GO70 (Seara Trilhos)

#1
Boas a todos, é com enorme satistaçao que inicio este topico,os meus parabens a todos os participantes e a organizaçao que nos deram um grande dia de puro e duro btt, pena o S.Pedro nao ter a mesma opiniao em relaçao ao btt e brindou-nos com um bom dia de chuva e frio,mas nada que nao se tenha ultrapasado.
Pena o numero de participantes tenha fica aquem(A chuva nao perdoa) mas mesmo assim na minha opiniao foi possitivo,so nao apareceu quem nao quiz, o trilho estava lá.
Fiz o percursso mais curto pois era o mais correto devido ao tempo, muito bem marcado(GPS) e bastante duro e desgastado com as chuvadas,descida da torre de vigia muito dura pra mecanica e principalmente pro corpo.
Um bem aja pra todos.
Cump

Banhos do melhor.

Abraço
 
#3
Os óculos estão com a organização. Foi o Tico quem os encontrou.

Quanto ao percurso, para já apenas digo que foi fantástico e memorável. Fantástico devido à escolha do percurso e memorável devido às condições que tivemos de enfrentar do princípio ao fim, sem tréguas.

Fui para fazer o percurso na companhia do meu amigo Tico e acabámos por conhecer dois companheiros fantásticos (António "bichu do matu" e Filipe) com quem fomos até ao final do percurso (pelos vistos apenas mais um participante além de nós cumpriu os 70km). Não sei se alguma vez teremos oportunidade de pedalar juntos mas repito aqui o que já lhes disse pessoalmente: cavalheiros, foi um prazer pedalar na vossa companhia.

A máquina fotográfica passou o dia abrigada da chuva, apenas tirei duas fotos que se aproveitaram:


Os meus companheiros de jornada no posto de vigia da Nora.


Galhofa na divisão 40/70
 
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#6
Meus Caros

Não posso deixar de passar esta oportunidade para fazer a minha severa reclamação do passeio de Ontem nos Trilhos Serra da Nora. Apesar de não terem culpa do tempo (só faltava mais esta) o percurso tal como tinham indicado no Cartaz era DURO, com paisagens fabulosas (incluindo as Subidas) algumas vezes acompanhados pelo ARCO IRIS (fabuloso) e por vezes com a companhia dos Cavalos Selvagens (lindo ver animais soltos pela natureza) que me deixaram encantado e por sorte também foram os únicos a fazerem companhia nos últimos 30KM, ainda bem. Os postos de Abastecimento colocados estrategicamente e com merenda que chegue (para mim água bastava, apesar que vi no fim, no secretariado umas minis que tinham dado jeito a meio do percurso, lá para Barroselas ou Vacaria). Por falar em Vacaria mais uma reclamação, nem esperei 3 segundos pelo posto de abastecimento, estava eu a brigar da chuva (culpa da Organização e vento forte também) quando chega o meu amigo (acho que posso tratar assim, a quem pergunta a um desconhecido se precisa de alguma coisa e dá-lhe o que ele quer...obrigado mais uma vez água ) no seu Jipe Land Rover Amarelo Série Qualquer coisa (I , II ou outro), muito catita. (comentário após arranque da Vacaria : deves ser o único a fazer os 70KM (o único Maluco de certeza, eu bem que "abrandei" nas subidas antes da Vacaria a ver se vinha alguém a traz (nas descidas não havia quem me apanha-se, sem travões e com o meu amortecedor afinado e calibrado), mas rapidamente lembrei-me que podia ser o EMPENO e mantive o Ritmo, sem exagerar))
Conclusão demorei 7 horas a fazer o percurso completo (cerca de 80Km pelo meu GPS, devo ter perdido muito, por falar nisso alguem tem o acumulado? é que o meu GPS Passssou-se e marca 1054m, está certo?) , que estava bem marcado (GPS), outra reclamação, aquelas setas até ofuscavam a vista de tão salientes e estrategicamente colocadas, sem problemas mecânicos na minha fiável e segura bike topo de GAMA (deixo fotos num próximo POST), e mais uma vez devido á enorme quantidade de água existente ao longo do percurso tanto vinda de cima, como vida de Baixo, claro que já não tinha travões aos 40 KM (o que ajuda nas subidas e assusta nas descidas).
Sem dúvida fica mais uma vez provado que no Norte, existem percursos de BTT Fabulosos e os meus parabéns á Organização, não devem ficar preocupados com nada tudo 6 estrelas, a não serem as organizações de passeios de BTT para manterem o nível.. (até aquelas descidas finais (depois da VACARIA), antes de chegar á estrada, uma verdadeira perícia e coragem). Claro que no fim faltou o verdadeiro almoço da região (rojões e sarrabulho), mas também quem mandou chegar ás 4 da tarde ... comi pizza e já foi sorte. Mais destas e estou presente e espero ter companhia, ao meu ritmo... (até aos 40Km no cruzamento da Estrada Nacional ainda tive a simpática companhia de um Espanhol, um Vianense e um Português... Obrigado pela faladora, afinal tínhamos amigos em comum e nem sabíamos, Grande Abraço )

