Este ano de 2020 tem sido atribulado. A enorme aventura que esperava ao nosso grupo não pode ser realizada.. Mas com a garra que nos caracteriza, aproveitando o bom tempo, dia 6 de junho, reuniram-se 5 bravos elementos deste grupo para professar a fé em terras distantes. Motivados pela fome e sede, a decisão de rumar a Ponte Lima para comer bem e beber ainda melhor foi unânime.
De manhã cedo nos fizemos ao caminho. O tempo, escolhido a dedo. Céu cinzento, pouco sol e nenhum vento, convidavam a pedalar. Os primeiros km's fizeram-se num instante, até à ponte D. Zameiro todo tempo foi preenchido de conversas diversas para a malta por a conversa em dia. Que falta fazia um convívio, pensou-se...
Passada a ponte, rapidamente a conversa mudou de tom, a subida até Santagões calou algumas vozes e as que restavam era apenas para dizer que se soubessem que era para subir, não tinham vindo... Pois sim, o que ainda aí vinha...
A falta de forma era gritante. Como foi possível pedalar passando Bagunte, Arcos, Rates, Courel, Barcelinhos, parando apenas em Barcelos, para um mais que merecido tinto pinta beiças? Num ano normal, já tinham havido 2 ou 3 paragens na tasca mais próxima ao caminho.. Maldito COVID..
No entanto, em Barcelos, pudemos consolar as entranhas com não um, mas dois panados, acompanhados de duas malgas de tintol. Um néctar, que se já os egipcios cultivavam, só pode fazer bem.
Com o estomago bem forrado, saímos de Barcelos e retomamos a nossa cruzada. As subidas, vendo-nos tão bem dispostos, surgiram logo defronte e fizeram-nos companhia. A parte boa, é que a seguir a cada subida, um descida surgia no horizonte. Consoante a montada, audacidade e quiçá, loucura ou coragem de cada membro, as descidas eram mais ou menos fugazes. Certo é que, unanimamente, cada descida permitia que o nalguedo de todos pudesse respirar de alívio.
Entre Barcelos e Ponte Lima, lá encontramos uma fonte que fez as delícias da malta. A sede apertava, a fome ainda mais. Haveríamos de voltar cá mais tarde...
Chegados a Ponte Lima, passamos logo à caça do almoço. eram 13:30, estavamos esfomeados. Sentamo-nos, algumas bicicletas também se prepararam para almoçar, e tendo escolhido o prato, e humedecido as línguas, brindou-se ao grupo, que chegue a muitos anos de existência.
Após este repasto, retomamos a viagem de volta. A sofrência de transportar mais 2 kg de comida e 5 l de bebida no bucho era alta! As subidas eram ainda maiores do que à vinda, intermináveis dolorosas íngremes subidas. O caminho era implacável, e na fonte que encontramos a descer, agora a subir ainda mais atraente era. Que mergulho que alguns de nós lá deram... E a velha senhora, quão espantada ela ficou por saber que há quem padeça dessa doença que não pode beber água, só vinho...
A subida até redor de Barcelos deu lugar a uma pujante descida. As velocidades aumentaram, a adrenalina cresceu. os 3 km's passaram tão rápido como quem bebe uma mini, desde que a mulher não esteja a ver. Após descer tanto, mais uma paragem técnica para atestar, pois falar em minis dá sede. O tasco estava escolhido, foi só encostar a montada.
E eis que se dá o mais invulgar episódio da jornada. Nessa paragem, uma senhora, que por si só não seria capaz de nos tirar o juízo desta forma, ofereceu-nos uma bebida que, até hoje, ninguém sabe qual era. Rapidinha? F*dinha não era, essa é em Ponte Lima... Sussadinha? Talvez... Xixadinha? Rapadinha? As opções são imensas.. Pussadinha? Talvez seja essa.. O mistério ficou, algum dia teremos de regressar para confirmar.
Esta paragem, para o relato da história, foi fatal. A maldição do desconhecimento do nome da bebida pairou sobre o narrador, e a partir de Barcelos a coisa ficou preta. A malta optou por chegado a esta cidade, rumar pelos trilhos feitos na ida ao Gerês de 2018. Os trilhos tem tanto de belo como de técnico, a dificuldade era alta, e mais alta era a indisposição do narrador. A certa altura, após Vila Seca, os sentidos foram fechando, e apenas o pedalar importava, a cadencia reduzida era um sinal de que as forças se iam reduzindo, pouco a pouco.. A distância a casa reduzia-se ainda mais lentamente. Após o Aeródromo da Estela, o grupo alterou a rota e seguiu pelo ecocaminho para o narrador poder ir no metro embora, tal era o estado físico débil.
O ano de 2020 fica assinalado, o plano original de fazer o caminho francês para Santiago desde Leon continua em suspenso, à espera de uma altura de voltar a ser posto em prática.. E antes disso, um encontro será realizado...
EDIT: Este é o relato original com edições, postado na pagina privada do grupo. Como questões de análise à bicicleta, a verdade é que não poderia estar mais satisfeito. Consigo acompanhar toda a malta nas descidas, a confiança surge de "ver fazer", e a bicicleta, ao contrário da anterior, é tão mais permissiva e confortável... Foi uma estopadela, o pó e mesmo a lama (conseguimos encontrar bastante lama) fizeram das suas.. Mas superei tudo isso, com ajuda da neuron. Que máquina!
