Thread Canyon Neuron CF

#1
Recentemente, surgiu uma oportunidade e vendi a minha fiel scott spark 20 de 2011, que ja contava com uns milhares de km, e comprei uma canyon neuron 9.0.
Pelo meio ainda houve uma indecisão sobre qual bike comprar, sendo que não houve nenhum ponto negativo a apontar à scott. Surgiu a oportunidade de a vender, quis comprar uma mais recente, que fosse o meu tamanho certo (a scott era grande demais), e que fosse mais "meiga" para o utilizador.

Após muito pesquisar e tentar perceber qual o maior propósito pretendido da bicicleta (confortável, que me desse segurança nas descidas e tração nas subidas, apta para fazer muito bikepacking por todo e qualquer tipo de trilhos, em conforto e segurança... em suma, uma multi-usos fiável cujo propósito não seja vencer a próxima corrida, mas ao mesmo tempo que não seja a última a chegar), e perceber o que o mercado me oferecia, acabei por me decidir comprar nova, e restringi a escolha à canyon neuron e à lux, sendo que a escolha caiu na primeira pela vertente mais polivalente e ser uma bicicleta mais "fácil" de andar. A thread inicial, onde até comecei por considerar uma 29", que acabou por cair por terra, pode ser vista por aqui).

Compra feita dia 8 de março, chegou cá dia 12 de março assim: IMG_20200312_113344.jpg


E dá gosto abrir a prenda e ter estes mimos:

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Montei tudo direito com as ferramentas (incluindo massa para montagem) que a canyon dá, o processo é facil para qualquer utilizador sem qualquer ferramenta. Não era o meu caso, mas foi algo que tive algum receio de "estar a mexer" sendo novo, mas não há que recear. Pus os pedais e suporte da garrafa da bicicleta anterior, ajustei o selim, as pressões da suspensão (5,1 bar à frente e 15,0 atrás), ajustei a pressão dos pneus (2,0 e 1,7 atras e à frente, respetivamente) e no final ficou assim:

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Agora venha o fim de semana para testar!
 
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#2
Dia 14 de março de 2020: primeiro teste

O coronavírus chegou e provavelmente vai fazer alterar alguns planos que fiz para o final do mês de abril (fazer o caminho francês de santiago desde león). Porém, o primeiro teste não me consegue estragar.

Saio sozinho de casa, não me aproximo de ninguém no caminho vou fazer uma pequena volta com as ferramentas as costas (bomba da suspensão e pneus e o multi-tools) para aqueles ajustes mais finos.

Este foi o resultado:

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Resultado em números: 30 km feitos em 2h30 min (1h40 tempo líquido), 500 m de desnível acumulado.

Primeiras impressões: Quanto ao conforto, sem dúvida que convenceu e superou. Parece que os terrenos são revestidos a alcatifa. A suspensão traseira é sensível q.b., porém surpreendeu-me a progressividade, pois numas descidas mais agrestes e a velocidades mais elevadas, não ultrapassei 70% do curso, quando anteriormente o teria feito. Vou deixar para depois este ajuste, sendo que na forqueta já reduzi ligeiramente pressão para 4,8 bar pois aí nem a metade do curso tinha alcançado.

Relativamente à posição e feeling de condução, esta bike conduz-se bastante mais vertical, o guiador largo também ajuda (700mm quando anteriormente andava com 660 aproximadamente), e decididamente não é bicicleta para vencer corridas (os pneus forekaster 2.35 não são nada meigos no rolamento, mas tem um grip incrível). Porém como isso não é algo que vá fazer com frequência, não é sequer um ponto negativo. Quanto à postura, talvez seja demasiado vertical para o meu gosto (ou ainda não me habituei a isto), pelo que mais umas voltas e talvez vire o avanço do guiador ao contrário (60 mm com 8º de desnível), ou até tire o espaçador de baixo.

Passando às capacidades das subidas, sobe que é uma maravilha, com muito mais tração do que esperava, e as 12 velocidades a fazerem um trabalho incrível. Vindo de uma 2x9, equipada com full xt e xtr na transmissão e bastante eficaz a meu ver, esperava poucas mudanças de desempenho face a um sistema slx/xt, mas.. a verdade é que as mudanças entram com uma suavidade e em qualquer situação. Passar a controlar as mudanças apenas com a mão direita é incrível, até pela previsibilidade das mudanças (menos pedaladas em falso). Outra coisa que me pareceu ajudar imenso, foi o sistema ratchet de 36 dentes face ao anterior (pawl). Parece estranho pedalar e sentir imediatamente engatado, ajuda imenso nas subidas mais técnicas. Consegui fazer uma subida que anteriormente nem consideraria fazer (e só parei por falta de pernas).

A meio da subida, senti por duas vezes o pedal a atingir as rochas do solo. Algo que não me acontecia na anterior, pelo que imagino que a altura ao solo seja menor, mesmo com cranks de 170 mm (anteriormente andava com 175 mm). Isto é uma das razões que me levou a não ajustar já a suspensão traseira, pois imaginei que pudesse piorar em subida.

