Crónicas de um Bravo do Pelotão por Terras Helvéticas

AFP70

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@Pedro Barradas,
Pois, eu também não, mas como diz o povo “que las hay, las hay” :), aliás no site da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural , encontrei a seguinte informação:
“Amares é uma região fértil do concelho de Braga, com um microclima que lhe permite a produção de vinho, cereal e laranja. A Laranja de Amares, mais do que um produto de consumo, é um símbolo. Faz parte do brasão do concelho e as crianças das escolas, quando em representação deste, levam laranjas nas mãos. Em tempos remotos era levado ao bispo da diocese um cabaz de laranjas como símbolo de vassalagem. Atualmente existe ainda uma feira anual - Feira Franca - onde os agricultores apresentam as laranjas a concurso para obtenção de prémios. Neste certame aprecia-se o estado sanitário da casca, a sua espessura, a quantidade de sumo e açúcar. Amares é citada por Henrique de Barros como sendo uma região de produção de muito boa laranja.”

Se reparares na última foto da crónica, constatarás que as “Laranjas de Amares” devem ter visto em pequenas o Rambo 1, isto porque seguiram à risca os ensinamentos sobre a arte da camuflagem. A árvore que se encontra do lado direito e na parte inferior da foto encontra-se carregada de fruta, mas apenas são visíveis seis ;).

@elvales,
Obrigado por seguir e comentar.
Como disse Heródoto “Mais vale ser invejado que lastimado”. :)

Fiquem bem, "and keep on following",
Alexandre Pereira
 

AFP70

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No mesmo dia, passei pela “Cabane du Fenestral” et “Cabane de Sorniot”…

O filósofo americano William James escreveu que “Há várias medidas para medir a vontade humana. A mais exata e a mais segura é a que se exprime por esta questão: de que esforço sois capazes?”

Vem isto a propósito que esta volta não começou da melhor forma, aliás em quase dez anos de aventuras que levo pelas Terras Helvéticas, esta volta iniciou com 1h30 de atraso, isto porque à hora marcada onde deveria apanhar o autocarro que me deveria conduzir a “Ovronnaz”, aparece um pequeno autocarro que infelizmente não transportava bicicletas, nem mesmo desmontadas :).

Qual não foi o meu espanto quando vi a carrinha, assim como do motorista quando viu que um tipo tentava entrar com uma bicla.
Tentei negociar, mas nada a fazer, devo estar a perder qualidades ;).

À boa maneira Suiça :), o motorista explicou-me que tinha de apanhar outro autocarro (visível na 1ª foto), a três quilómetros do local onde me encontrava. Como a vontade era muita e até ao momento já tinha feito mais de duas horas em transportes, lá me resignei e desloquei-me ao dito local; a sorte é que foi sempre a descer.

Segundo a Lei de Murphy “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível”. Chegado ao local, constato que o autocarro tinha acabado de sair minutos antes, vai daí toca a aguardar 1h15 pelo próximo, mas a vontade de rolar era tanto, que nem essa espera fez baixar a minha vontade ;).

Enquanto aguardava pelo autocarro, ainda coloquei a hipótese de subir de bicla até ao ponto de arranque da volta, isto é, “Ovronnaz” a 1’346 mts, o único senão era que segundo o Google Maps, iria demorar 1h40 para realizar 9 kms de estrada, pudera, encontrava-me em “Leyton” a 485 mts.
Deu para perceber logo que era para esquecer, pois sabia de antemão que esta volta iria ser durinha, não pelos kms realizados, mas pela forma e condições em que os iria realizar. Digamos que esta volta poder-se-á chamar de “randonnée betetistica”, uma vez que passei muito tempo, mas mesmo muito tempo ao lado da bicla ou com ela às costas :).

A parte mais difícil da volta foi mesmo quando tive de passar dos 2’100 mts aos 2’459 mts, ou seja, vencer quase 360 mts de desnível em apenas 2,5 kms (ver fotos 13 a 20) e sob temperaturas superiores a 37°C.

Claro está que ao chegar à “Cabane du Fenestral” a 2’453 mts, tive de me reabastecer em sais minerais com a ajuda de uma “Boxer” ;), de forma a poder continuar viagem até à “Cabane de Sorniot” a 2’064 mts.

