Tu não és um bttista

#1
Desculpa lá,mas não és.
Sim,tens a bike,e o equipamento,mas…falta-te algo.
Podes ter entrado neste mundo há poucos ou muitos anos,podes ser novo ou “metido na idade”,és da cidade ou do meio do “deserto”…mas não és bttista.

O btt é um desporto com cerca de 30 e poucos anos,que começou a aparecer neste nosso cantinho no final dos anos 80,e teve uma grande fase de expansão em meados dos anos 90.Na altura,ser “radical” era o que estava a dar,e btt era sinónimo de competição,e então era normal ver provas de cross country com centenas de inscritos,apenas para fazerem algumas voltas a um circuito,a todo gás.
Mas depressa muitos desses participantes mudaram de ideias,porque por essa altura,as bikes eram tudo menos confortáveis,estáveis ou eficientes.Suspensão e travões eram áreas ainda em desenvolvimento,e os componentes com alguma qualidade eram inacessíveis á maioria dos praticantes.Dos que ficaram,uns continuaram na competição,mas a maior parte (e eram bem poucos) dedicou-se aos primeiros passeios organizados (guiados,nas calmas!),ou mesmo a andar por aí sozinhos,à descoberta,de trilhos e dos próprios limites.Andar sozinho,para quem começou a fazer btt nos anos 90,era muitas vezes a única hipótese,não havia net ou telemóveis para combinar pedaladas…enfim.
Mas as bikes foram evoluindo,e ficando mais apelativas.Confortáveis,fiáveis,eficientes.Começou a ser possível fazer mais de 2h no mato sem ficar maltratado das costas,e principalmente,sem que a bike perdesse peças pelo caminho ou desafinasse mudanças e travões.

E então,muita gente descobre o btt.Uns por influência de outros,outros porque as moto4/jipes eram mesmo muito caros de manter,porque o médico mandou fazer exercício,porque “quando era puto divertia-me a andar de bike,deixa lá ver se ainda…”,porque…várias coisas.
E a coisa começa a crescer.A competição passa para segundo plano,e os passeios,até aqui ,meros encontros de malta que queria conhecer novos trilhos e confraternizar com pessoas que partilhavam o mesmo gosto,começam a transformar-se.Por pedido de alguns participantes,a quilometragem aumenta,e a dificuldade técnica diminui.Deixam de ser guiados e com andamento controlado,para serem marcados e de andamento livre.Aqui acaba muito do convívio e entreajuda presente nos passeios guiados,para aparecerem os “picanços” e “treinos para a prova tal”.Cicloturistas de estrada são atraídos para estes passeios de longa distância,por não haverem na sua modalidade suficientes passeios de andamento livre,à imagem de Espanha ou França,por exemplo.Habituados a “mordomias” como assistência técnica,abastecimentos fartos e almoços de gastronomia típica da região,cedo impõem às organizações tratamento igual nestes passeios,e aqui acaba um dos princípios basilares do btt: A autosuficiência. A ideia de levar umas barras de cereais ou umas sandes no bolso do jersey é abandonada,e passa a ser a organização a ter a função/obrigação de alimentar antes,durante e depois do passeio os participantes,com todos os custos que isso acarreta.Brindes,banhos (“quentes,ou então nada feito para o ano que vem!”)…e temos algo completamente diferente do que tínhamos há apenas alguns poucos anos.

E então aqui estás tu.
Compraste uma bike e juntaste-te ao grupo.Como não queres ficar mal visto entre os teus pares,foste para aquela de marca conhecida,talvez até a de carbono,porque é “mais rápida”,e equipaste-a com pneus para rolar bem,fininhos e com tacos baixos.Como não tens técnica,andas pelos estradões,e não te aventuras com a tua bike por sítios difíceis,porque “é perigoso”,”perdes o ritmo”,ou “assim é difícil fazer 80km esta manhã”.Nunca te aventuras a descobrir caminhos novos,muito menos sozinho,mesmo com o telemóvel,porque “pode não haver rede”,e…vais andar para a estrada,ignorando que practicamente todos os acidentes realmente graves com bicicletas são na sua maioria atropelamentos.
E começas a fazer kms na estrada,e talvez compres umas rodas para montar uns slicks,ou até uma bike de estrada! Ganhas ritmo,poupas o material…e não fazes btt.
E aí vais tu para as maratonas,provas feitas à tua medida: Muitos quilómetros de estradão,sem zonas técnicas para não criar engarrafamentos,com abastecimentos e almoço dignos de um festival gastronómico (mas não de um atleta),assistência técnica…até o belo do carro-vassoura! Aqui competes contra outros como tu,não existe tempo para conversas ou entreajuda,tens de dar o teu melhor,fazer menos tempo que o ano passado,ficar à frente do amigo que te tem andado a “picar”...e à frente de tantos que apenas foram para se divertir,que até pararam para almoçar,tirar fotos,ou ajudar quem teve um problema mecânico…mas o que interessa mesmo é que fizeste “237º em 2500!!!”.Mal sabes tu,que se alinhasses à partida de uma prova de verdadeiro btt,não terias a mínima hipótese.

