GR36 - Grande Rota do Douro Internacional

davidream

Well-Known Member
#1
Já desde o início do ano, que andava a pesquisar informações disponíveis pela Internet com a ideia de ir conhecer esta Grande Rota.
Entrei em contacto com o Ricardo Pereira que já tinha juntado alguns tracks desta área (Pedestres/Btt) e que também cogitava fazer este percurso, mais tarde inclusive, cheguei à fala com o João Martins pessoa que inicialmente marcou a GR36 :) onde recebi dicas para alterar o percurso inicialmente definido e troquei impressões sobre a aventura que nos esperava!
Desde logo me apercebi, que estas pessoas sabiam que a zona era/é uma pérola por conhecer, e tinham vontade que alguém a explorasse a fundo e pudesse partilhar com o mundo! (aka Internet) daí sentir isto quase como uma missão onde se juntavam todas as vontades! A minha de explorar, a deles de que a GR36 fosse vista por todos.

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Mas antes de falar da GR36 que experiênciamos, tenho que falar da equipa.
Graças a alguns anos já nesta coisa das Bttadas, colecciono um grupo de amigos de fazer inveja! Gente que gosta da Natureza, de desafios e de desfrutar o mundo ao ritmo de cada pedalada. E acreditem, para estas situações é fundamental ter amigos para partilhar cada momento!
Os silêncios, as gargalhadas, as caras de sofrimento(e muitas que houve!!) todo o envolvimento de se estar numa aventura com um grupo de pessoas que acrescenta o sal que torna as coisas inesquecíveis!
Do Porto o Pedro Fonseca, de Santo Tirso o Eduardo Sousa, de Lousada o Fernando Sampaio e Gaspar Pinheiro e de Amarante o Paulo Dias e eu próprio ;)
Assim, dia 22/2 saímos 7 em direcção a Miranda do Douro, a equipa e o condutor.(mais sobre isso à frente)

A GR36 inicia-se em Paradela Miranda do Douro, o que não é propriamente perto de Amarante, local onde se fez o ponto de encontro.
Assim com a necessidade de um transporte para nós e para as Bicicletas, a escolha recaiu naturalmente numa empresa de aluguer de Bicicletas/Tours e transferes daqui da cidade e do bom amigo Miguel Silva. A Amarantrilhos
O plano era por meios próprios deslocar-mo-nos até ao Pocinho, onde ficaram os carros estacionados. Sair no transporte alugado até Miranda do Douro e aí iniciar a aventura.
A coisa começou logo a correr bem, toda a gente estava nos locais combinados antes até da hora marcada! e acabamos por chegar ao Pocinho todos juntos. Em questão de minutos montaram-se as Bicicletas nos suportes, passaram-se os sacos e estávamos a caminho já em grande alvoroço.
Ao chegar mais perto de Miranda do Douro e com o amanhecer a trazer mais luz sobre o que nos rodeava, dava para perceber que a noite tinha sido muito fria!! Havia geada em todo o lado. Criou-se alguma apreensão, pois o frio seria mais um elemento a combater nestes largos Km's que se avizinhavam, e quando se preparou os sacos para trazer na viagem, roupa para frio tinha sido preterida em favor de comida ou dos gadgets electrónicos :eek: Torcia-mos pelo melhor...
Passamos Miranda do Douro e seguimos para Paradela, mais propriamente para o Miradouro de Penha das Torres. Local de inicio da GR36.
Ao sair do transporte, o frio era de rapar!:oops: mas o Sol já tinha levantado e notava-se que o dia ia ser bom para a labuta que nos esperava!




Logo após desmontar as Bicicletas fomos-nos aproximando do Miradouro e aí o 1º impacto foi... mesmerizante!!
Percebemos logo que os próximos dias iam ficar para sempre marcados na memória...





Custou sair daqui, quer pela beleza daquele local, quer pelas pernas estarem "bloqueadas" do tempo de viagem e do frio! Mas lá decidimos arrancar com a obra, e sair para os trilhos!
Assim foi com um: " Obrigado Miguel pelo transporte!!" e deixamos a nossa boleia que estava tão excitado quanto nós:D por toda a envolvência!

Os trilhos começaram por um misto de zonas agrícolas e caminhos a levarem-nos a miradouros ou pontos de observação (passavamos o tempo nos registos fotográficos e umas trincadelas em alguma comida pelo meio:p).
O calor começava a aumentar e com isso a troca de roupa. Mas lá seguimos em direcção a Miranda do Douro com a energia e genica típica do 1º dia!
Pelo caminho, trilhos cicláveis e o Douro sempre por perto.