PS. não posso deixar em branco o primeiro posto de abastecimento que estava num lugar soberbo, com vista de morrer (mesmo com a chuva e vento forte)amarrado com cintas e com o peso de duas caixas de ferramentas e mesmo assim a voar. O Farnel era de chorar por mais (Tinha vinho do PORTO?). De morrer era a descida, mas fazia-se montado, mesmo quase sem travões... não é TINOCO?

PS.. Desculpem a Ironia em Todo o POST, mas também não vi a "Seara da Nora" ou era a Serra?
 
#7
Meus Caros

Não posso deixar de passar esta oportunidade para fazer a minha severa reclamação:mad: do passeio de Ontem nos Trilhos Serra da Nora. Apesar de não terem culpa do tempo (só faltava mais esta) o percurso tal como tinham indicado no Cartaz era DURO, com paisagens fabulosas (incluindo as Subidas) algumas vezes acompanhados pelo ARCO IRIS (fabuloso) e por vezes com a companhia dos Cavalos Selvagens (lindo ver animais soltos pela natureza) que me deixaram encantado e por sorte também foram os únicos a fazerem companhia nos últimos 30KM, ainda bem. Os postos de Abastecimento colocados estrategicamente e com merenda que chegue (para mim água bastava, apesar que vi no fim, no secretariado umas minis que tinham dado jeito a meio do percurso, lá para Barroselas ou Vacaria). Por falar em Vacaria mais uma reclamação, nem esperei 3 segundos pelo posto de abastecimento, estava eu acabado de chegar e a brigar da chuva (culpa da Organização e vento forte também) quando chega o meu amigo (acho que posso tratar assim, a quem pergunta a um desconhecido se precisa de alguma coisa e dá-lhe o que ele quer...obrigado mais uma vez água ) no seu Jipe Land Rover Amarelo Série Qualquer coisa (I , II ou outro), muito catita. (comentário após arranque da Vacaria : deves ser o único a fazer os 70KM (o único Maluco de certeza, eu bem que "abrandei" nas subidas antes da Vacaria a ver se vinha alguém a traz (nas descidas não havia quem me apanha-se, sem travões e com o meu amortecedor afinado e calibrado), mas rapidamente lembrei-me que podia ser o EMPENO e mantive o Ritmo, sem exagerar))
Conclusão demorei 7 horas a fazer o percurso completo (cerca de 80Km pelo meu GPS, devo ter perdido muito, por falar nisso alguém tem o acumulado? é que o meu GPS Passssou-se e marca 1054m, está certo?) , o percurso estava bem marcado (GPS), outra reclamação, aquelas setas até ofuscavam a vista de tão salientes e estrategicamente colocadas, sem problemas mecânicos na minha fiável e segura bike topo de GAMA (deixo fotos num próximo POST), e mais uma vez devido á enorme quantidade de água existente ao longo do percurso tanto vinda de cima, como vida de Baixo, claro que já não tinha travões aos 40 KM (o que ajuda nas subidas e assusta nas descidas).
Sem dúvida fica mais uma vez provado que no Norte, existem percursos de BTT Fabulosos e os meus parabéns á Organização, não devem ficar preocupados com nada tudo 6 estrelas, a não serem as organizações de passeios de BTT para manterem o nível.. (até aquelas descidas finais (depois da VACARIA), antes de chegar á estrada, uma verdadeira perícia e coragem). Claro que no fim faltou o verdadeiro almoço da região (rojões e sarrabulho), mas também quem mandou chegar ás 4 da tarde ... comi pizza e já foi sorte. Mais destas e estou presente e espero ter companhia, ao meu ritmo... (até aos 40Km no cruzamento da Estrada Nacional ainda tive a simpática companhia de um Espanhol, um Vianense e um Português... Obrigado pela faladora, afinal tínhamos amigos em comum e nem sabíamos, Grande Abraço )

