Crónicas de um Bravo do Pelotão por Terras Helvéticas

Discussion in 'Crónicas' started by AFP70, 14 December 2010.

  1. davidream

    davidream Active Member

    bOAS!
    Ok,nessa altura falamos ;) tento arranjar um furo aqui no trabalho(nem que meta um dia de férias).
    Costumamos fazer a rota do Mel :),mas este ano ainda não sei como vai ser, tendo novidades vemos as possibilidades.
    Abraço
     
  2. patafurdio

    patafurdio Member

    Viva, a rota do Mel que esta inserida no calendário Ngps está marcada para o dia "10-02-2018", "correção" este ano como nos outros vou continuar a participar e a desfrutar dos bons "passeios" e gastronomia nos locais visitados..
    Quanto ao pânico esse foi apenas a encenação para entrar na cena, cena essa, que com a qualidade que tem qualquer um fica pequeno perante a grandeza da mesma...
    Abraço
     
    Last edited: 6 January 2018
  3. AFP70

    AFP70 Active Member

  4. AFP70

    AFP70 Active Member

    Em “Mauvoisin” vislumbrei um pouco do paraíso...

    Miguel Esteves Cardoso escreveu certa vez que “Viver é um favor que não se sabe quando acaba - nem como pagar - mas que se sabe, logo à partida, que vai acabar antes de nos apetecer. Todos os dias sinto que foi mais um dia que me foi dado e, ao mesmo tempo, mais um dia que me foi subtraído, que jamais hei-de recuperar”.

    Este país dá muita importância à energia hidroelétrica pelo que foi construindo várias barragens ao longo dos anos sobretudo na zona do “Valais” onde eu encontro “mon bonheur”, vai daí achei que seria uma boa ideia começar a programar voltas que me conduzissem a esses fantásticos monumentos.

    Após algumas pesquisas a sorte recaiu nestas três (para mais informações, clicar p.f. nos textos).

    “Barrage de Mauvoisin” com 250 mts de altura e encontrando-se a 1'975 mts de altitude.

    “Barrage de la Grande Dixence” com 285 mts de altura e encontrando-se a 2’365 mts de altitude.

    “Barrage de Moiry” com 148 mts de altura e encontrando-se a 2’249 mts de altitude.

    O grande handicap para um tipo como eu que não possui carro é o fator transporte e respetivas ligações entre comboios e autocarros. Para esta volta falamos de cerca de 2h40 em transportes (comboio + autocarro) só para atingir o ponto de partida :), para além de que a partir de uma certa altura do ano embora haja comboios, não há autocarros a circular. Esta situação deve-se a que falamos de estradas de montanha bastante estreitas em que normalmente só passa um veículo de cada vez. Imaginem-se naqueles filmes de aventuras que se passam na América do Sul em que quando olham através do vidro só vem a ribanceira, pois aqui embora na Europa é a mesma cena. Admiro sinceramente a capacidade de condução destes motoristas, por vezes são apenas 5 cm que fazem toda a diferença. Neste caso foram cerca de 40 min de viagem desde a última paragem de comboio até ao local de início da volta. Já agora os enjoos e vómitos são garantidos para aqueles que como eu sofrem com o ziguezaguear da estrada.

    A volta arrancou na barragem de “Mauvoisin” a 1’975 mts, daí seguimos junto ao lago até à extremidade, depois prosseguimos até à “Cabane de Chanrion” a 2’462 mts e como se fazia tarde e o tempo estava a mudar muito depressa, decidimos regressar pelo mesmo caminho acabando por abandonar o regresso pela outra encosta.

    Quando idealizei a volta pensava realizar +/- 30 kms, mas como no final não estávamos satisfeitos (eu e o companheiro Luís), decidimos que pedalaríamos até “Le Châble” a 710 mts onde apanharíamos o comboio que nos conduziria a Lausanne; acabamos finalmente por realizar cerca de 50 kms.

    Efetuamos cerca de 1.010 mts de acumulado de subida (somente em quase 15 kms) e +/- 1’980 mts de desnível negativo.

    Como poderão constatar pelas fotos, foi um daqueles dias, com muito sol em todo o percurso, não esquecer que estamos em alta montanha em finais do mês de Agosto de 2016, portanto andamos por zonas desprovidas de árvores e ao mesmo tempo apanhamos zonas com muita sombra (encosta) em que realmente tivemos frio, aliás as temperaturas previstas para o dia eram de 7°C mínima e 14°C de máxima.