Em Miranda lá se parou num café, uma bica sabe sempre bem! Uma saca de pão a mais na bicicleta do Sampaio e lá seguimos em bom ritmo.

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Os trilhos mantinham-se cicláveis, sempre a passar entre zonas agrícolas ou pequenas povoações. Aqui uma referência especial ao Miradouro de Picote um local fantástico!!



Chegados a Sendim uma cerveja para alimentar a alma, e o aproximar da 1ª batalha do dia! Ao Km46 esperava-nos uma descida íngreme junto ao Douro, para logo a seguir apanhar uma subida infernal!! Que por entre uma caminhada ou outra e muito esforço lá terminou com toda a gente a pensar "se há muito disto estamos lixados..." o calor apertava, as mochilas de 15Kg também! era uma altura de muita consideração e remorsos de todas as escolhas aquando da preparação dos sacos! Aquela subida fez-nos o suor sair pelos olhos!!
Feito isto, e uma pausa para recuperar a confiança, seguimos com os trilhos a continuarem entre o belo e o austero.
Passagem na aldeia de Urrós, quase tudo fechado... não deu para a cerveja, mas pelo menos para enchermos o Bidon de água.



Já com o esforço a fazer-se notar nas pernas, lá chegamos a Bemposta, um local que tinha-mos como ponto de abastecimento fundamental, pois a seguir vinha a 2ª batalha do dia... e nem sequer imaginávamos o que nos esperava à frente!!



Um café aberto, 6 ciclistas com sede e fome, umas cervejas no bucho e umas sandes a menos nas costas!! Venha de lá o desafio :D
Seguimos, e 3,5Km à frente um ponto que vai ficar na memória de todos!! A cascata da faia d'água.
Desde logo quer pelos trilhos técnicos e íngremes, quer pela imponência do lugar... só visto! e só visto foi como passamos com as bicicletas! pois aquilo são trilhos pedestres e nem imaginam o esforço para passar aquilo tudo com a bikes carregadas!















Mais uma "tempão" para conseguir "largar" este local! pois todos estavam siderados com tanta beleza e com o facto de estarmos verdadeiramente full-on na nossa aventura!!
Era apenas o 1º dia:D e já com tanto para assimilar...
O dia já estava largo, saímos então à procura do nosso destino final na etapa: Peredo da Bemposta.
As pernas já pedalavam mais devagar e o relógio a andar muito rápido, isto a juntar a trilhos sempre desafiantes... a nossa labuta ainda não estava terminada!
Uns single-track brutais depois, mais uma descida íngreme e chegamos a uma ribeira:eek: que obrigou a alguma engenharia humana para ultrapassar...



Com isto mais um bocado de tempo perdido, mas lá passou toda a gente para esta margem!
Mas... o pior vinha ainda a seguir!! um caminho inclinado cheio de pedra solta que obrigou a uma caminhada longa... e ao escurecer do dia como companhia.
Chegados à aldeia de Algosinho, que o nosso cansaço já imaginava ser Peredo da Bemposta... lá seguimos em trilhos mais rápidos, a pensar na necessidade de luzes para acabar o dia... e só 2 colegas as terem, de pouca potência por sinal:oops:
 

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davidream

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#2
Aqui liguei para o contacto que tinha da junta a dizer que íamos chegar atrasados, mas fui logo descansado ao ouvir que estava tudo pronto, era só nós chegarmos.
Saímos 2 mais rápido em direcção à aldeia, já com dificuldade em ver os trilhos, quando finalmente no escuro avistaram-se as luzes de Peredo!!!
Uns segundos depois e um uff de satisfação, com um pequeno corte ao trilho entramos logo na estrada que levava à entrada da aldeia, estava acabado o dia. E que dia!!


Convém aqui dizer que com antecedência (umas semanas antes) tinha entrado em contacto com o Presidente da Junta de Peredo a reservar a casa rural de turismo de habitação que eles têm à disposição. Estavam à nossa espera portanto 6 camas disponíveis, cozinha e banhos.
Quando chegamos, a casa estava já há umas horas a ser aquecida e a pessoa que nos recebeu estava tão contente de nos ter, como nós por termos acabado!
Siga para os banhos e trocar de roupa, que o estômago já tinha ligado as luzes de reserva há umas horas!! Tinha-mos que nos alimentar.
Mas a história do dia não acaba aqui!
Convém fazer um corte nesta crónica a explicar um pequeno pormenor.