PS. não posso deixar em branco o primeiro posto de abastecimento que estava num lugar soberbo, com vista de morrer (mesmo com a chuva e vento forte)amarrado com cintas e com o peso de duas caixas de ferramentas e mesmo assim a voar. O Farnel era de chorar por mais (Tinha vinho do PORTO?). De morrer era a descida, mas fazia-se montado, mesmo quase sem travões... não é TINOCO?

PS.. Desculpem a Ironia em Todo o POST, mas também não vi a "Seara da Nora" ou era a Serra?
 
#9
Brutal.

Há voltas de bike que ficam na nossa memória por diferentes razões, a maior parte pelas boas, outras, felizmente poucas, pelas más.

Ontém, fiquei de barriga cheia, em todos os sentidos, uma rota de BTT do melhor que se pode esperar, na companhia do meu amigo Filipe RC, companheiro de longa data nestas lides, para ajudar à festa, o tempo não dava tréguas, e a cereja, a presença neste evento, de dois membros do famoso CEVA, o Tico e o Indy, foi um prazer enorme pedalar na sua companhia, e que juntamente com o Filipe, tiveram paciência para esperar sempre por mim, nas subidas mais dificeis, obrigado pela companhia.

À organização, quero dar os parabéns pelo desenho da rota, que teve tudo do que gosto: subidas (!!) , espactaculares descidas e até chuva! - ******* -

Quanto a fotos, não deu para quase nada, muita humidade e lentes embaciadas, mas cá ficam algumas, onde aparecem dois duros, um deles, com csaco amarelo, o indy , na subida para o Penedo da Janelinha, com se pode confirmar nas fotos.

[img=http://img229.imageshack.us/img229/6281/go701.th.jpg]
[img=http://img716.imageshack.us/img716/6893/go702.th.jpg]
[img=http://img253.imageshack.us/img253/6281/go701.th.jpg]
[img=http://img534.imageshack.us/img534/6463/go703.th.jpg]


Até uma proxima, Bichu du Matu - Green
 
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#11
Brutal.

Há voltas de bike que ficam na nossa memória por diferentes razões, a maior parte pelas boas, outras, felizmente poucas, pelas más.

Ontém, fiquei de barriga cheia, em todos os sentidos, uma rota de BTT do melhor que se pode esperar, na companhia do meu amigo Filipe RC, companheiro de longa data nestas lides, para ajudar à festa, o tempo não dava tréguas, e a cereja, a presença neste evento, de dois membros do famoso CEVA, o Tico e o Indy, foi um prazer enorme pedalar na sua companhia, e que juntamente com o Filipe, tiveram paciência para esperar sempre por mim, nas subidas mais dificeis, obrigado pela companhia.