Mas espera,nem tudo está perdido,tu não estás perdido!
Pega na tua bike e vai experimentar coisas.Subidas e descidas que vês os outros fazerem e nem nunca tentaste.Pára no alto das subidas e aprecia a vista.Vai a passeios verdadeiramente para passear e conhecer novos trilhos com os amigos e mete conversa com outros participantes,vais ver que não é assim tão mau.Inscreve-te numa prova de xc e vê o que o btt de competição tem sido até aqui,quem sabe se não gostas…Troca essa bike pela que realmente precisas,não são as opiniões dos outros que te fazem rodar os crank’s.Se te doem as costas,se calhar essa bike de xc de competição,que nunca vais usar numa prova de xc,não é a melhor opção para ti,não é?
Não sigas planos de treino feitos para profissionais,se não tens vida para isso_O mais certo é ficares saturado e largares a bike…anda quando te apetece.Se gostas mesmo,vai-te apetecer quase sempre.Não te leves demasiado a sério.DIVERTE-TE,lembra-te de quando eras miúdo e andavas de bicicleta,será que já te esqueceste?Respeita os outros,a Natureza,a ti mesmo.Respeita a tua bike!Ela foi desenhada e construída para andar no mato,em terreno acidentado,e não na estrada.
Não é assim tão difícil,e acredita em mim,vai gostar muito mais deste desporto.


Espero que percebam as minhas críticas,e não levem a mal se fui em algum ponto “contundente” demais,é apenas a minha maneira de ver o “estado da nação”,e estou,como sempre,disposto a ouvir e debater opiniões diferentes…afinal,é para isto que serve o fórum!

Luis Nogueira

A fazer btt desde 1989 :xau:
 
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#4
É isso mesmo, excelente dissertação para o pessoal refectir um pouco :roll:

Também sou do tempo em que não existiam telemóveis, as binas eram de aço (o alumínio era o titânio de hoje), os pneus tinham camara de ar e o ar era puro (o que respiramos, claro). :D

Sinceramente, comparando os anos 80 ou 90 com os dias de hoje, altura em que era "puro e duro", temos facilidades a mais e acabamos por perder um pouco da beleza que este desporto tem :s

Pedalo, logo existo :cheers:
 
#6
Boas
Concordo plenamente...Sempre tentei seguir essa ideia...às vezes é dificil...existe sempre o reverso da medalha(não me importo de parar para ajudar, mas já acontecer chegar ao fim de um passeio e ter gasto as 3 câmaras de ar que levava e os elos rápidos e mais um pinoco, e não furei nem rebentei a corrente nenhuma vez...desabafo, custa-me ver pessoal que vai para o mato sem levar nada...e depois queixam-se...ah pois...mas isso é outro tópico).
Sou por natureza auto suficiente quando vou andar de bike...levo o camel bak sempre cheio(água, sandes, material de reparação, kit de primeiros socorros, apito etc...enfim, sou o carro vassoura do pessoal com quem costumo andar).
Tiro fotos...muitas fotos a coisas incriveis(agora comprei uma câmara de filmar), faço geocaching pelo caminho, bebo a mini no final do passeio e como uma chamuça, e vou a pouquissimos passeios por esse país(acho caro...investi num gps...no ano passado fui só a santarém e porque tinha a feira).
No entanto tento não censurar ninguém porque vai mais devagar ou mais rápido do que eu...cada um é como é e pronto. :wink:
Existe aqui um tópico no fórum que para mim explica perfeitamente todos os tipos de betetista que existem...foi escrito pelo sr. António Malvar e reproduzido pelo user Ludos.
Aqui fica http://www.forumbtt.net/index.php/topic,6770.0.html...percam um bocadinho de tempo a ler e depois vejam onde se englobam...
Cumps a todos e boas voltinhas onde quiserem e como quiserem...pedalem.
 
