Crónicas de um Biker deprimido

#1
Crónicas de um Biker em depressão

Depois de alguns meses a ser consultado e medicado, sem pedalar e sem ter vontade sequer de frequentar os Fóruns da especialidade, resolvo desta forma não desabafar mas sim partilhar convosco o melhor "tratamento" para a fase que atravessei e continuo a atravessar neste momento.
Felizmente não são problemas familiares, financeiros ou profissionais.
No seio dos meus amigos do BTT ninguém ainda se apercebeu de nada, uma vêz que não tenho pedalado.
É a primeira vêz que falo sobre o assunto.
Resolvi e determinei que voltaria a pedalar e a desfrutar o que de mais belo esta modalidade tem para nos oferecer, a NATUREZA.
Voltei a pedalar novamente hoje sem destino, sabendo apenas que queria voltar a visitar a minha querida Arrábida.
Começei o "tratamento" já há alguns dias atrás e com a aquisição de bike nova.
Nada melhor que afugentar as tristezas e fazer como as mulheres fazem, indo ás compras...

RCZ RACE SL




-Quadro: RCZ RACE SL tam.20
-Suspensão: Marzocchi MX PRO
-Pedaleira: Shimano SLX
-Parafusos pedaleira: KCNC Gold
-Shifters: Shimano SLX
-Desviador traseiro: Shimano SLX
-Desviador frente: Shimano SLX
-Cassete: Sram PG 970
-Corrente: Sram PC 991
-Caixas direcção: CNC Gold
-V-Brakes/Manetes: Avid Speed Dial 5
-Rodas: Mavic Crossride
-CHavetas: XXF Gold Titanium
-Pneu dianteiro: Specialized Fast Track
-Pneu trazeiro: Maxxis Larsen TT
-Avanço: Race Face
-Guiador: Ritchey Comp
-Espigão selim: Loaded Tige de Selle X-Lite 27.2x400 Gold
-Aperto espigão de selim: RCZ 31.8 Gold
-Selim: BBB Anatomic Design


Comecei a minha volta e a descontrair na Mata da Machada, e como foi bom voltar a sentir o cheiro da terra molhada, voltar a ver os coelhos a fugir mesmo à minha frente e beber água das fontes que a Mata tem para nos oferecer.



Já no final da subida dos autocarros em Vila Fresca de Azeitão parei para comer e refrescar, ao mesmo tempo que via maravilhado o treino de uma rapariga com os seus cavalos e charrete.



Mais à frente mais uma paragem, desta vez longa para meditar e apreciar a NATUREZA no seu explendor.
Apesar do nevoeiro não deixam de ser bonitas as imagens.







Já proximo de Oleiros ia de tal forma concentrado numa subida que quase me escapava mais um belo momento.
A curiosidade do cavalo preto valeu-lhe como prémio uma barra de cereais.





Em breve voltarei a dar noticias do meu "tratamento" e seus beneficios.
Posso garantir que nas 4 horas em que pedalei resultou em pleno, ajudou-me imenso...

Cumprimentos e boas pedaladas...

Jorge Amaro
 
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#4
Na maior parte das situações mais ou menos complicadas da nossa vida, uma volta de bike pelo campo, alivia e até nos faz esquecer um pouco.

Crei que após o esforço, um belo banho, tudo fica um pouco mais claro e simples.

Com uma paisagem não bonita ai tão perto ( e que eu bem conheço) o melhor fazer o tratamento o maior número de vezes possiveis. Belas fotos.

Que tudo se resolva a bem e muita saúde amigo Tripé.
 
#5
Isto de depressões é mesmo uma g'anda ***da!!
E agora que estamos na mudança da estação....
Força aí amigo para saires rápidamente dessa fossa, mas atenção, que falar com uns amigos ou desabafar com a familia ajuda mas nunca é suficiente.
A ajuda profissional + medicamentos são fundamentais nestes casos. Infelizmente as depressões ainda não são consideradas uma doença que dê para meter baixa, mas o mais importante mesmo é tratar delas o quento antes, não deixar agravar a situação, pois com depressão não se brinca.
Mexe com toda a nossa saúde.
 
#7
Realmente já tinha estranhado a tua ausência nos comentários e relatos, mas pensei que seria por questões profissionais… Infelizmente é por questões de saúde.
Apenas resta desejar-te força e coragem para ultrapassar essa depressão, mas tenho a certeza que essa RCZ a aliada a família e amigos serão a cura para a doença.
Abraço
 
#8
Realmente com ou sem problemas não há nada como um bom passeio pela Arrábida para relaxar o corpo e a mente.
Foi o que fiz hoje, andei só em estradões e alcatrão pois sózinho não gosto muito de ir para single tracks, mas mesmo assim foi porreiro.
Camarada Tripé, força no pedal da RCZ e dá um valente pontapé nessa depressão.
 
#10
15/10/2010 2º "tratamento" Mata Nacional da Machada e estradões do Pinhal Novo

Antes de mais gostaria de agradecer as palavras de incentivo e coragem que me têm dado através da crónica, por mensagem privada ou por tlm.
É nestas alturas que vemos e sentimos que os verdadeiros AMIGOS afinal estão sempre lá.

Hoje como o tempo era pouco não arrisquei ir para a Serra e fiquei bem proximo de casa.
Confesso que estava ansioso que chegasse o dia do 2º "tratamento".
Sinto-me realmente bem a pedalar e noto também que pedalar sozinho nestas situações ainda me faz melhor.
Os meus amigos que não me levem a mal, mas há realmente momentos em que precisamos estar sozinhos.

Na volta anterior tinha notado que a Serra já tinha bastante lama e barro, e aproveitei para trocar o jogo de pneus.