À organização, quero dar os parabéns pelo desenho da rota, que teve tudo do que gosto: subidas (!!) , espactaculares descidas e até chuva! - ******* -

Quanto a fotos, não deu para quase nada, muita humidade e lentes embaciadas, mas cá ficam algumas, onde aparecem dois duros, um deles, com csaco amarelo, o indy , na subida para o Penedo da Janelinha, com se pode confirmar nas fotos.






Até uma proxima, Bichu du Matu - Green
 
#12
Estes botões de Resposta Rápida e +Responder deixam-me doido... lá foi o texto, mais uma vez, todo para o c....

Eventos no Minho nesta altura do ano têm que ser muito bem coordenados com o São Pedro. Alertei para isso e não acredito que a falha tenha sido da organização.
O Domingo seguido de um feriado deve ter baralhado o Santo e foi o que se viu. Domingo temporal, segunda acalmia.

Já no Sabado tinha ligado ao Joca (o Vianense) para confirmar a sua presença e por conseguinte a do Sarria (o Espanhol).
Ficou combinado irmos de bicicleta até Seara, fazer o GO70 e voltar ao final do dia.
Domingo de manhã, alteração de planos, face ás condições climatéricas fomos de carro.

Chegámos já perto das 9 horas. Encontrei o MY que como bom anfitrião nos ajudou nos preparativos.
Assegurou-me que o percurso estava em condições e dava para fazer o GO70.
Vai haver abastecimentos - perguntei - Sim lá em cima iremos dar água. E muita água deram.

Partimos. O percurso perto da ecovia mais parecia os campos de arroz do Mondego. O piso estava muito duro, parecia que os pneus estavam furados.
Depois dos primeiros quilómetros planos alertei que de seguida iriamos apanhar uma subida de 10km. Fomos falando com uns e com outros.
Seguiamos num grupo que se manteve durante quase toda a subida até à torre da vigia.Alguns rostos já eram meus conhecidos de outras andanças.
Não conhecia contudo aquele companheiro que ia lá à frente com uma montada super exclusiva que saltava á vista pela sua preparação para aquelas condições.
Quer a bike quer o seu biker funcionavam como um relógio suiço. Vim a saber que era o neutron.

Na torre da vigia perguntei por onde era a descida - Por ali - diziam apontando para um sitio onde não havia caminho. Mas era por lá.
Salgado não era MY? Mas espectacular, contudo não o desci sempre em cima dela, mas tambem não cai, coisa que o Joca fez trêz vezes por falta de travões.
Seguiamos na altura com um rapaz alto e magro com uma Specialized de enduro, mais a frente seguia o neutron.

Mais um pouco e perdemos o Alto e Magro e ganhámos a companhia do neutron e seguimos os quatro.
Nestas coisas gosto de falar, de conhecer os companheiros de aventura.
Não vamos com pressa, espera-se pelo outros, fica-se contente por ir acompanhado e é com alegria que acolhe-mos mais elementos no grupo.
Gosto deste ambiente.

No ultimo abastecimento antes da separação perguntei ao Joca e ao Sárria se faziamos os GO70 ou o GO40. O certo é que as bicletas estavam piores que nós eu e o Joca não tinhamos avozinha, e que falta ela fazia, e o Joca alem disso estava sem travões.
Democráticamente por maioria ficou decidido que só fariamos o GO40. O neutron disse que no grupo dele não havia democracia, pois se houvesse ela já estaria na carrinha á muito tempo.
Mas nós tinhamos começado os três e iriamos acabar os três e eu não me sentiria bem se os tivesse deixado, mas estou aqui todo roido por não ter ido com o neutron.
Fiquei um pouco preocupado por ele ter seguido sozinho, ainda para mais o gps dele estava meio desorientado. Mas percebi que pela bicicleta que levava ele vinha preparado
para o desafio e sabia o que estava a fazer.