#7
Viva,
Eh pá, vê-se mesmo que sou novo nisto das bikes BTT.
Porque, até ler o excelente post do Nozes, estou a ver que não percebia nada disto. Eu pensava que o espirito do BTT era esse mesmo que o Nozes está a defender.
Diversão, convivio, natureza, descoberta de novas zonas/paisagens/caminhos, exercício fisico e ter a bike que se precisa e pode ter, etc.
Hum, tenho que começar a ir a provas/passeios (nunca fui!) para me enteirar do espirito de não BTTista que o Nozes muito bem está a discutir.

Acima de tudo, divirtam-se na bike.
 
#9
Nozes, soh tenho a dizer que es um poeta :shock:

Tu escreveste o que eu sinto grande parte das vezes

Podia escrever mais umas coisas mas acho que tu jah disseste o essencial

Parabens pela iniciativa
 
#10
Também deixei de ir a provas organizadas, mais por culpa da organizações, mas, o Nozes tem razão, as organizações acabam por ser o reflexo dos participantes. Também prefiro andar sozinho, ou em grupos muito pequenos, andar perdido, não gosto de fazer duas vezes o mesmo trilho. Gosto de passear, descobrir, divertir-me.
Odeio esticanços, disputas, odeio a eterna necessidade de ver quem a tem mais comprida...confesso que não entendo....


No coração revejo-me no que o Nozes escreveu.

Mas não concordo com o teor de critica que deste ao texto como tu próprio admites. Estou cansado de tribos, facções, estou cansado de lados, farto de rótulos.

Eu acredito em tudo o que se faz com duas rodas e uns pedais. BMX, estrada, DH, yés-yés,xc, parques, cidad, estrada, monte, estradões, leves, pesadas, carbono, aluminio ou bambu, do pai, do irmão, azul, pretas, amarelas, para competir, para passear, para ver, para descobrir como funciona..... Cada um de nós encontra uma maneira difeente de se divertir e apreciar as bicicletas. Quem somos nós para dizer quem está certo e quem está errado?

Dizes que o importante é um gajo se divertir?? E achas que os gajos que "criticas" não se divertem?? Aposto que se perguntares a qualquer um deles a resposta é que se divertem como criancinhas.. mesmo em estradões e cheios de pressa..e eu acredito neles.

Entendo o teu desabafo, como já escreveram, assino por baixo. Estás a falar dos teus gostos pessoais. Mas isso não define o que é ser bttista. Isso define o que é ser o bttista Nozes.

Não há bons ou maus bttistas, há é boas e más pessoas... isso sim, merecia muitas páginas de "reflexões"
 
#11
No meu tempo...(confuso), em que o tempo das Bolas de Berlim traziam farinha a mais e creme em fartura, em que o meu Renault 5 (BT-00-13) de cor beije era uma preciosidade típica de um azeiteiro nos dias correntes, em que isto e mais aquilo é que era, etc ,etc...! É que era!!!

Mas calma! Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, e com esta mudança de postura, de relacionamento de convívio, de contra informação generalizada entre o Zé da tasca, coitado que vive do rendimento mínimo (sortudo) e do Bancário que acaba por ter um empréstimo a uma taxa baixa e passa os dias a tentar vender produtos ao balcão, para que o chefe não lhe massacre a cabeça, mesmo aos fins de semana porque não cumpriu os objectivos, existe uma grande diferença. Até a palavra diferente é “diferente” do que era à 10 anos atrás.

E o que tem isto tudo a ver com o que acabei de escrever?

Nada! Rigorosamente nada nos dias de hoje! Talvez à 10 anos atrás dissesse alguma coisa, mas hoje não vale nada, não tem nexo(ou tem), não tem valor ou substantivo. Enfim vale o que vale!

Pessoalmente irritam-me os tipos que estão sempre a dizer: “ No meu tempo…blá,blá,blá, wiskas saquetas, ossos para cão…”.
E irrita-me porque se julgam numa classe superior, que são os primórdios de algo e que todos os outros estão errados. Viva a inteligência secular e artesanal, viva os pedais de plataforma, as forquetas rígidas, as rodinhas de apoio. Viva Salazar (neste caso particular, Viva!) Viva a Altis e a Vilar, e porque não as pastilhas elásticas Gorila! viva tudo isto e viva todos os outros que não tiveram isto mas que têm a oportunidade de agora praticar desporto, de conviver, de se auto-promoverem a nível de auto- estima e de se sentirem bem consigo mesmo! Viva!