Aquando do contacto com a junta para reservar a casa, perguntei onde poderíamos jantar nesse Sábado, pois sabia que o cansaço ia ser tão grande quanto a fome! e indicaram-me um café onde havia possibilidade de comer algo, mas também, que por sorte nesse dia havia um jantar da colectividade lá na aldeia com a intenção de juntar algum dinheiro para a mesma.
Menu: Javali cozido com cogumelos e batatas, vinho da região, sobremesa com doces regionais (uma espécie de filhós) e muita gente da aldeia para conversar e partilhar o repasto!!
Tinha falado da ideia ao pessoal, mas ninguém tinha decidido nada ainda.
Entretanto estavam os banhos a meio, quando me ligou o Sr.Moisés (pessoa que estava encarregada da organização do tal jantar) a perguntar onde estávamos que a mesa estava posta:D, logo aí ficou decidido onde ia ser o jantar!!
Foi um acabar de dia tão bom!!
Toda a gente a nos querer conhecer com o tão bom receber habitual destas paranças, um repasto que soube à melhor comida do mundo, e nem 5 minutos de estarmos à mesa, já o Gaspar trocava contactos do Face com 2 senhoras já seniores que tinham tido família por Lousada!
Enfim, foi um acabar de noite com sorrisos de orelha a orelha, e no fim um sono profundo, fruto do cansaço e do tinto da região!
Que mais poderíamos pedir...
Venha o próximo dia!!
 
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davidream

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#3
E o próximo dia veio!:D
Domingo 23/2/2020 eram 7H já andava pessoal em reboliço na nossa parte da casa.
Entre tentar perceber se eram 7H Portuguesas ou Espanholas, comento com um colega, que tinha dormido como um justo!! e ele replicou que já não se lembrava de cair na cama e dormir redondo como nessa noite. Maravilhas da aldeia digo eu...
Retemperado com o descanso, verifico que dois colegas ainda não dão sinais vitais (ou pelo menos não querem sair da cama:p)
Uns toques de limpeza na transmissão, um pó Talco nas partes moles, corta vento em cima pois lá fora a manhã apesar de aparentar estar mais amena, estava um frio que incomodava! e seguimos três para o café já com vontade de olear o corpo com cafeína!
Chegamos ao Café Águia, já aberto e com a Dª Fernanda a servir os 1ºs clientes do dia, todos com um olhar curioso para estes 3 mamíferos com roupa de cor estranha e capacetes na cabeça.
Ao fim das primeiras frases tiram-nos logo a pinta, "vocês são do Porto" e o Gaspar, Azul e Branco mesmo antes de nascer! Eu sou Dragóm!!
A dª Fernanda dá um sorriso enquanto prepara 3 galões e pães com manteiga para o pessoal, para logo a seguir fazer uma cara de desconsolo, pois segundo ela, é a única daquelas cores na zona, o que lhe cria muitas chatices com o marido e inclusive a perca de clientes!
Para retirar alguma "pressão" ao momento, mudo a conversa para aquilo que estávamos a fazer, a GR36! ao que a dª Fernanda encolhendo os ombros diz muito honestamente "não ligamos nada a isso!"
Digo logo com muita propriedade, que nós estávamos numa missão! a de mostrar as coisas preciosas do nosso interior!!
Caiu em saco roto, pois nota-se que ela sabe bem que o mundo não muda assim de um momento para o outro, e provavelmente também não deve estar muito interessada que venham para aí "resmas de chineses!!":rolleyes:
Entretanto chega o resto da equipa, mais dois galões e pão com manteiga no balcão, e já tinha surgido na conversa de café um tal de " O Brasileiro" que também tinha chegado na noite anterior de bicicleta à aldeia, sendo que a dª Fernanda até lhe tinha cedido gentilmente um local para montar a tenda e passar a noite.
Ainda nem sequer tinha começado bem o dia, e já havia tanto para contar!
Com o pessoal a acabar o pequeno almoço e o marido da dª Fernanda a mostrar-me orgulhoso algumas das fotos na parede do café com as vitórias do Glorioso, entra um rapaz alto, magro, com o cabelo ligeiramente comprido e com um olhar curioso para ver quem estava lá dentro.
Era o tal "Brasileiro"! :D tinha estacionado à entrada do Café a Bicicleta dele (parecia uma bicicleta do Continente) com uns alforges com aspecto de pesaram 50Kg cada!! cheios de sarrabiscos e lama a mostrar que ali já tinha havido muita história por contar!
Com mais uns 20 minutos de conversa (Afinal éramos camaradas da GR36) acabamos por perceber que o percurso que ele tinha feito no dia anterior era o mesmo que nos esperava, e ele explicou que havia umas zonas destruídas (por máquinas...) super duras para passar! inclusive umas bordas para subir ou descer consoante a direcção do trilho...:eek: Vá, pelo menos valeu o aviso!!
Ele ia descansar pela aldeia nesse dia, e nós finalmente demos início à etapa!!
Lá seguimos despedindo-nos de Peredo por uns trilhos agrícolas em direcção ao 1º objectivo do dia!