Rápido chegámos à sede dos Seara Trilhos. Rápido.... demorámos 4 horas para fazer pouco mais de 40km e com poucas paragens.

Parabens á organização demonstrou grande carinho e preocupação pelos seus convidados controlando e abastecendo em vários pontos, contudo não era precisa tanta água.
Davam segurança ás pessoas e sabiamos que não seriamos abandonados.

Um grande abraço ao neutron e restantes participantes que tiveram a coragem para sair da cama com um dia destes e ir andar de bicicleta.

MY em outro dia irei fazer o percurso todo, ficarás encarregue das minis;)
 
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#13
Mas percebi que pela bicileta que levava ele vinha preparado
para o desafio e sabia o que estava a fazer.
Isso é que ele te enganou bem, ele é um louco fugido de um hospital daqueles para os "gaijos", assim como quem diz ... com pouco juizo!

Parabéns a todos os que pedalaram com aquelas condições e um especial abraço ao Neutron.
 
#14
Pois é,hoje tive um bom dia pra andar de oculos novos,mas ok, eu empresto de boa vontade..ehhhhhhh

Obrigado por encontrar os oculos Tico, e claro entregar a organização.
Cump a todos
Abraço
 
#15
Ora bem, aquilo de ontem foi mesmo bom e inspirou-me a escrever para daqui por uns tempos poder voltar a ler e recordar os bons momentos passados:

A manhã estava escura e chuvosa, um Domingo pouco convidativo a passeios. Talvez por isso na padaria, nosso ponto de encontro habitual, ainda não houvesse grande coisa por onde escolher. As empregadas não deviam esperar clientes madrugadores. Assim fizemo-nos à estrada apenas com água e umas barras de marmelada nas mochilas. Alguma coisa se havia de arranjar por lá.


Na auto-estrada o mesmo cenário, trânsito quase inexistente e a 360º nem sinal das "boas abertas" prometidas. Mesmo assim não estava desanimado, talvez a vacina de chuva do dia anterior durante o passeio de singlespeed me tivesse deixado imune. Enquanto o Tico conduzia o "cevamobil" eu olhava o horizonte cinzento e pensava em como era improvável o evento para onde me dirigia. Improvável pela minha conhecida aversão às condições invernais. Improvável porque, talvez por ser Ribatejano, não há forma de me entrar na cabeça que haja algo chamado Seara no coração do Minho. E, finalmente, pela imagem que formei do Zé Carlos e que o torna, para mim, no mais improvável organizador de eventos que poderia haver.


Não foi difícil encontrar a sede do Seara Trilhos, local de partida/chegada deste Go70. Já por lá se encontravam alguns participantes, outros iam chegando. Mas em número longe do anunciado. Confirma-se mais uma vez que eventos à borla nunca têm grande adesão. Hoje em dia as pessoas não procuram um possível bom percurso para BTT, a procura incide mais sobre eventos onde se possa ir almoçar, a acreditar na quantidade de citações que se lê sobre almoços e abastecimentos nos rescaldos respectivos.


Desde cedo dois dos ciclistas que por lá se encontravam me despertaram a atenção. Inicialmente, atendendo ao equipamento mais ao género freerider, até julguei que fossem motoqueiros da organização para acompanhar o percurso. Mas não, um deles até já me parecia conhecer. Pelos vistos aquilo que às vezes por aqui escrevo também é lido fora do meu círculo de amigos. Vim a saber que se chamava António, e que por vezes também respondia por Bichu do Matu. Expansivo, ia animando as conversas debaixo do telheiro onde nos abrigávamos da chuva, aguardando a partida. Já o outro, mais alto, Filipe de seu nome, e moço de voz segura e ponderada, comportava-se como uma espécie de consciência "Olha que não é bem assim, António. Tens de compreender que as pessoas...".


