Ensaio em Detalhe: Santa Cruz Blur LT2

#22
350plus said:
Ao invés de uma simples Fox Float RC2 , uma Fox TALAS de 140 mm parece-me ser solução indispensável para quem quiser aproveitar ao máximo o potencial deste quadro.
Eu gostei da forma como descreveram umas das melhores, ou até mesmo a melhor, suspensão da Fox. :lol: Quem me dera ter uma "simples" Float 36 de 800€ :D

Bom review e bom post. Um pouco grande de mais, mas agradável de ler! Continuação :wink:

PS: eu sei que é a pedir muito, mas um videozinho para cada teste ficava 6****** :mrgreen:
 
#23
Aqui está um excelente trabalho! Parabéns.

Qual o próximo modelo em análise? Podia ser uma montagem com o quadro TREK 8500... (assim esclarecia as minhas dúvidas :mrgreen:)

Cpts.
 
#25
A equipa do FórumBTT agradece a todos que até agora comentaram com agradáveis palavras de encorajamento e sugestões. :wink:

De facto, pretendemos ter aqui análises um pouco mais aprofundadas do que as que se encontram noutros meios. Embora se falarmos em termos de número de análises, há que lembrar que qualidade e quantidade serão dificilmente compatíveis porque não é esta a nossa profissão. Mas claro, mais análises virão.

Relativamente aos comentários:

Andre filipe said:
Já agora um pedido: À imagem da mtbr, façam reviews de alguns trilhos espalhados pelo país. Algo que nos faça pegar na nossa bike (seja ela uma Santa Cruz ou uma EMT) e ir pedalar.
Uma visita à por vezes esquecida secção de "Crónicas" vai revelar bastantes relatos de passagens por trilhos conhecidos e desconhecidos por esse país fora. Desenvergonhadamente puxando a brasa à minha sardinha, recomendo por exemplo este relato que o Indy, o Lobo Solitário e eu fizemos por terras de Vila Pouca de Aguiar:

http://www.forumbtt.net/index.php/topic,70092.0.html

Mas é de todo possível que alguns relatos sejam produzidos especificamente para esta secção em formato ligeiramente diferente.

rjcm said:
Em jeito de crítica construtiva, permitam-me só sugerir um sistema de pontuação/classificação para no final poder dar um aspecto gráfico da impressão causada no ensaio.
A decisão de não ter a pontuação e/ou classificação foi uma decisão consciente da minha parte. A questão que aqui se põe é se quem cria essa pontuação e se quem a interpreta estão ambos em sintonia relativamente ao que pretendem. Ao colocar os pontos, estou a aplicar a minha lista de preferências pessoais às características e potenciais defeitos das bicicletas. Lista essa que poderá não ser aquela do utilizador interessado em comprar. E depois pode resultar em comparações deturpadas.

Foi exactamente por isso que optei por apenas colocar todos os meus reparos no corpo do texto, devidamente contextualizados e argumentados com a minha visão sobre o assunto. Visão esse que poderá ser totalmente diferente da de um potencial comprador desta máquina, isto sem que nenhum de nós esteja errado. Se há lição que aprendi ao longo destes vários anos a lidar com bicicletas é que não há verdades absolutas. Colocar uma lista rígida de "defeitos" e "vantagens" parece-me contraproducente neste caso.

Admito que torne a leitura mais complexa e exija um pouco mais de investimento por parte do leitor mas penso que permite que se chegue a conclusões finais mais sólidas.

andrextr said:
Eu gostei da forma como descreveram umas das melhores, ou até mesmo a melhor, suspensão da Fox. :lol: Quem me dera ter uma "simples" Float 36 de 800€ :D
Realmente soa um pouco estranho fora do contexto :lol:. O simples era relativo à sua simplicidade de funcionamento. Pressão, rebound e estamos prontos para descer.

andrextr said:
PS: eu sei que é a pedir muito, mas um videozinho para cada teste ficava 6****** :mrgreen:
Não, claro que não é pedir demais. É de facto algo que tentaremos introduzir nas próximas análises para não desaproveitar as potencialidades da plataforma online. Esta foi a primeira análise, estamos sempre a aprender e esperamos vir a melhorar alguns aspectos.

joks said:
Qual o próximo modelo em análise? Podia ser uma montagem com o quadro TREK 8500... (assim esclarecia as minhas dúvidas :mrgreen:)
O segredo é a alma do negócio, mas para já não temos nada apontado para esse modelo. :wink:

Obrigado novamente pelos comentários, não hesitem em pedir informações extra sobre o ensaio, apontar defeitos e sugerir melhoramentos.
 
#26
Quanto a estas marcas



Fazes assim, puxas a protecção da escora de neoprene mesmo junto ao eixo e prendes com um zip tie, assim já não irás ter muitos problemas!!