O Miradouro de Picões!
Aqui fomos logo recebidos por mais uma vista deslumbrante!! ainda por cima a esta hora o Douro estava escondido por um nevoeiro mágico!! Impávido e sereno à passagem dos aventureiros.
Que maneira de começar a etapa...





A partir daqui, já com uma nova disposição :D continuamos a seguir os trilhos.
Desde logo deu para notar diferenças relativamente ao dia anterior, dava a ideia que estávamos mais próximos do Douro e o que nos rodeava parecia mais imponente.





Uns Km's à frente, começamos a descer um vale e chegamos à tal zona que estava arrasada por máquinas. O GPS marcava trilho por ali abaixo, mas trilhos nem vê-los... lá começamos a caminhar um bocado, descendo montados sempre que possível e já a ver uma pequena ponte lá em baixo.



E se difícil foi chegar ali, pior sair!!
Só havia uma borda enorme por ali acima, e para ajudar ao ramalhete uma árvore tombada onde deveria ser a passagem...
Siga mais uma vez recorrer a alguma engenharia humana para sairmos dali vivos!


Ainda a meio da manhã, e já estávamos numa luta com o terreno!
Daqui saídos os trilhos continuaram num sobe e desce constante, mas com passagem por pontos de observação fantásticos!







Mas não tenham dúvidas, esta zona tem tanto de belo como de duro!!



Numa destas partes a fazer um single sinuoso cheio de pedra, apercebo-me do tlm dar sinal de mensagem. Pensei... "agora não!" Faço mais um bocado do trilho e chego a uma sinalética de miradouro. Largamos as bikes e descemos a pé para o dito.



Aqui peguei então no telefone e apercebo-me de uma mensagem do João Martins a dizer: "Estou-te a ver. Estás no Miradouro do Contrabando e eu do outro lado da ribeira. Se vires esta mensagem dá-me o teu contacto que ainda nos encontramos"
Aqui um pequeno corte na crónica.
O João Martins foi umas das pessoas que contactei através do Facebook e do grupo Portugal Bikepacking, quando estava a juntar informação sobre esta rota, ele é responsável pela criação da GR36 e sua manutenção. Quando estava a fazer os tracks, com a ajuda dele fiz várias alterações e ouvi alguns conselhos. Tinha percebido que ele estava contente que alguém explorasse a zona, mas daí a encontrar-mo-nos nos trilhos... Que boa surpresa!! ali no meio :D



Falamos logo ao telefone, e ele até nos deu umas dicas para à frente seguir por outros caminhos onde fomos-nos encontrar junto a uma ponte, que para variar estava num local fantástico e levava a um single daqueles de fazer cobiça!



Mais uma situação sensacional a adicionar à aventura! Conhecemos a família do João, trocamos impressões sobre o que estávamos a viver na Grande Rota, e finalmente lá seguimos com a sensação fantástica de conhecer o "criador" desta GR36 que tantas coisas boas nos estava a trazer!!!

Uns Km's sempre desafiantes pela frente e alguns amigos por perto há espera de refeição!



Chegamos a Bruçó já com o estômago a pedir algo de concreto, mas não havia nada... a srª da venda apenas tinha umas bolachas de 3/15 dias (que foram num instante) e umas coca-colas e cerveja para enganar a fome. Aqui encontramos um senhor numa Specialized Epic roda 26, ambos com cara de terem já muitos Kms de histórias vividas. Curiosamente o sr. tinha já dado aulas em Lousada, terra mui estimada de 2 dos aventureiros desta grande rota. Conversou-se e repousamos as pernas.
Seguimos daqui da aldeia com uma pequena alteração no track (Obrigado João!) mas a coisa continuava num misto de belo e duro. Constante portanto.
O Paulo Dias tinha que fazer paragens pontuais pois o Crank da bicicleta dele soltava-se, ia dando para beber mais um golo de água e apreciar a paisagem.
Até que finalmente chegamos a um local para poder alimentar o corpo e a alma! Lagoaça.
Lá, fomos dar com uma estação de serviço que segundo os locais servia algo para comer, e deu então para meter qualquer coisa ao bucho!