Entretanto apercebi-me que as atenções se iam concentrando em torno duma qualquer bicicleta de preço exorbitante. 500€ por um cubo????!!! Mas aquilo dava para aí para pagar quase toda a minha bicicleta! Pelos valores em causa só se me subisse a serra sozinha e no fim ainda dar-me alguma satisfação sexual. Decididamente tenho de rever a forma de gerir as minhas economias. Disfarçadamente afastei a minha montada com o pé, tentando fazê-la passar despercebida, não fosse alguém achar anormal ter pago apenas 60€ pelo quadro.


Depois de um breve briefing, onde fomos mais uma vez alertados para os perigos do atravessamento da estrada ao km 40, tivemos luz verde da organização para nos fazermos ao caminho assim que entendêssemos. A partir deste ponto vou deixar de referir, salvo especial interesse para a descrição, a chuva, o vento e o frio que nos haviam de acompanhar durante toda a jornada.


Nos primeiros kms dirigimo-nos à ciclovia nas margens do Lima. Talvez a intenção de quem desenhou o percurso fosse boa, um ligeiro aquecimento rolante antes de começarem as subidas. Mas com aquelas terras baixas completamente alagadas a coisa tornou-se mais num arrefecimento para ambientar o corpo para o resto do dia. Seguíamos inicialmente na companhia do Myrage, com responsabilidades organizativas, e dos já referidos António e Filipe. Estes dois últimos acabaram por optar por um ritmo mais rápido, o Myrage também havia de ficar retido algures e em breve eu e o Tico rolávamos sozinhos serra acima. Entretanto, ao som de másculos gritos de "Esquerda! Direita!" já tínhamos sido ultrapassados pelos pequenos pelotões de cromos habituais nestas coisas, pedalando furiosamente, embora nem sempre pelo trilho certo, obrigando-os a algumas inversões de marcha. Bem me parecia que havia um motivo para aos poucos ter vindo a perder o gosto pela socialização em eventos organizados.


No início da subida para a serra da Nora tivemos aquele que viria a ser o nosso único contratempo mecânico, com o pneu traseiro do Tico a perder pressão. Nada que uns bar de pressão extra e o líquido anti-furo não resolvesse. Continuando a escalada lá fomos contornando a serra fazendo a aproximação ao famoso posto de vigia. Apesar da última secção de estradão ser algo íngreme, esta aproximação acabou por ser bem mais suave que a versão que tinha experimentado há algumas meses atrás, guiado pelo Myrage, bem mais à bruta.


No alto o ponto de abastecimento montado pela organização tentava resistir estoicamente à força dos elementos. Voltámos a encontrar também os nossos recentes amigos António e Filipe com quem a partir daí havíamos de compartilhar o resto do percurso. Não nos demorámos por ali, era necessário continuar em movimento para manter o corpo quente.


A saída dali para fora foi feita a descer por um trilho técnico desenhado pelo meio do granito ao qual a água acabou por acrescentar dificuldade extra. Confesso que, ciente das minhas limitações técnicas, me "cortei" em algumas secções. Mas não me arrependo, depois de ter visto o Tico a voar por cima do guiador concluí que, de facto, foi a melhor opção.


Depois de algum desce e sobe lá acabámos por chegar a outro ponto que, ao que parece, é um dos ex-libris do BTT ali da zona. Um pequeno single ziguezagueante que, salvo as diferenças entre o granito e o calcário, me fez lembrar os trilhos da Serra de Aire.


Continuando o percurso, algumas descidas rápidas seguidas do sobe-e-desce com várias passagens pela Circular da Nora. Passado algum tempo lá encontrámos o jeep amarelo donde saiu de máquina fotográfica em punho uma figura sinistra de impermeável verde azeitona. Sempre de poucas palavras, cicatriz na testa e sorriso enigmático, parecia maior do que na realidade seria. Diria pelo menos uns 6ft6in. Ou são efeitos do halloween ou já vi demasiados filmes sobre serial killers... Julgava eu que já estaríamos perto da separação 40/70 mas rapidamente nos tirou a esperança, anunciando que antes disso ainda teríamos mais uma boa escalada à encosta da Nora. Pode ter sido apenas ilusão mas, enquanto nos afastávamos, pareceu-me ouvir por entre o ruído da tempestade um riso maquiavélico "AHAHAHAHAAAHHHH". Um arrepio percorreu-me a espinha e não me atrevi a olhar para trás, estugando a pedalada para me manter próximo dos meus companheiros.