Já vou na 2ª BLT !!!! :mrgreen:

Conselho arranja um Joplin R, fica fenomenal!!!!

Esta é a de um amigo, que a foi bsucar ao César na semana passada



Esta é a minha, ainda não tinha alguns upgrades, que agora tem: Joplin R e Formula R1

 
#30
Boas,
:bompost:

Ainda n tinha reparado nesta sub-secção... vim tarde mas depressa percebi q tinha estado a perder um excelente tópico.
Por momentos tive a impressão q estava a ler uma revista "tuga" bem traduzida (o q às vezes é mais difícil do q aquilo q parece :eish: ), e qd cheguei ao fim percebi q era um trabalho totalmente PT, desenvolvido aqui pelo pessoal do fórum e de excelente qualidade!!! :#1: :yeah:
N posso deixar de dar os parabéns aos intervenientes! :venia: :clap: :clap:

Só um pormenor, parece-me q algumas fotos precisam ali de um pouco mais de trabalho mas, nada de especial, em especial nas fotos estáticas. Nas restantes já se sabe q n é tão fácil... mas n deixa de ser um trabalho soberbo.

Qd podemos esperar um próximo trabalho? Vocês elevaram e mt a fasquia da qualidade, aguardo ansioso o próximo "número" a sair. :pipocas: :xau:


SSurfer :)
 

tkul

Utilizador Banido
#31
Para tamanho L

* HTA - Ângulo de direcção: 69º
* STA - Ângulo de selim: 72.5º
* TT - Tubo superior: 597 mm
* ST -Tubo selim: 483 mm
* HT -Tubo direcção: 120 mm
* CS - Escora inferior:432 mm
* SO - Standover: 726 mm
* BB - Altura da caixa do pedaleiro: 343 mm
* WB - Distância entre-eixos: 1113 mm

Isto foram vocês que mediram? é que para 69º de ângulo de direcção isso está um pouco ensonado! É que se virem no site, referem que o AC da forquilha usada foi de 515mm e uma 36 anda na casa dos 545mm ("apenas" mais 30mm). Com essa suspensão deve andar na casa dos -2º em cada ângulo.
Acho que esta bike merece uma 32 ou 44 ou Revelation com os eixos de 15 e 20 mm do que uma 36/Lyric e outras que ficariam melhor numa Nomad.
É que com pneus desses e a suspensão da frente, nem é carne, nem é peixe. Com uma 36 os pneus indicado seria uns Highroller 2,35 e atrás um mais rolante como tem sido a moda ultimamente, e os pedais terem plataforma e claro uma Crossmax SX e não ST.

Ou seja, para a forqueta em questão, deveria ter sido usado coisas mais robustas - rodas/pneus que condizem um pouco melhor com a forquilha. Para a montagem em questão uma forqueta de AM seria a mais indicada e que tal uma 32 Talas FIT?

Mas é aqui que reside o fantástico de ser a la carte... tem é de saber conjugar para ter um bom conjunto final.
 
#32
Eu tenho uma Vanilla, já tive uma Float, mas não aconselho a Talas. A Vanilla é a que se enquadra mais com o amortecedor.

O ângulo de direcção fica dependendo da suspensão:

-140mm 69º
-150mm 68º
-160mm 67º
 

tkul

Utilizador Banido
#33
e porque não uma Talas? Variar o curso para subir colocando a 120 e para descer colocar 140!

Com a 36 e se o ângulo de direcção varia 2º, o mesmo com o ângulo do tubo de selim que fica com 70,5º, o BB também fica mais alto e creio que deve aproximar dos 360... acho que com estas geometrias vale mais ir logo para uma Nomad, que com a mesma suspensão tem a geometria mais condizente.

mas cada um anda como quer! Depois de ter visto 888 em rígidas... :lol:
 
#34
tkul said:
Isto foram vocês que mediram?
De facto não foi feita nenhuma medição da nossa parte nesse aspecto. Devia realmente ter ressalvado o diâmetro de AC usado na documentação da marca para evitar dúvidas. Fica o reparo. :wink:

Agora, acho que o A-C que eles usam é mesmo de uma forqueta tipo (senão mesmo) a Fox 36 Float. Isto porque é bastante possível que a geometria da Santa Cruz já esteja com o Sag devidamente corrigido. A maior parte dos fabricantes respeitados faz isso, porque é óbvio que quando curvamos (e fazemos uso da geometria direccional da bike) não temos um sag de 0 mm. Só nas fotos.

Façamos umas contas.

Segundo os documentos técnicos da Fox a distância eixo-coroa (A-C em abreviatura) para a FOX 32 Float é 545 mm na sua versão de 160 mm de curso. Tenho que supor que o A-C não varia para a versão de 140mm (facto que não pude apurar).