    Confesso que há já quase uma semana que “je tourne autour du pot” sem conseguir encontrar a inspiração ou as palavras certas para descrever todos os sentimentos e emoções que sinto quando revejo estas fotografias.

    Não sei se já passaram por isso, mas por vezes quando os locais visitados são de tal maneira belos e absorventes e mesmo que sejamos detentores de um vocabulário copioso não há palavras que consigam descrever o que realmente vivenciamos. Só mesmo estando lá. Assim sendo, compreenderão melhor a expressão adulterada “uma imagem vale mais que mil palavras mas neste caso não” ;).

    Eis parte dos registos do dia 20 fotos + 20 fotos no post seguinte (restantes encontram-se na página Bravos do Pelotão, ver crónica Nº082).

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    Continua a seguir no post 765...
     
  5. AFP70

    AFP70 Active Member

    Em “Mauvoisin” vislumbrei um pouco do paraíso...

    Continuação do post 764…

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    Termino esta crónica com uma tirada de Ricardo Reis “Amo o que vejo porque deixarei qualquer dia de o ver”.

    Em verdade vos digo, enquanto por cá andar, hei-de cá regressar por diversas vezes “alone” ou acompanhado, para além de que ainda não consegui completar como poderão constatar em crónica oportuna a minha “circum-pedalação” da zona :).

    Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

    Alexandre Pereira
    Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…
     
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  6. davidream

    davidream Active Member

    Viva!
    Como sempre deslumbrantes cenários! a penúltima foto então :cool::)
    Keep it going!
     
  7. RTC

    RTC Super Moderador

    Se não me engano - e corrige-me se estiver errado - parte desse percurso é percorrido no Grand Raid Cristalp. Tenho a vaga ideia de ter ficado deslumbrado com esse cenário. :D
    Um abraço ;)
     
  8. AFP70

    AFP70 Active Member

    @RTC,

    Lamento mas não se trata do “Grand Raid Cristalp”, nesse também se passa num lago mas é no “Lac de Moiry” a caminho de “Grimentz”. Track e mais informações disponíveis em https://connect.garmin.com/modern/course/7185344 .

    Irei posteriormente postar uma crónica de parte desse trilho para recordares velhos tempos quando por aqui andaste ;). Vocês fizeram-no a descer enquanto eu fi-lo a subir, claro está que tudo depende sempre de que lado estamos da montanha :), isto porque quando sobe de um lado é garantido que desce do outro ;). Já efetuei o preview dessa volta na página 37 deste tópico, ver post 726. Dá uma vista de olhos quando puderes.

    Um grande abraço,
    Alexandre Pereira
     
    Last edited: 16 January 2018
  9. AFP70

    AFP70 Active Member

    Em “Zurich” fiz as pazes com o meu passado “Waldegguiano”...

    Mais tarde ou mais cedo todos temos de enfrentar os nossos fantasmas e acreditem não vale de nada fugirmos, estes acabam sempre por nos encontrar onde quer que estejamos.

    No meu caso passaram quase 6 anos para que me dignasse voltar às minhas origens aqui pelas Terras Helvéticas, acreditem não foi fácil, aliás regressei porque a família desejava conhecer o local onde tudo começou.

    Quando lá cheguei deu-me um aperto no coração, sabem daqueles que até parece que este nos vai sair pela boca afora. Na altura costumava chamar ao lugar o meu “Alcatraz”.

    Acredito que na vida todos nós temos de passar por privações isto para darmos muito mais valor a tudo o resto e à própria vida. Trabalhar nesse lugar permitiu-me pôr à prova a minha imensa capacidade de encaixe assim como a relativização de tudo aquilo que de menos bom nos acontece.

    Cumpri aqui uma “pena” de quase 14 meses pelo que o que se passou aqui morre aqui :), sei que nunca encontrarei as palavras corretas para transcrever tudo aquilo porque perpassei, só mesmo passando por elas como diz o povo.

    Chega de choramingar ;) o tempo não volta atrás e como disse alguém “who cares” :).

    A vida é feita destes momentos, não vale a pena pararmos, o caminho faz-se caminhando.

    Como disse alguém “Pode o homem mudar o seu passado? Sim. Não os factos em si, mas a importância que lhes é atribuída. Toda a harmonia e equilíbrios internos serão diferentes.”

    Eis algumas fotos de Turicum.

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    Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…
    Alexandre Pereira
     
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