A subida que se seguiu, num piso que parecia que continha cola, foi provavelmente a que mais me custou em toda a jornada o que me levou a ter por vezes desejos de que as árvores adquiridas germinassem não nas encostas da serra mas sim nas cavidades anais dos Seara Boyz... viradas do avesso, de preferência. Mas tudo o que sobe tem de descer e aqui não foi excepção. Cá em baixo encontrámos um pequeno parque e o GPS indicava a existência dum café por ali. Como eram horas de almoço resolvemos procurá-lo. "Café Boa-Morte", apropriado.


Enquanto eu, o Tico e o Filipe pedíamos umas sandes de panado o António mostrava-nos aquilo que já tinha anunciado, que vinha preparado para sobreviver em autonomia durante vários dias, se necessário, sacando da mochila um tupperware com uma salada de feijão-frade e ovo de aspecto suculento.


Depois é que foram elas. Abandonado o conforto do café e com o percurso a descer toda a gente se contraía em cima das bicicletas, desejando fervorosamente a próxima subida que nos devolvesse algum calor corporal. Ela lá acabou por aparecer, dando acesso a uns trilhos bem bonitos, pintados com as cores de Outono. Descíamos de novo e o GPS alertava-nos para o tal perigoso km 40. Mas a organização tinha pensado em tudo e uma chicane obrigava-nos a reduzir a velocidade na aproximação a esse ponto. Resta saber se terá lá ficado para o dia seguinte, vi há uns dias um documentário sobre uma espécie em extinção na Península Ibérica e não gostava de ter conhecimento de mais um exemplar atropelado na valeta.


A separação 40/70 foi devidamente assinalada com uma foto. Pensava para com o fecho de correr do impermeável "Podia ter-me juntado a uns gajos que me convencessem de que era mais sensato ficar por aqui. Mas não, tive logo de simpatizar com estes dois parvos...".


A'Berta teimava em nos fintar, deixando-nos apenas, por vezes, vislumbrar uns tímidos raios solares lá ao longe. Iniciámos a ascensão da senhora que se seguia. Ainda sem tempo para sentir os efeitos revigorantes dos "black eyed peas", era agora altura de o António ir gerindo como podia o esforço da subida. Já tinha feito aquilo a descer com o My, no tal passeio atrás referido, e na altura tinha ficado com a ideia de que aquilo poderia render um bocado a subir. A nebelina dava um ar encantando aos vales e encostas. Apetecia-me fotografar mas havia preguiça para abrir a bolsa, tirar a máquina para fora do saco plástico, fotografar e voltar a fazer o processo inverso.


O cume foi atingido e restava-nos atravessar o pequeno vale que nos separava da Capela de S. Justa onde nos aguardava o já conhecido Land Rover amarelo com o seu sinistro ocupante. Curioso, sempre que nos encontrávamos parecia que o ambiente se tornava ainda mais tempestuoso. Soubemos nessa altura, embora já desconfiássemos atendendo às marcas que íamos vendo no chão, que afinal só havia uma pessoa a fazer o percurso à nossa frente e, possivelmente, dois atrás. Essa possibilidade não se veio a confirmar e devem ter informado do facto o guardião pois passado um pouco ouvimos atrás de nós o ronronar do pontente veículo amarelo. Veio-me à memória Christine, o famoso carro assassino do filme de Jonh Carpenter e mais uma vez a adrenalina fez-me aumentar a cadência.