Já retemperados seguimos vida, para agora encontrar um tipo de trilhos diferentes pela frente.
Continuávamos perto do Douro, mas os trilhos...
Pequenos muros de pedra colocados por uma qualquer civilização antiga indicavam o caminho.
E que prazer!! Gostamos tanto disto!!





Passamos por um posto de vigia abandonado e um ou outro ponto de observação magnífico do douro!! Enfim, zonas de beleza constante!!



 
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davidream

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#4
O dia corria rápido, o cansaço já se notava em todos, especialmente aqueles com mochilas de 15Kg ás costas!! (não é Eduardo e Gaspar)
Mas a euforia de tudo o que nos rodeava dava energia para ir continuando.
Isso e algumas laranjas que comemos em Mazouco, pois no meio da aldeia estavam umas laranjeiras ali disponíveis a quem as quisesse aproveitar.
Pedimos aos locais e fizemos um ataque implacável a umas quantas! Aqui o Pedro Fonseca e os seus quase 2mt de altura serviram que nem ginjas para colher as melhores e mais bonitas!!
Sempre deu uma força extra para continuar, mas as gravuras de Mazouco estavam bem lá em baixo!! e apesar do dia já estar longo assim como o que nos faltava para chegar a Freixo de Espada à Cinta, tinha-mos que fazer uma visita ás gravuras!
O directo do Gaspar no Facebook assim obrigava!!






Vista a gravura e o local(magnífico por sinal!) mais um directo no Face depois, lá seguimos pois a hora já estava adiantada e nós com as pernas e Bikes pesadas de tanta peripécia. A vontade já era de acabar o dia.
Mas, o problema era o que vinha a seguir!o_O uns 10Kms com subidas intermináveis e íngremes!!
Já com as pernas em modo económico e o dia a escurecer... mais uma vez a etapa ia ser batalhada até ao fim com sacrifício e suor à mistura.

Lá chegamos a Freixo de Espada à Cinta, já o dia tinha acabado e a noite apenas começava.
Mas antes de ir ao quartel de bombeiros para acabar a etapa, fomos tirar umas fotos junto ao freixo!Internet oblige :)



Após as fotos e uma vista de olhos ao centro, lá seguimos para o quartel onde nos aguardava o fim da aventura.
Aqui chegados, perguntei pelo comandante Vitor (com o qual tinha falado previamente para saber se era possível 6 mamíferos passarem a noite no quartel) uns minutos apenas ele apareceu e fez questão de me fazer o tour ás instalações. Tínhamos uma camarata à espera já previamente aquecida com ar condicionado, vários beliches de 2 camas livres para toda a gente, e banhos com água quente que nestas coisas de aventuras no outdoor é sempre um luxo que a malta aprecia. A simpatia e disponibilidade dos Bombeiros nunca deixa de me surpreender!



Já com o corpo limpo e roupas pi-pi, lá saímos para a coisa mais importante naquele momento: Comer!!
Já havia um local definido antes desta etapa sequer começar, alguém conhecia um restaurante na zona: Um tal de Casa Paula. Vamos lá então.
A equipa atacou em Sprint na posta!



eu esquisito como sou teve que ser antes assim:



Consta que não ficou nada nos pratos, para regozijo da empregada :D
Acabamos então o dia ou a noite vá, em grande! e com a barriga atestada. Um dia bom de trabalho portanto.
Lá fomos dormir e com vontade que a sirene não tocasse!! pois depois de comer e começar a vir o sono... os meninos já precisavam do sono de beleza!!!
Até amanhã ;)
 
