímos cedo e já pedalávamos às 8:15. Depois de tirarmos a foto da praxe na ponte sobre o Rio Lima, lá apontámos àquela que sabíamos ser a primeira grande dificuldade do dia, que nos esperava cerca do quilómetro 12: a infame Subida da Labruja.

Porém, desta vez não nos deixámos enganar e subimos pelo estradão alternativo à escalada à mão que representa a Labruja. Paulatinamente, subimos sempre montados, sempre a pedalar. Apenas parámos para descer cerca de 300m do Trilho da Labruja para ir até ao Cruzeiro da Labruja e tirar a foto habitual.

Depois da enorme trepa à Labruja, esperava-nos a descida para Braga que tem início no Alto da Portela Grande. Esta descida de calhaus grandes e soltos fez as delícias de todos nós e insuflou de uma segunda vida o Mosquito que parecia outro a descer os enormes calhaus. Em Rubiães, passámos mais uma ponte romana bem conservada. Estávamos já com a cabeça em Valença do Minho, onde deixaríamos para trás a Lusa pátria. Em Valença, subimos ao topo da fortaleza com a sua praça cheia de restaurantes para enganar espanhóis mais incautos e portugueses sem outro remédio (uma lata de Coca-Cola: 1,60€!!!!). Depois, bem, depois foi um divertimento brutal descer da Fortaleza pelas enormes escadarias com os alforges aos saltos, num divertimento pleno de emoção e alegria!

Passámos o Rio Minho pela famosa Ponte de Valença - Tui e subimos também aqui à fortaleza da cidade. Depois foi seguir o caminho até Porriño. Em Redondela, tivemos a primeira panorâmica da bela baía de Vigo.

Em Arcade, cruzámos a Ponte Sampaio já com a cabeça em Pontevedra. Ao chegarmos a Pontevedra, havia uma festa das grandes com um concerto de música Heavy Metal da pesada, foguetório, MUITO álcool, muita bebedeira. Derreados pelo cansaço, fomos dormir por volta das 22:30 depois de um jantar num restaurante italiano. Pouco depois de encostar a cabeça na almofada, dispara um fogo-de-artifício com petardos que durou, à vontade, mais de 1 hora. Para quem estava de rastos e só queria dormir foi complicado. Para piorar as coisas, o Hotel Comércio não é grande coisa com muitos barulhos, muita festa na rua, gente a falar ao telemóvel à janela à 4:30 da madrugada como se estivessem ao nosso lado, enfim… Para quem tinha o sono mais leve, foi uma noite complicada.
De manhã, os restos das bebedeiras e da festa da noite anterior eram por demais óbvios. Apesar de já andarem as brigadas da câmara a limpar as ruas, ainda nos andámos a desviar de fundos de garrafas e cacos de copos partidos pelo chão… Foi muito triste ver aquela juventude toda com garrafões de 5l de água pela mão cheios de vinho misturado com qualquer coisa mais, perseguindo a vertigem de uma bebedeira e pouco mais. Uma tristeza… Voltámos a sair bem cedo para a última etapa do Caminho de Santiago. Já tinha começado a chover na noite anterior e de manhã a chuva continuava a cair, embora com pouca intensidade. De Pontevedra a Caldas de Reis foi um pulinho com cada vez mais chuva. Entre Caldas de Reis e Padrón fizemos a famosa descida de Padrón que, de um lindo singletrack há 5 anos atrás, foi transformada numa espécie de auto-estrada. Termina na mesma num abrigo e desta vez estava por lá a polícia a fazer um inquérito. Ainda deu para dizer ao Zé Neves que ele tinha sido apanhado pelo radar na descida para Padrón. Em Padrón, bebemos uma Coca-Cola e comemos uma sandes de presunto no café onde o fazemos sempre e prosseguimos viagem, já que Santiago de Compostela estava cada vez mais perto. Ainda nos esperava mais uma subida diabólica em alcatrão, mas sentido já o cheiro da Cidade Santa, tudo parecia mais fácil. Cada vez chovia mais e quando entrámos em Santiago desatou a chover com intensidade. Felizmente, já tínhamos saído dos trilhos.

Fomos à Oficina do Peregrino buscar a nossa Compostela (já é a minha 3ª), depois o Mosca foi reconhecer uma parte do percurso até um hotel e eu e o Mosquito fomos para as compras em Santiago. Só umas duas horas depois de termos chegado a Santiago é que fomos ver como seria do comboio para nos levar de regresso a Vigo. Os comboios em Espanha têm uma lotação limitada de 3 bicicletas. Por isso, convém ir comprar os bilhetes para sair de Santiago assim que chegam a Santiago. Nós não o fizemos e com isso já só arranjámos comboio para as 21:30. Tivemos 5 horas de espera em Santiago, por isso aproveitámos para tomar banho no Seminário Menor, jantar, passear pela cidade, comprar uma Tarta Santiago, descer umas escadas, enfim desfrutar um pouco da cidade, apesar da chuva que caiu sempre.