Nada tenho contra os que compram uma bike toda “xpto” e nem sequer andam, que fazem todas as subidas e descidas à mão, que vão atrás dos outros e tentam ser melhores que os outros. Viva estes, porque enquanto fazem isto estão a elevar o seu próprio ego, a sua própria estima (2ª vez que uso esta palavra), estão a ser próprios e verdadeiros com aquilo em que acreditam.

Estão a ser FELIZES!

Ser “Bttista” não é pertencer a nenhum culto, a nenhuma religião e muito menos a nenhuma seita! Ser “bttista” é como ser “azeiteiro”, só o é quem quer e quem pode. As teorias do tempo analógico e intemporal já se evaporaram com as ondas electromagnéticas. Viva a evolução e a ocupação das pessoas, ora sendo como desporto, ora sendo como hobbie.

Não tenho uma bike toda “xpto”, faço estrada e faço monte e por vezes ate nem faço nada. Gosto das cores, gosto da raposa, gosto de marcas.

Serei azeiteiro?

Fica a minha reflexão realizada em 10 minutos dentro da minha viatura, enquanto aguardo uma encomenda “azeiteira” que mandei vir para a minha montada.

ps: Esta mensagem em nada pretende ofender ou beliscar as opiniões de cada um ou de qualquer um ;)

Jorge Santos ( A evoluir desde 1974)
 
#13
Luis... É provavelmente e na minha opinião o melhor tópico de 2009... Um texto que de tão simples e realista é genial! Parabéns pela reflexão. Uma verdadeira bofetada de luva branca em muitos, nomeadamente a mim, que por vezes também me esqueço do que realmente isto é...

Felizmente, nos últimos tempos estou a repetir o processo iniciado há três anos. Divertir-me e procurar marcos geodésicos! :mrgreen:
 
#14
Meu caro Niozes:

Das coisas mais magnificas que li nos últimos séculos!! :D :D

Confesso, fiquei arrepiado ao ler, tal foi a sensação e o prazer!

Companheiro: por favor, faz mais!!!

Abraço

PS: Como já alguém aqui disse....o teu texto tem um bocadinho de todos nós!
 
#15
Até faz sentido... mas, na minha opinião é sempre bom testarmos a nossa condição física, e nada melhor do que fazer uma maratona.

É dos melhores posts que já li.

Cumprimentos JP
 
#16
Re:Tu não és um bttista

Ola amigo nozes.
Parece-me bem o facto de teres lido em vários locais aqui no forum coisas acerca do btt em que não estás de acordo e resolveste compilar tudo e dar a tua opinião. A forma como foi exposta deixa pouca margem para se dizer o que quer que seja pois é a tua opinião.Muito bom texto,fazendo a ressalva e em alguns pontos poderei não estar de acordo.
Abraços

Textos assim fazem falta.
 
#17
Josant said:
No meu tempo...(confuso), em que o tempo das Bolas de Berlim traziam farinha a mais e creme em fartura, em que o meu Renault 5 (BT-00-13) de cor beije era uma preciosidade típica de um azeiteiro nos dias correntes, em que isto e mais aquilo é que era, etc ,etc...! É que era!!!

Mas calma! Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, e com esta mudança de postura, de relacionamento de convívio, de contra informação generalizada entre o Zé da tasca, coitado que vive do rendimento mínimo (sortudo) e do Bancário que acaba por ter um empréstimo a uma taxa baixa e passa os dias a tentar vender produtos ao balcão, para que o chefe não lhe massacre a cabeça, mesmo aos fins de semana porque não cumpriu os objectivos, existe uma grande diferença. Até a palavra diferente é “diferente” do que era à 10 anos atrás.

E o que tem isto tudo a ver com o que acabei de escrever?

Nada! Rigorosamente nada nos dias de hoje! Talvez à 10 anos atrás dissesse alguma coisa, mas hoje não vale nada, não tem nexo(ou tem), não tem valor ou substantivo. Enfim vale o que vale!