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davidream

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#5
24/2/2020
Mais uma noite bem passada, o chamado repouso dos justos!
Novamente as tropas acordam cedo e com boa disposição. Freixo de Espada à Cinta tinha-nos tratado bem, e afinal estávamos prestes a encarar o último dia da nossa aventura.
Num ritmo lento lá fomos vestindo, arrumando uma última vez os sacos e fazendo uma vaquinha para deixar algo à coorperação de Bombeiros que tão bem nos tinha recebido.
A custo lá aceitaram uma doação e seguimos procurando um café para o pequeno almoço.
Encontrada uma pastelaria tivemos uma 1ª refeição farta, inclusive deu para levar umas coisitas nos sacos(agora já quase vazios) não fosse a etapa nos pregar alguma partida. E mal sabíamos ainda o que nos esperava...
Isto porque a ideia geral era que sendo o último dia, uma etapa já com menos Kms e acabando em ciclovia a coisa ia ser fácil! para quem já tinha andado tanto...
Pois, mas isto é a GR36 e as surpresas estão sempre onde menos se espera.
Lá começamos então, com destino ao Miradouro de Penedo Durão o 1º ponto alto da manhã, neste caso literalmente!!
Saídos de Freixo, apanhamos mais uma vez trilhos agrícolas e uma agradável vista em redor, mas o que temos à frente é uma montanha enorme e o GPS a direccionar-nos para lá!
Afinal o Miradouro fica bem lá em cima onde é preciso chegar...
De repente o trilho começa a ficar íngreme ao ponto de no GPS nem se conseguir ver o topo! Bem, mais uma caminhada nos aguarda... ainda o pequeno almoço estava a assentar e já o corpo a levar um arrepio!
Rapidamente o grupo entra em silêncio, e eu sentindo-me responsável por te-los metido nesta alhada! solto um grito à Tarzan capaz de se ouvir noutros Continentes na ideia de aliviar os espíritos. Mas talvez fosse apenas cansaço ou falta de oxigénio no cérebro da minha parte... :rolleyes:
Obtenho resposta ao meu apelo animal por parte de uns cães lá em baixo no vale, bem... pelo menos alguém me ouviu.
Numa parte menos impossível lá montamos as bikes e seguimos vida por ali acima, até que chegamos ao topo e somos recompensados por um Sol animador neste planalto, e verificamos que estamos rodeados de amendoeiras em flor! Que beleza depois do Inferno!!



Tira-se o corta-vento e continuamos pois o Miradouro já está por perto.
E assim é de facto, mais umas pedaladas e chegamos ao painel indicador de Penedo Durão. Com o aproximar do miradouro, uma visão arrebatadora da Barragem de Saucelle e de todo o espaço em seu redor.




Parecemos tão pequenos em comparação ao que vemos!
Uns directos no Facebook do Gaspar, muitas fotos mais, e eu e o Fernando aproveitamos a diversão que o local oferece!



Finalmente lá continuamos, seguindo agora por um trilho +- recto naquele topo do mundo. O Douro lá em baixo e nós tão... "lá em cima".
O que nos vai rodeando é muito bonito, vamos agora perdendo alguma altitude em direcção a Poiares.


Aqui chegados, enchemos os Bidons de água e conversamos com os locais.
Explicamos o que estamos a fazer com um sr. que em novo tinha trabalhado numa fábrica de salsichas na Maia, ele, após umas primeiras palavras percebeu logo a nossa origem. Dizia ele que foi lá que tinha aprendido os primeiros palavrões!! Coisas do Norte presumo...
Lá seguimos com a indicação de uma senhora aqui da aldeia, que vinha aí uma calçada muito difícil!
Nem em sonhos sabíamos o que nos esperava...
Um pouco depois da aldeia entramos numa estrada pequena que rapidamente nos leva para um vale que espantava pela sua imponência. Começando a descer as coisas iam ficando cada vez mais espantosas!!

Sendo difícil descrever o que vimos, deixo aqui uma foto que não alcança a magnitude do local!





O GPS continuava a mandar para o interior deste monstro que nos rodeava por trilhos sinuosos, e nós cada vez mais pequenos em relação à envolvência.





Com técnica e cagança lá chegamos ao fundo desta maravilha natural, mais uma vez sem palavras!! Como é possível depois de tanta beleza nos últimos dias, sermos surpreendidos ainda!














Na ordem natural das coisas, depois de descer há que subir. Como aqui o elemento natural é a pedra, seguimos com cuidado e silêncio em reverência ao local.



Apanhamos mais uma estrada que segue junto à ribeira e nos dá mais uns ângulos de visão do vale, que custa a abandonar. Não me esqueço das caras dos colegas e das curtas palavras que iam dizendo.
" O pá! o que é isto!!" " Nunca vi igual" "Isto vai ficar para sempre" a cada pequena expressão, aumentava enormemente a minha satisfação por ter arriscado e tentado esta aventura com eles! O doce sabor da realização pessoal e da partilha em grupo deste momento.

Ainda mal refeitos desta situação a estrada chega a uma ponte, a seguir o GPS manda para cima... Mas tipo serra acima mesmo!!
Pois... tinha chegado mais um rebuçado da GR36, cortar a direito por uma serra.
Entre socalcos e uma plantação de amendoeiras, a única coisa que era sempre igual desde o início ao fim era a inclinação terrível que nos esperava. Mais uma caminhada longa...
Lá em cima outra vez, muitas amendoeiras em flor e um cheiro típico destes montes, talvez o prémio de consolação por termos vencido outra batalha.
Mas os trilhos continuaram duros até Ligares. Com muita beleza em redor, mas muito duros!! Lá se foi a ideia que o último dia ia ser mais fácil...
 