Mais uma zona técnica e mais uns tombos dos meus companheiros, sempre dispostos a demonstrar um pouco mais de audácia do que eu. A última pequena subida mais técnica também já era minha conhecida e muito do meu agrado embora desta vez a aderência nem sempre estivesse disposta a colaborar. O GPS indicava que a chegada estava próxima. No entanto ainda restavam uns kms rolantes através dum estradão a meia encosta antes das descidas finais. Acabou por não ser sempre tão rolante como isso pois a intervalos regulares estavam armadilhado com uma espécie de areias movediças arrastadas pela chuva do cima das encostas ardidas.


Nos últimos kms aproveitei para me ir despedindo do António e do Filipe, grandes companheiros de pedalada. Pode ser que nos voltemos a encontrar um dia destes para percorrer outros trilhos. Valeu mesmo!


Fomos amavelmente recebidos na sede do clube de nome improvável onde devo ter entupido o chuveiro de tanto lixo que o meu corpo largou. E nunca pensei que dois copos de vinho do Porto me soubessem tão bem no final dum passeio.


Despedimo-nos, eu e o Tico, do pessoal do Seara Trilhos agradecendo, com toda a sinceridade, o excelente dia passado em cima da bicicleta e durante o regresso a casa o tema de conversa incidiu, como não podia deixar de ser, sobre os acontecimentos do dia que estava a terminar. De vez em quando olhava lá para fora e inspirava profundamente, parecendo ainda sentir aquele ar fresco a invadir-me os pulmões.
 
#16
Obrigado por encontrar os oculos Tico, e claro entregar a organização.
Podera não estava SOL;-)))

Bem embora me custe pedalar com frio não posso deichar de agradecer a organização pelo evento, que em troco de uma causa deu aos amigos um belo banho, ups um belo dia de BTT.

Bem belo relato, realmente para mais tarde recordar.
 
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#18
Disfarçadamente afastei a minha montada com o pé, tentando fazê-la passar despercebida, não fosse alguém achar anormal ter pago apenas 60€ pelo quadro.
certamente deves ter reparado no meu Topo de Gama de Bicicleta (estava ao lado da que tinha cubos caros...), que o seu conjunto foi mais barato que o teu quadro... e chegou ao fim sem problemas...lol, tirando a doença do dono! (dizem incurável).
Mais importante que a Burra que se monta, é o "Burro" que vai em cima dela... e com as grandiosas "inormidades" de água que a minha Burra apanhou nem um barulheiro na transmissão, o percurso todo, julguei ás vezes estar surdo ou então era a chuva a bater muito forte (a chuva vinha com lubrificante... e era potente)... e fui eu carregado com lubrificante para a corrente, mas já estou como o Indy, nem vontade tinha de abrir o fecho para tirar nada.

Maravilhosa a tua descrição do passeio (também sou teu fiel seguidor das tuas aventuras, na internet...claro), e pela tua descrição o meu único capotanço em todo o percurso (porque depois dai foi á mão nos locais mais habilidosos, principalmente aquela descida final antes da estrada, que mais parecia que tinha ali passado um terramoto com um tufão incorporado) foi também onde o Tico caiu...fico mais tranquilo, e que não se tenha aleijado.(foi depois de Carvoeiro Km 58 - Capela de S. Justa).

Inté

PS . os meus amigalhaços da carrinha, ficaram preocupados por eu não ter levado Telemóvel e fizeram turnos na Sede á minha espera...o meu obrigado... e eu a pensar que ia ficar á espera deles...livraram-se de boa e só fizeram os 40Km
 
#20
principalmente aquela descida final antes da estrada, que mais parecia que tinha ali passado um terramoto com um tufão incorporado) foi também onde o Tico caiu...fico mais tranquilo, e que não se tenha aleijado.
Não o meu tombo foi nas descida, bem já no final da descida do posto de vigia da Nora, nas pocecas de agua, foi um otb bem contrulado, mas ficou bem.