Se subtrairmos o valor usado pela Santa Cruz na geometria ao valor A-C com 0 sag da Float temos:

545 mm -515 mm = 30 mm

Isto dá um sag percentual de:

(30/140)*100= 21.4%

21.4% do curso total é, na minha opinião, um valor de sag bem adequado a este tipo de máquina.

Por isso, eu acho que os valores de geometria que a Santa Cruz apresenta estão correctos e representam de forma satisfatória o uso desta bike com uma Fox 36 Float devidamente comprimida pelo peso estático do utilizador.

Quanto à questão da Float vs F32 vs Talas vs Vanilla, definitivamente gostos pessoais e difícil de argumentar técnicamente.

Falando da minha experiência pessoal e se tivesse que aconselhar alguém:

36 Float: Rígida, funcionamento excepcional em termos de damping e compressão geral

F32: Flexibilidade acrescida, especialmente nas versões de longo curso, comportamento menos adequado a grandes impactos, peso excepcional para o que oferece nas novas versões FIT

Talas: Funcionamento ligeiramente inferior à Float em termos de damping e compressão, mas excepcional para abordar subidas com inclinações terríveis com máquinas que não deviam ser capazes de as vencer. Atenção: Usar as Talas comprimidas altera significativamente a geometria e pode tornar algumas bicicletas em máquinas difíceis de guiar.

Vanilla: Mais económica e com a resposta típica das molas. Há quem goste. Eu pessoalmente prefiro a poupança de peso e ajuste simples da pré-carga que as suspensões de ar dão, mas admito que a sensação de um suspensão de molas bem configurada pode ser do melhor que há em termos de linearidade e previsibilidade do comportamento.

Cada uma tem o seu ponto forte (por isso é que estão todas no lineup da FOX) e cabe ao utilizador pensar o que quer fazer com ela. A Blur LT safa-se bem com qualquer uma das duas. Fica diferente sim, mas não fica uma má bicicleta.

--/--

Só um aparte: Esta bicicleta não é minha. Foi montada como bicicleta de testes da loja Pernalonga e como tal sujeita-se a outros condicionantes. O meu objectivo neste trabalho foi descrever as capacidades e limitações do quadro e não é analisar a montagem ou dar conselhos muito concretos sobre a configuração de um quadro destes.
 
#35
O AC usado é de uma suspensão de 140mm!!! O sag não conta para o ângulo de direcção ou para qualquer medida do quadro!!

Porque não a Talas, porque não é necessária na BLT2, porque a sua sensibilidade é menor do que na Float e ainda menor do que na Vanilla, porque é uma suspensão que necessita de maior manutenção e problemática. E a de 150mm apesar de ter eixo de 15mm, torna-se flexível em relação à do ano passado de 140mm com o mesmo eixo de 15mm, para este curso iria para uma 36!!
Agora pessoalmente não gosto de andar a mexer em botões quando ando de btt, prefiro ver as paisagens :mrgreen:

Quanto à Vanilla vs Float, eu troquei a Float porque nestas nunca dão o curso dito por eles, já tive 2 Float 130 (numa BLT1) e 140mm e nunca deram mais de 110/120mm de curso. Em relação ao peso não notei a diferença, notei sim a diferença na sensibilidade e muita e no trabalhar da suspensão!!

Já agora uma foto de como coloco a protecção da escora, para a corrente não bater no quadro na cremalheira menor.





Últimos upgrades feitos na minha BLT2

Eixo pedaleiro Chris King


Formula R1






Joplin R




Aperto do espigão Thomson
 
#36
Finalmente, depois da minha viagem a Aveiro ao importador nacional, Pernalonga, para ir buscar a minha nova BLT2, lá consegui dar uma voltinha de cerca de 30km com ela.
Vindo de uma Santa Cruz Superlight (3,5 anos, 6.000 km), a diferença é... colossal.

Primeiras impressões: é enorme! Tenho um quadro tamanho L com uma Fox Talas 150mm à frente. Comparada com a minha Superlight, parece que vou num autocarro de dois andares...
A Superlight tinha um sistema de suspensão de pivô simples e uma suspensão da frente de apenas 100mm (Fox também).

Primeiro a configuração da Blur LT2:


Santa Cruz Blur LT2 tamanho L
Suspensão da Frente: Fox Talas 150 QR15
Amortecedor: Fox RP23 Boost Valve 140mm
Travões: Hope Mono Mini (183mm frente / 163mm trás)
Transmissão: Shimanho XT completo
Rodas: Mavic Crossmax ST
Espigão de Selim: Crank Brothers Joplin R

A minha saída foi por trilhos na Arrábida que estavam bem enlameados. Por esse motivo não deu para me largar muito nas descidas. Desci com cuidados redobrados para não estragar logo a primeira saída da menina. Também desci umas escadas. Pareceu-me, sobretudo, muito mais robusta do que a Superlight.