Quanto ao pedal bob, nada. Mesmo com a suspensão totalmente aberta. Anteriormente andava sempre a alternar com o comando da scott entre os 110 mm de curso e os 80 mm, devido a este ondular. Nesta, senti que podia andar com a suspensão totalmente aberta mesmo a subir que não há ondulação visível. Aposta ganha!

Outra coisa interessante, é realmente o seatpost dropper. Faz jeito nas descidas, e que jeito! Sendo algo que à primeira vista pensei "ora bem, isto vai ser uma das coisas onde vou ganhar umas gramas facilmente pois não vou usar", rapidamente mudei de opinião. Mesmo com a mochila atrás do assento consigo usa-lo, embora não possa ir até ao fundo.

Algo que não gostei: o selim. Parece-me muito incómodo "para os homens", parece -me extremamente levantado e plano na ponta, sobretudo em subidas. Poderia ser da minha postura ainda não estar a mais adequada, mas vou deixar para uma volta mais longa. De resto é confortável q.b.

Os travões, vindo de uns exatamente iguais (a unica diferença é que esta tem 4 pistões a frente e 180 mm de disco atrás) sinto a travagem mais equilbrada no total, e igualmente poderosa à frente. Não houve grandes descidas para testar isto a fundo. As pastilhas é que me irritaram pois chocalharam o caminho todo. A bicicleta veio equipada com as pastilhas com alhetas (algo deste género), e pelo que li é algo comum.. Paciencia, quando chegarem as sobresselentes sem estas alhetas, troco-as de imediato. Algo que notei na travagem, não diretamente relacionado com ela, foi a diferença no diâmetro da forqueta: da forqueta de 32 para 34 mm, notei um aumento de rigidez enorme, a travagem parece bastante mais incisiva e a frente não se dobra toda.

Isto são as principais considerações que consegui encontrar na curta volta de estreia que fiz. Agora talvez passe a ser mais complicado fazer as habituais voltas, sobretudo os longos passeios, mas assim que isto tudo passe volto para alimentar este diário.

Em resumo, esta troca, que foi motivada sobretudo pela curiosidade pois tinha uma excelente bicicleta e bem cuidada, resultou:
- Uma bicicleta mais pesada (12,0 kg vs 12,8 kg);
- Uma bicicleta mais fácil e segura, que perdoa os erros e faz o ciclista mais medroso e inexperiente querer ir mais longe do que ia;
- Uma melhor trepadora em trail (27,5 vs 26 nota-se perfeitamente)
- Mais conforto para longos passeios
 
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#3
Mudanças já planeadas, que ainda irei fazer:
- Colocá-la tubeless
- Virar ao contrário o avanço, para uma posição ligeiramente mais desportiva

Mudanças já planeadas, que irão acontecer quando o material se desgastar:
- Trocar o pneu de trás para algo mais rolante e eventualmente mais fino (em vez do forekaster, colocar algo tipo ardent 2.25)
 
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#5
Os pneus mais largos rolam melhor que os pneus mais estreitos porque mantêm melhor a forma e deformam-se menos.

Um pneu com 60 mm de largura ( a que tem o forekaster 2.35 ) à pressão de 2 bar tem a mesma resistência de rolamento que um pneu de 37 mm a 4 bar.

O pneu de 37 mm a 5 bar vai ter menor resistência mas o conforto é muito inferior.

Esta regra aplica-se a pneus de BTT, em estrada entram outros factores, como a velocidade, resistência ao vento, etc mas têm sempre de ter pressões elevadas para não deformarem.

Fonte : https://www.schwalbe.com/en/rollwiderstand

Quanto aos pedais baterem no chão confirmo. Na roda 26 que tenho estou sempre a bater com os pedais no chão, com esta pesava que ia ser mais alta por causa das rodas, mas não é.
Medi as duas e esta é apenas 1 cm mais alta do pedal ao chão, apesar das rodas serem bem maiores.
Enfim calculo que seja um dos compromisso de geometria que tornam as rodas 29 actuais mais ágeis e reactivas sem perder a estabilidade típica delas.

Eu na minha fiz duas alterações assim que chegou :
Selim Ergon SM Comp Men Largo
Punhos Ergon GS2-L

O Selim estava relutante ( utilizava o Selle Itália Men ), mas fiquei bastante satisfeito com o mesmo, para já parece-me um pouco melhor que o outro ao fim de várias horas.

Nos punhos, já utilizava este modelo na antiga, na altura porque foram os únicos que encontrei com extensores e compatíveis com guiadores de carbono.

Se ao principio não se dá nada por eles ( eu tinha uns Esygrips de silicone ), e não parecem muito confortáveis, mas ao fim de várias horas são superiores aos de silicone, com a enorme vantagem de permitir mudar a posição da mão. O único senão é que têm de estar com a posição muito bem ajustada.

Tanto punhos como selim são duas boas opções para bicicletas travessistas.