Pessoalmente irritam-me os tipos que estão sempre a dizer: “ No meu tempo…blá,blá,blá, wiskas saquetas, ossos para cão…”.
E irrita-me porque se julgam numa classe superior, que são os primórdios de algo e que todos os outros estão errados. Viva a inteligência secular e artesanal, viva os pedais de plataforma, as forquetas rígidas, as rodinhas de apoio. Viva Salazar (neste caso particular, Viva!) Viva a Altis e a Vilar, e porque não as pastilhas elásticas Gorila! viva tudo isto e viva todos os outros que não tiveram isto mas que têm a oportunidade de agora praticar desporto, de conviver, de se auto-promoverem a nível de auto- estima e de se sentirem bem consigo mesmo! Viva!


Nada tenho contra os que compram uma bike toda “xpto” e nem sequer andam, que fazem todas as subidas e descidas à mão, que vão atrás dos outros e tentam ser melhores que os outros. Viva estes, porque enquanto fazem isto estão a elevar o seu próprio ego, a sua própria estima (2ª vez que uso esta palavra), estão a ser próprios e verdadeiros com aquilo em que acreditam.

Estão a ser FELIZES!

Ser “Bttista” não é pertencer a nenhum culto, a nenhuma religião e muito menos a nenhuma seita! Ser “bttista” é como ser “azeiteiro”, só o é quem quer e quem pode. As teorias do tempo analógico e intemporal já se evaporaram com as ondas electromagnéticas. Viva a evolução e a ocupação das pessoas, ora sendo como desporto, ora sendo como hobbie.

Não tenho uma bike toda “xpto”, faço estrada e faço monte e por vezes ate nem faço nada. Gosto das cores, gosto da raposa, gosto de marcas.

Serei azeiteiro?

Fica a minha reflexão realizada em 10 minutos dentro da minha viatura, enquanto aguardo uma encomenda “azeiteira” que mandei vir para a minha montada.

ps: Esta mensagem em nada pretende ofender ou beliscar as opiniões de cada um ou de qualquer um ;)

Jorge Santos ( A evoluir desde 1974)
Isto sim assino por baixo.
 
#18
Nozes.

Grande Texto. Assino por baixo. Só esqueceste de referir as toneladas de lixo com que se enchem os trilhos em cada um desses eventos de massas e que ninguém limpa.

Espero que a massificação não mate o BTT.
 
#19
Parabéns...
Dos melhores relatos que por aqui tenho visto e no qual me revejo!

No meu caso, entrei mais a sério neste desporto recentemente, ou talvez não!!!...
Porque se andar pelo campo com uma bicicleta esmaltina de ferro, com travões de ferradura e uma garrafa de água no lugar do cantil é fazer BTT, já o faço à muito tempo!
No tempo onde não havia telemóvel para chamar apoio e o regresso a casa era feito a pé, com a bicicleta à mão, fosse qual fosse a distância a que me encontrava de casa quando ocorria um azar mecânico com a montada (e o que não faltavam era esses azares!!!).
Quando faziamos Km's e Km's com os pneus furados ou com eles cheios de ervas para evitar estragar ainda mais o fraco material que possuiamos e tinha ser aprovitado até ou último suspiro!
No tempo em que o dinhiro mal dava para ir à oficina comprar uma caixa de remendos e a mecânica era toda ela efectuada por nós. Tardes inteiras para conseguir afinar travões (abrandadores) e transmissão (uma espécie de...) e no final chegavamos à conclusão que tinhamos perdido a tarde e feito um esforço em vão e restava-nos passar mais um bom bocado a tirar a sujidade das mãos!
No tempo em que as ferramentas especificas utilizadas para a manutenção da bicicleta eram apenas uns alicates, chaves de bocas, chaves de fendas e para casos mais graves se recorria ao martelo! E quantas não foram as vezes que descravei e cravei correntes com um martelo e um prego!
Quando faziamos pequenas rampas de saltos e nos lançavamos com toda a coragem em cima das nossas máquinas diabólicas, no qual ao fim do salto lá ficava sem uma peça, ou tinhamos que ir a um serranheiro soldar a forqueta, o espigão do selim e todo o restante material possivel de soldar!...

Se nesse tempo e com essas condições era praticar BTT, então já o faço à muito tempo, tanto quanto a minha jovem idade o permite!
Mas foi durante esse tempo que aprendi tudo o que sei sobre mecânica de bicicletas, o tempo em que ninguém tinha bicicletas melhores que ninguém, eram todas más!...
O tempo em que reinava o espírito de entreajuda, onde ninguém ficava para trás... "Saimos juntos, chegamos juntos!"...

Cumprimentos
Luis Carrasco