Às 21:30, lá apanhámos o comboio para Vigo, onde chegámos cerca da 23:00. Já tínhamos avisado o hotel de que chegaríamos tarde e foi chegar e dormir já que no dia seguinte a alvorada seria às 6:30 de Espanha (5:30 de Portugal). Os alojamentos em Vigo são caríssimos e acabámos por ficar numa espécie de apartamento em que o Mosquito dormiu num divã. O facto é que com a malha dos dias anteriores, todos dormimos de rajada. Quando acordámos, vimos que tinha chovido forte durante a noite. Lá preparámos tudo e saímos às 7:00 para a estação de Vigo. Já com os bilhetes comprados para o Porto, tomámos o primeiro pequeno-almoço do dia. O segundo seria tomado já no Porto, num café em frente à estação da Campanhã. Apanhámos o Intercidades e chegámos a Lisboa cerca das 14:00. Eu ainda tinha de apanhar o comboio da Fertagus e pedalar 10km em estrada para chegar a casa, onde cheguei por volta das 16:00.



Em jeito de conclusão, escolhemos o mês de Agosto para não repetir as molhas monstras das minhas últimas duas idas a Santiago. Mas o Santo não perdoa o caráter mais lúdico destas peregrinações e lá nos mandou a chuva em pleno Agosto! Felizmente, pouca. Muito pouca. Mas o suficiente para perturbar toda a logística da roupa lavada que não seca, dos óculos molhados e a embaciar, etc. A companhia é a mais importante componente destas travessias. Nós os três já partilhamos alguns milhares de quilómetros de BTT em conjunto. Sendo verdade que o Mosquito estava mal preparado para a coisa, não é menos verdade que fez das tripas coração e melhor ou pior resolveu todos os seus problemas. O Mosca esteve ao seu nível, estável, forte. Eu estava muito bem preparado e não tive uma cãibra, um problema, uma fraqueza. Foi sempre a rasgar, sempre a puxar. Nunca fiquei cansado, tinha sempre reservas para mais. Fizemos um total de cerca de 263km e queimei 11.029 kCal.

Dizem que o importante não é o destino, mas sim a forma como se chega lá. Neste caso foi excelente. Puro BTT, diversão, boa companhia. Esta peregrinação a Santiago já ficou para trás. Neste momento, já só penso na próxima!

Ainda vou montar os filmes, depois partilho aqui.
 
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#6
Épa essa de contornar a parte mais difícil da serra da labruja não vale :D
Diz lá onde é o atalho para eu o usar na próxima :D
Quando aparece um estradão pouco antes da cruz dos franceses vira-se à esquerda (poente) ou à direita (nasceste)?
 
#7
Épa essa de contornar a parte mais difícil da serra da labruja não vale :D
Diz lá onde é o atalho para eu o usar na próxima :D
Quando aparece um estradão pouco antes da cruz dos franceses vira-se à esquerda (poente) ou à direita (nasceste)?
Depois de passares pelo cafezito logo no inicio do estradão que dá acesso à Labruja, quando te surge o início mesmo da subida da Labruja à direita, segues pelo estradão à esquerda. Hás-de cruzar a subida normal da Labruja uma vez a meio da subida e outra já no final. Esse estradão é onde antigamente passava o Rali de Portugal, caso conheças.
 
#8
[VIDEO-REPORT] Guimarães - Santiago de Compostela

Finalmente, e com um enooooooooooooooorme atraso :sorry:, aqui está o vídeo desta nossa aventura ente Guimarães e Santiago de Compostela.

[video=youtube;6BrdkvvqXdE]http://www.youtube.com/watch?v=6BrdkvvqXdE&hd=1[/video]
 
#9
Parabens pelo Caminho e pelo Video.
Ao ver as vossas imagens já fiquei com o bichinho a a roer imagens espectaculares de puro BTT em autonomia .
Eu e mais dois colegas Esperamos fazer o nosso 1º Caminho de 28 a 30 de abril mal posso esperar até lá

Boas pedaladas

Luis Sério
 
#10
O Caminho de Santiago é uma experiência inesquecível. Se puderem, e tiverem pernas e material para isso, façam-no em autonomia.
A sensação de aventura é aumentada exponencialmente, os imprevistos inevitáveis são SEMPRE mais complicados, o planeamento tem de ser muito mais cuidadoso e ter de vencer dificuldades sozinhos é mais recompensador.

Boas pedaladas!