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davidream

Well-Known Member
#6








Em Ligares deu para brincar no parque e a seguir parar num café para uma bem merecida cerveja!


Mais à frente na aldeia alguém encontrou uma pequena venda com direito a uma sandes de queijo e presunto. Soube tão bem!!
A srª ainda teve a bondade de encher o Bidon de água e nos dispensar alguma conversa.
Mas havia que continuar pois as agruras não tinham acabado e o sol apertava. E lá fomos.
As subidas continuavam a fazer mossa, o calor também.
Chegamos a Maçores, o Gaspar e o Paulo nem pararam, mas o resto da equipa estava a precisar de água fresca e o Eduardo de um gelado!!
Tivemos sorte na agua (num café a srª encheu os Bidons) menos sorte no gelado... ainda não havia!
A seguir da aldeia um single lindíssimo (a subir para não variar) e de repente entramos num trilho agreste serra acima que fez miséria nos espíritos já desgastados de todos.
Foram uns Kms de sacrifício, que já não esperávamos no último dia da GR! mas tinham que ser feitos pois as bicicletas não iam sozinhas até Torre de Moncorvo.
Finalmente no topo já com vistas mais airosas, seguimos com o cheiro de estarem a acabar as privações. Moncorvo ficava já ali! e isso deu uma força extra a toda a gente.
Era vê-los em ritmo apressado pela serra acima! num trilho que tinha sido arrasado por uma qualquer Caterpillar, mas que naquele momento parecia uma auto-estrada!
Já a ver Torre de Moncorvo, os sorrisos voltaram! alguns gritos nos singles em descida e num instante estávamos ás portas da cidade.
Claro está, algo para aconchegar o estômago era fundamental! o que não se revelou propriamente fácil...
Segunda-feira, já tendo passado a hora de almoço os cafés/tascas não tinham nada para comer. Teve que ser, bebemos para enganar a fome vá!



Entramos na ciclovia da Linha do Sabor e seguimos em direcção ao Pocinho, destino final da etapa e da nossa GR.



Aqui a ciclovia tem pouca história, mas o que tem muito para relatar é a beleza do que nos rodeava!
O Douro estava mesmo ali e o terreno à volta magnífico para não variar.
A juntar a isto, era já final de tarde e havia aquela luz especial que dava um toque de veludo a tudo o que víamos! Enfim... que melhor maneira de acabar a nossa grande aventura.







Chegou o Pocinho, mas em vez da alegria de termos terminado, a sensação geral era que infelizmente já tinha acabado. Já tinha acabado...





O que nunca vai acabar é o que esta GR36 nos deu!!
Histórias para contar aos netos e a vocês também claro está! Sei que sempre que estiver com estes amigos, vamos trocar aqueles olhares cúmplices e muito naturalmente esboçar um sorriso, pois partilhamos 3 dias naquela que foi a melhor aventura das nossas vidas!!
O futuro não sei o que nos reserva, mas para já estou feliz com o que agora já é passado, mas vai ficar guardado no baú das melhores memórias.
Pela vossa saúde façam esta GR36, senão. pelo menos outras!
O importante é ir... e nunca perder o desassossego!
 
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davidream

Well-Known Member
#7
Agora toda a Informação necessária para fazer esta Grande Rota 36

1º Dia:
Inicio: Paradela - Miranda do Douro
Fim: Peredo da Bemposta



Contactos para alugar a casa de Turismo Rural em Peredo a Bemposta.
Sr.Pedro - Presidente da Junta: 96 9993036 / 279 588001

2º Dia
Inicio
: Peredo da Bemposta
Fim: Freixo de Espada à Cinta



Dormida nas instalações dos Bombeiros de Freixo de Espada à Cinta.
Contactos:
Sr.Vitor - Comandante da Coorperação: 93 3763217 ou 279 653230

3º Dia
Inicio
: Freixo de Espada à Cinta
Fim: Pocinho



Horário dos comboios


Transportes:
Miguel Silva - Amarantrilhos TLM: 91 4339305



E para os amantes das estatísticas :D



Os Tracks estão anexados a este Post.
 