Quando arranquei a volta pelas 10h45, ativei no GPS a função “Livetrack da Garmin”, que como sabem, utiliza o Iphone como “router” para a transmissão de dados via internet a quem nos segue no conforto de sua casa.
Esta funcionalidade funciona muito bem, uma vez que quem segue vê no seu PC ou no seu telemóvel o track que vamos efetuar, assim como o local onde nos encontramos, no momento em que consulta.
O único reparo que faço à Garmin é que deveria informar que esta função consegue esvaziar uma bateria de Iphone carregada a 100% em apenas sete horas :).
Se a isto associarmos o facto de nessa zona e durante cerca de 3 horas não ter tido rede, compreendem melhor a preocupação de quem em casa ficou.

Eram quase 17h45 quando me apercebi dessa situação, isto porque o GPS avisou-me que o telemóvel estava com apenas 10% de carga, pelo que tive de tomar a decisão de abortar a volta inicialmente prevista e quando chegasse à “Cabane de Sorniot” iria pedir para que me deixassem carregar um pouco o telemóvel, isto claro está, a troco de uma nova reposição de sais minerais. Convêm não esquecer que estamos nas Terras Helvéticas e aqui a expressão “on n’a rien sans rien” ganha todo o seu significado.

Enquanto carregava, constatei que continuava sem rede (Lei de Murphy, once again), pelo que a minha preocupação maior era sossegar quem em casa ficou a seguir-me. Foi nessa altura que confirmei mentalmente e definitivamente a decisão de abortar a volta e repetir o trajeto que desejava evitar e que me levou à criação desta volta ;).

A situação não podia estar mais preta meus amigos, isto porque, eram quase 18h15, estava sem rede, tinha de ligar ao amor da minha vida para a sossegar :) e ainda me encontrava acima dos 2’000 mts, quando tinha de apanhar o comboio em “Martigny” a 461 mts.

Este trilho (ver fotos 35 a 39 do post seguinte) é já meu conhecido (ver post 914 e 915 da página 46), e apenas posso dizer que é bastante, senão, muito perigoso, mas desta vez, atendendo à situação, acabei por me tornar inconsciente, inconsequente, infantil, perigoso para mim mesmo, mas o certo é que em menos de 1h15, consegui pôr-me na estação de comboios.

O cúmulo da situação foi quando numa descida em alcatrão (inclinação de 20% ou mais mesmo), de tanto travar, os travões não respondiam, isto é, travava com os dois e a bicla continuava a avançar, mais lentamente com certeza, mas avançava; nem vos falo do cheiro a queimado ;). É nessas alturas que um tipo se alembra “e se aparece um carro a subir a seguir a essa curva”.
A sorte foi ter aparecido do nada, uma saída/subida como nas autoestradas e nacionais de montanha, onde pude parar e aguardar que os discos esfriassem. Acreditem que não ganhei para o susto e penso que me serviu de lição :).

Eis parte dos registos do dia, 20 fotos + 20 fotos no post seguinte.









































Continua a seguir no post 984...
 

AFP70

Well-Known Member
No mesmo dia, passei pela “Cabane du Fenestral” et “Cabane de Sorniot”…

Continuação do post 983…









































Dados da volta
- Altitude máxima – 2’459 mts
- Altitude mínima – 455 mts
- Acumulado de subida – 1’268 mts
- Acumulado de descida – 2’003 mts
- N° total de Kms – 38 kms

Confesso que não se tratou de uma volta fácil, mas como disse Alexandre Herculano “É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os”.

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

Alexandre Pereira
Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…
 

AFP70

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@Pedro Barradas,
De rien, avec plaisir!:)
O problema é que um tipo como eu, condicionado pelas condições que teve em Portugal, acaba sempre por ter um olho sobre a bicla, isto é, enquanto eu me sento na última fiada de bancos na traseira do autocarro, a maioria dos Suíços e outros senta-se em qualquer lugar, não se preocupando que mesmo nas paragens mais demoradas é tão simples um gajo retirar a bicla do suporte ou do atrelado.
Nos comboios passa-se exatamente a mesma coisa, enquanto eu me sento logo no primeiro banco a seguir ao compartimento das biclas, guardando sempre um contato visual direto (estou virado para lá e a porta separadora é vidrada ao meio); a maioria senta-se a meio da carruagem ou mais longe ainda, sem contato visual. Até posso compreender essa atitude porque os seguros aqui pagam o valor integral (sem desvalorização nos primeiros 5 anos) da bicla enquanto roubo no interior de casa ou exterior (basta apresentar a cópia da fatura, assim como a participação do roubo).
Eu próprio efetuei um seguro desses, mas os velhos hábitos, obrigam-me sempre a estar alerta ;).