Pneu dianteiro: Maxxis Ignitor 1.95 Kevlar



Pneu traseiro: Specialized Houffalize 1.8 kevlar
Adoro este pneu, é um espectáculo em condições adversas e enlameadas.
Pena é que a Specialized descontinuou este pneu, e por isso mesmo ao saber que o iam descontinuar comprei logo 2.



Começei a volta mais uma vez na Mata Nacional da Machada e fiz a paragem obrigatória para beber água.







Continuei a minha volta pela Mata com direito a mais uma paragem junto ao lago.



Ali mesmo ao lado os Fuzileiros iam fazendo má vizinhança com tiros e petardos bem ruidosos.



Bem perto da Mata existe um miradouro, foi aí que tirei esta foto.



Já próximo do Pinhal Novo entrei num tunel por baixo da linha férrea.
É bom para raspar o capacete e perder o equilibrio.



Se for realmente como o nome indica, quero ver se me mudo para lá.





Hoje a Serra ficou lá longe e o Castelo de Palmela em pano de fundo.



Dizem que estão em extinção, e por isso mesmo fiz questão de ir ter com ele.
Este teve azar, já não tinha nada para lhe dar, já tinha comido tudo.





Já estava a ficar de noite, mas ainda deu tempo para ir à chinchada.
Os marmelos sei que são bons, agora as laranjas vamos vêr...







Já cheguei a casa era noite cerrada, mas com mais um "tratamento" concluido.
Posso dizer-vos que estes "tratamentos" me têm ajudado imenso, pelo menos durante as horas em que estou sentado a pedalar sinto um grau de pureza e ao mesmo tempo de limpeza quando estou em contacto com a Natureza.
Descobri novamente como é bom pedalar, mas numa vertente completamente diferente.
Pedalar por prazer e lazer...
Já anseio pelo dia do 3º "tratamento".
Quero vêr se consigo ir até ás Pedreiras de Sesimbra, ou pelo menos lá perto.
Depois digo-vos qualquer coisa...

Um forte abraço a todos e boas pedaladas...

Jorge Amaro
 
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#13
Boas,
Estas no caminho certo com ajuda médica, medicação e com BTT p além da pratica desportiva tens o contacto com natureza a calma e paz que deves precisar.
Certamente com tempo necessário iras ultrapassar essa depressão, e pores para trás das costas independente dos motivos que possam ter.

Força companheiro do pedal e vai dando noticias.;)
 
#14
“ mens sana in corpore sano”
Já diz quase tudo.

O resto é aquilo que quem pratica desporto já sabe: o exercício físico liberta no cérebro substâncias (endorfinas) que proporcionam uma sensação de paz e de tranquilidade, bem-estar e prazer.

Associado a isso, é ainda importante praticar uma modalidade na qual a pessoa se sinta bem e que goste para evitar a frustração e ajudar a afastar-se temporariamente dos problemas e da tensão.

Boa escolha para "tratamento", pois claro !!
 
#15
19/10/2010 3º "tratamento" Perdido na Arrábida

Bem amigos, este 3º "tratamento" deu para tudo, desde andar a fugir de 2 cães que saltaram o muro de uma casa, andar perdido no meio da Serra e a uma queda sem consequencias de maior.
Era minha intenção ir até ás Pedreiras de Sesimbra mas... :nsei:
Começei desta vez a entrada pela Serra pelo Parque das Merendas bem próximo de Azeitão.



Ainda dizem que não se pode construir na Serra, esta é apenas uma de muitas construções que se encontram por lá. :evil:



Não sei porquê mas a certo momento resolvo entrar num outro trilho convencido que iria dar ás Pedreiras de Sesimbra.
De repente cerca de 20 min. mais à frente dou por mim perdido no meio do nada e com o tlm a dar sinal de operador sem rede.
Confesso que me senti meio assustado quando paro e não oiço absolutamente nada, nem os pássaros. :eek:mg:
Andei mais uns metros e começei a ouvir lá bem ao fundo o motor de um barco de pesca e pensei, devo estar próximo do mar para ouvir o motor...
Tento seguir o som e entro num trilho a subir com imensa pedra, onde no regresso me espalho ao comprido ao prender a roda da frente num calhau, a parte traseira da bike levanta e aí vai ele de boca... Felizmente apenas um hematoma no joelho.
O som do motor estava cada vez mais próximo e no final da subida deparo-me com esta
maravilha onde fiz uma longa paragem. :venia::venia::venia:
Sabia mesmo bem estar ali, uma paz de espirito... Só mesmo estando lá para presenciar e testemunhar o momento.













Depois de recomposto da queda segui o meu caminho com o intuito de ainda ir ás Pedreiras ou pelo menos lá próximo.
Por este andar qualquer dia começamos a pagar portagem na Serra. :stop:



Olho para o relógio e verifico que está a ficar bastante tarde para continuar até ás Pedreiras.
As Pedreiras ainda estavam bem lá longe.



Aos poucos vou deixando a Serra para trás regressando a casa. :xau:



Utimamente tenho-me cruzado com imensos cavalos, aqui estão mais alguns.
Os da 2ª foto eram bem bonitos, ainda jovens com poucos meses.











Já eram quase 14h quando conclui o meu 3º "tratamento".
Andei perdido na Arrábida, mas valeu bem a pena. :exacto:
Noto que aos poucos e com muita força de vontade e espirito de sacrifiçio me vou sentindo cada vez melhor a cada dia que passa com a ajuda do "tratamento".

Cumprimentos a todos e boas pedaladas... :xau:

Jorge Amaro
 
#20
Boa terapia!

A serra Mãe ainda tem muito para te oferecer. Podes também estender as pedaladas até ao Espichel.

O sinal da foto significa proibido a motociclos.

Felizmente em Portugal ainda temos muito trilho livre para pedalar.