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AFP70

Well-Known Member
#9
@davidream,
Parabéns amigo pelo feito assim como aos restantes companheiros!
Parabéns por este primeiro relato da crónica.
Constato que já reservaste mais espaço para as próximas etapas do relato (presumo que em função do tempo :)).
Bem sei que por mais que um tipo registe por escrito ou através de fotos, nada, nem ninguém poderá vivenciar ou sentir aquilo que vocês sentiram ou passaram, mas o objetivo a meu ver dos registos escritos e fotográficos é alimentar a imaginação de cada e um e quiçá fazer com que se passe da teoria aos atos ;).
“Petit aparte”: o Fernando Sampaio ainda recentemente pedalou pelas Terras Helvéticas (fuga de informação ;), temos um amigo comum, o Natércio). O Paulo Dias, que não pude ainda identificar nas fotos é o famoso Ex-Helvético ;), que costuma pedalar por aqui com a malta? Se sim, não duvido que esse homem acompanhar-te-á até ao fim do mundo caso necessário :).
Ficamos a aguardar a continuação da crónica e das fotos assim como outras aventuras, mas como diz o povo "o seu a seu tempo".
Aquele abraço aqui da CH,
Alexandre
 
#10
Eu agora estou a associar, vi um video do Lousada BTT partilhado do Sr Gaspar, bem, as imagens eram impressionantes, de deixar qualquer um sem fôlego, lindissimo, mas vou esperar pelo resto da crónica para comentar mais qualquer coisa.
 

AFP70

Well-Known Member
#11
@davidream,
Como se diz aqui no Norte “Crónica ou crónicas do Cara…”:)
Compreendo a emoção sentida, antes, durante e depois.
Há coisas que mesmo que nos façam um “reset”, a mente não esquece ;)
Obrigado pelos detalhes, pelas piadas, pela emoção.
Acredito que esta aventura abriu em ti a caixa de pandora, para novas ideias.
Amigo, só se vive uma vez, e parafraseando Maximus “O que fazemos na vida ecoa por toda a eternidade!”. Venham as próximas.
Esta correu bem fisicamente falando, isto é, ninguém se magoou, e se porventura um dia o azar te/vos bater à porta, alembra-te sempre do que disse Charles Lindberg “I don’t believe in taking unnecessary risks, but a life without risk isn’t worth living”.
Como não podia deixar de ser, prestaste um serviço publico à comunidade ao forneceres toda a informação necessária para repetir a aventura. De ti, não era de esperar outra coisa :)
O futuro a Deus pertence ;), mas uma coisa te asseguro, este tipo de aventura deixa marcas mais profundas do que as simples memórias ou cansaços físicos; a partir de agora é que vais ter como alguém escreveu neste espaço há imensos anos atrás “uma comichão que terás de compensar” :).
Continuação, e que nunca alcances a meta :p
Grande abraço,
Alexandre
 

davidream

Well-Known Member
#12
bOAS!
Obrigado pelas palavras gentis caro Alex!;)
Sabes que tenho em ti um grande exemplo de como encarar a vida.
Esta de facto marcou, e o problema agora é que há muita vontade de continuar a meter-me em "barulho" :D
Vamos ver o que o futuro reserva!
Para já aproveitar o fim de semana para esticar as pernas!!:p
Abraço!
 

davidream

Well-Known Member
#17
BOAS!
Obrigado pessoal! ;)
Sim foi de facto mesmo bom! Tão bom que até as maquinas se portaram à altura! :p
Quanto à equipa, foi uma A-Team! Portanto nada de avarias, nada de problemas, foi pedalar/divertir/sofrer juntos. Uma aventura!
EDIT: Video do 1º dia disponível
 
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m.r.f.

Active Member
#18
BOAS!
Obrigado pessoal! ;)
Sim foi de facto mesmo bom! Tão bom que até as maquinas se portaram à altura! :p
Quanto à equipa, foi uma A-Team! Portanto nada de avarias, nada de problemas, foi pedalar/divertir/sofrer juntos. Uma aventura!
EDIT: Video do 1º dia disponível
Onde está o vídeo?
 

mack1

Active Member
#20
Bem nem sei muito bem por onde começar, que relato épico e a prova disso é a quantidade de páginas nas redes sociais a partilhar a crónica ou a falar na mesma, tornou-se "viral".
É daquelas coisas que nos provoca uma " inveja " saudável, em que, enquanto lemos esboçamos sorrisos rasgados tal é o contágio que ela provoca, é impossível imaginar o quanto TOP isto foi, então com vídeos ficou no ponto....
Conseguiram também outra coisa, a partir de hoje a GR36 passou a ser uma meca do BTT ou do backpacking, está definitivamente e meritóriamente no mapa do pessoal deste meio, parabéns por esta conquista também.
Só uma pergunta, um dia não foi um pouco curto ( principalmente porque o sol ainda se põe cedo ) para as etapas?
Porque já foi quase tudo dito, deixo só os parabéns pela iniciativa e a palavra ESPECTACULAR.