Agora tenho e lhe dar um banho a altura, coitada
De manhã cedo nos fizemos ao caminho. O tempo, escolhido a dedo. Céu cinzento, pouco sol e nenhum vento, convidavam a pedalar. Os primeiros km's fizeram-se num instante, até à ponte D. Zameiro todo tempo foi preenchido de conversas diversas para a malta por a conversa em dia. Que falta fazia um convívio, pensou-se...
Passada a ponte, rapidamente a conversa mudou de tom, a subida até Santagões calou algumas vozes e as que restavam era apenas para dizer que se soubessem que era para subir, não tinham vindo... Pois sim, o que ainda aí vinha...
A falta de forma era gritante. Como foi possível pedalar passando Bagunte, Arcos, Rates, Courel, Barcelinhos, parando apenas em Barcelos, para um mais que merecido tinto pinta beiças? Num ano normal, já tinham havido 2 ou 3 paragens na tasca mais próxima ao caminho.. Maldito COVID..
No entanto, em Barcelos, pudemos consolar as entranhas com não um, mas dois panados, acompanhados de duas malgas de tintol. Um néctar, que se já os egipcios cultivavam, só pode fazer bem.
Com o estomago bem forrado, saímos de Barcelos e retomamos a nossa cruzada. As subidas, vendo-nos tão bem dispostos, surgiram logo defronte e fizeram-nos companhia. A parte boa, é que a seguir a cada subida, um descida surgia no horizonte. Consoante a montada, audacidade e quiçá, loucura ou coragem de cada membro, as descidas eram mais ou menos fugazes. Certo é que, unanimamente, cada descida permitia que o nalguedo de todos pudesse respirar de alívio.
Entre Barcelos e Ponte Lima, lá encontramos uma fonte que fez as delícias da malta. A sede apertava, a fome ainda mais. Haveríamos de voltar cá mais tarde...
Chegados a Ponte Lima, passamos logo à caça do almoço. eram 13:30, estavamos esfomeados. Sentamo-nos, algumas bicicletas também se prepararam para almoçar, e tendo escolhido o prato, e humedecido as línguas, brindou-se ao grupo, que chegue a muitos anos de existência.
Após este repasto, retomamos a viagem de volta. A sofrência de transportar mais 2 kg de comida e 5 l de bebida no bucho era alta! As subidas eram ainda maiores do que à vinda, intermináveis dolorosas íngremes subidas. O caminho era implacável, e na fonte que encontramos a descer, agora a subir ainda mais atraente era. Que mergulho que alguns de nós lá deram... E a velha senhora, quão espantada ela ficou por saber que há quem padeça dessa doença que não pode beber água, só vinho...
A subida até redor de Barcelos deu lugar a uma pujante descida. As velocidades aumentaram, a adrenalina cresceu. os 3 km's passaram tão rápido como quem bebe uma mini, desde que a mulher não esteja a ver. Após descer tanto, mais uma paragem técnica para atestar, pois falar em minis dá sede. O tasco estava escolhido, foi só encostar a montada.
E eis que se dá o mais invulgar episódio da jornada. Nessa paragem, uma senhora, que por si só não seria capaz de nos tirar o juízo desta forma, ofereceu-nos uma bebida que, até hoje, ninguém sabe qual era. Rapidinha? F*dinha não era, essa é em Ponte Lima... Sussadinha? Talvez... Xixadinha? Rapadinha? As opções são imensas.. Pussadinha? Talvez seja essa.. O mistério ficou, algum dia teremos de regressar para confirmar.
Esta paragem, para o relato da história, foi fatal. A maldição do desconhecimento do nome da bebida pairou sobre o narrador, e a partir de Barcelos a coisa ficou preta. A malta optou por chegado a esta cidade, rumar pelos trilhos feitos na ida ao Gerês de 2018. Os trilhos tem tanto de belo como de técnico, a dificuldade era alta, e mais alta era a indisposição do narrador. A certa altura, após Vila Seca, os sentidos foram fechando, e apenas o pedalar importava, a cadencia reduzida era um sinal de que as forças se iam reduzindo, pouco a pouco.. A distância a casa reduzia-se ainda mais lentamente. Após o Aeródromo da Estela, o grupo alterou a rota e seguiu pelo ecocaminho para o narrador poder ir no metro embora, tal era o estado físico débil.
O ano de 2020 fica assinalado, o plano original de fazer o caminho francês para Santiago desde Leon continua em suspenso, à espera de uma altura de voltar a ser posto em prática.. E antes disso, um encontro será realizado...
EDIT: Este é o relato original com edições, postado na pagina privada do grupo. Como questões de análise à bicicleta, a verdade é que não poderia estar mais satisfeito. Consigo acompanhar toda a malta nas descidas, a confiança surge de "ver fazer", e a bicicleta, ao contrário da anterior, é tão mais permissiva e confortável... Foi uma estopadela, o pó e mesmo a lama (conseguimos encontrar bastante lama) fizeram das suas.. Mas superei tudo isso, com ajuda da neuron. Que máquina!
Agora tenho e lhe dar um banho a altura, coitada