Já quanto a subidas, a história foi bem diferente. O VPP tem um efeito a subir que me deixou um pouco perplexo. Quando começamos a subir, tendencialmente começamos a pedalar com mais força. Ao exercer mais força sobre os pedais, sentimos o quadro a agachar-se... literalmente. A distância entre as rodas parece aumentar e o quadro cola-se ao chão, aumentando brutalmente a estabilidade da subida. Muito impressionante mesmo! Se aliarmos a isto, baixar a suspensão da frente para os 110mm, então entramos no reino de uma lapa trepadeira que responde com enorme estabilidade ao aumento da inclinação do terreno e do esforço do desgraçado do ciclista que tenta vencer o obstáculo. E sim, consegui pedalar em pé com grande à vontade com a suspensão nos 110mm.

Uma última palavra para o espigão de selim com comando remoto Crank Brothers Joplin R. É muito bom poder baixar o selim sem ter de parar para abordar um pequeno drop. Agora, sem perder o ritmo da pedalada, consigo vir num estradão a pedalar com o selim na posição ideal e, com apenas o toque numa pequena alavanca no guiador, baixar o selim e colocar o rabo em cima da roda de trás para abordar com toda a segurança um drop quase vertical com um metro e meio de altura. Eu sempre fiz aquele drop sem baixar o selim. Mas era um pouco na onda de "atirar-me por ali abaixo" e haveria de resultar. Com o selim em baixo o controlo é T-O-T-A-L. Muito bom, mesmo!

E pronto, 30 km e as condições do terreno não deram para muito mais, mas prometo ir voltando para partilhar convosco as emoções e as experiências sentidas com a Santa Cruz Blur LT2!
 

tkul

Utilizador Banido
#37
350+, essa de medir A/C com SAG é demais! :lol:

Eu na minha actual até posso colocar uma 888 com 35% de Sag! :lol: :lol:

2010 e ao que parece (ainda não experimentei nenhuma... :mrsock:) e com a cartridge FIT, as suspensões FOX melhoraram bastante.

Continuo achar que essa bike foi feita para suspensões de 140mm com 15mm/20mm de eixo. Uma Revelation ficaria bem, e com bom preço.

Alterações?

- Colocar apenas 2 pratos
- Colocar Bashring + chain device
- Pneus + Jantes
- GD
- Pedais com cleat+plataforma

Mas lá está...Custom - é à vontade do freguês!
 
#38
Bem sei que não é a regra geral. Mas há marcas que fazem isso. Se a Santa Cruz o faz, não sei. Devia, porque ângulos de direcção em Full A-C para mim deviam ter ficado no tempo das forquetas rígidas. Com tanto curso que aparece em todas as bikes, vamos andar a comparar bicicletas como se portam lá em cima.

De qualquer forma as minhas contas foram avançadas como explicação possível para o valor de A-C usado pela marca nos cálculos e o facto da bicicleta não se comportar como uma "chopper", caso estivesse com os tais 30 mm acima do recomendado pela marca.

Fui procurar informação mais concreta e afinal a Fox 36 Float usada neste teste afinal não tem os 30 mm de altura acima do valor de referência (515 mm referidos pela Santa Cruz)

A Fox 36 Float, na versão de 140 mm, têm 510 mm de A-C estático. Logo, está com a frente ainda mais baixa e o ângulo de direcção ligeiramente mais elevado que o referido nas tabelas. Isto para mim coloca-a no "sweet spot" para a utilização pretendida.
 
#39
Eles não podem contar com o sag porque este depende sempre do tipo de utilização que se queira dar!!

Exemplo a minha Vanilla aconselham 20mm sag para XC e 35mm mais para freeride/trilhos, são 15mm de diferença o que dá cerca de 1,5º

É por isso que a grande maioria das marcas não mede com o sag.

Mas a Santacruz utilizou uma 32 140mm para a BLT2 e 36 160mm para a Nomad.
 
#40
Sim depende, mas repara que nesses extremos a diferença não é tão grande.

Fiz um modelo geométrico com os dados que a Santa Cruz colocou no site. Se (e isto é um "se" importante) a informação que lá está é consistente, para um Sag de 20 mm, a tua Blur LT fica com 70.21º de HA. Quando o Sag aumenta para 35mm ficas com 70.95º HA. Aqui o Sag tem muito mais peso na resposta dinâmica da forqueta do que na geometria direccional.

Quanto ao facto de o valor ser estipulado com uma 32 F140, não sei se será verdade. Todas as forquetas de 140 mm da Fox tem o mesmo A-C (Vanilla, Talas, Float, F-series). Qualquer resulta bem, é mesmo uma questão de gosto pessoal.