[Crónica] Vou chamar-lhe Culto- BTT

#1
O sentimento de tempo perdido apodera-se do nosso pensamento quando as cronicas não traduzem a obrigação que sentimos em transmitir as nossas rábulas betetistas.
Vou tentar fazer uma uma incursão diferente deste mundo incompreendido por muitos e entendido por aqueles que o praticam vou chamar-lhe culto-btt.....

Depois de algum tempo na prática deste desporto, entro numa Visão diferente do btt , aquela em que deixa de fazer sentido a velocidade a que descemos, ou a cadência em que subimos. A forma física é preocupação, mas no sentido de traduzir a pedalada no prazer que nos dá observar o espaço que nos rodeia e compreender a história, lendas, geologia, vegetação e costumes praticados pelos presentes e antepassados dos locais por onde vamos passar.

Domingo 23 de Fevereiro 2009, mais uma vez os comparsas Myrage; Vanderbike e Paulinho Btt se juntam para um passeio de Domingo.....

A proposta, Visitar a serra D Arga.
Partida do centro náutico de Ponte de Lima, seguindo a ecovia que nos levaria ás lagoas de Bertiandos, S Pedro Arcos, aí começa a subida para a Capela de Santa Justa, continuando até ás minas Do cavalinho (Cabração) entretanto passando pelo Cerquido..

Ponte de Lima (rio)


Rio Lima, também conhecido por Rio Lethes (traduzido rio do esquecimento)...
Umas das muitas lendas, mais haveria para contar mas fica a mais conhecida...
Os Romanos acreditavam que entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos havia uma fronteira. Essa fronteira era o rio Lethes, também chamado rio do esquecimento porque as suas águas tinham como efeito apagar a memória, fazer esquecer tudo o que acontecera em vida.
As almas dos mortos reuniam-se à beira do rio, aguardando a sua vez de beber um gole de água, e só depois entravam na barca que as levaria à outra margem.
No ano de 136 a.C. um exército romano comandado por Décios Junos Brutos fez muitas conquistas no território que veio a ser Portugal.
Os soldados atravessaram o Tejo perto da ilha de Almourol, depois atravessaram o Zêzere, o Mondego, o Vouga, o Douro sem problema nenhum. Mas por qualquer motivo que se desconhece, quando se aproximaram da margem do rio Lima ficaram aterrorizados e recusaram-se terminantemente a sulcar aquelas águas, porque se convenceram de que aquele era o tal rio Lethes, o rio do esquecimento que conduzia ao mundo dos mortos! Brutos, não conseguia convencê-los do contrário, então para dar o exemplo, atravessou para o lado de lá, levando consigo apenas o estandarte com as águias, que era o símbolo do Império Romano.
Chegando à outra margem, pôde acenar e gritar que estava vivo e não se tinha esquecido de nada... Só então os soldados resolveram segui-lo...


Lagoas De Bertiandos



Este espaço normalmente divide-se em duas zonas:
a) a zona das tapadas, onde se inserem as lagoas, uma maior na margem direita com uma área e inundação permanente/semi-permanente, de cerca de 8,3 ha, e outra menor na margem esquerda com inundação sazonal e o Rio Estorãos bordeado com galerias de vegetação ripícola; em torno destes elementos surgem áreas de pastagens naturais normalmente limitados por sebes de compartimentação à base de folhosas; formam-se ainda neste espaço bosquetes, em expansão, de folhosas e árvores isoladas de resinosas, com excepção na colina existente contígua à lagoa maior, onde existe um povoamento florestal à base de pinheiros;
b) e a zona das veigas; a veiga de Bertiandos e a veiga de Sobreiro onde se pratica a sucessão de milho, cultura sachada na Primavera/Verão, e azevém e/ou outras gramíneas no período de Outono/Inverno; embora em áreas muito reduzidas, encontramos ainda pequenas manchas agricultadas, com vinha em bordadura ou olival disperso, nas zonas limítrofes.
Segundo a classificação da Convenção sobre Zonas Húmidas (Ramsar 1971), as LBSPA é um zona húmida continental, dentro dos quais se destacam os lagos de águas doce temporários ou sazonais (com mais de 8 ha) e lagos em vales de cheia, por serem um exemplo raro natural na região biogeográfica onde se inserem. Estes lagos inserem-se num sistema essencialmente lacustre com predominância da vegetação aquática emergente não persistente dentro dos quais é possível verificar a existência de manchas palustres e/ou vegetação emergente persistente ou arvoredo.

Serra d'Arga

Capela Santa Justa e os seu cruzeiros (via Sacra)







Na chã dum dos montes xistosos, entre o dorso da Arga e o castelo da Formiga, subsiste a capela de Santa Justa, à qual, em 19 de Julho, concorre muito povo em romaria, inclusive da Galiza. Como advogada da esterilidade feminina, oferecem-lhe principalmente frangos e frangas brancos.»

Cerquido







Lugar pertencente á freguesia de Estorãos perto deste local encontramos o fojo do cerquido (armadilha utilizada para apanhar lobos).....
As comunidades rurais do nosso país desenvolveram diversas variantes técnicas destas armadilhas; na sua forma mais simples, o fojo do lobo era uma funda cova aberta no chão, geralmente de planta circular, que poderia beneficiar de um aparelho em pedra, assemelhando-se a um largo poço. A cova era disfarçada com vegetação ou provida de um mecanismo de queda despoletado pelo peso do lobo, sendo deixado no seu interior um isco vivo ou morto destinado a atrair o predador. Estes fojos podiam também ser utilizados como complemento de batidas populares, sendo nesse caso preparados numa zona pela qual se esperava que os lobos passassem ao fugir de uma linha de batedores, que os acossava desde os vários locais que se supunha frequentarem.






Minas do cavalinho (Cabração)
Os mais velhos ainda se lembram das histórias do volfrâmio, tão explorado nas nossas redondezas. Das pessoas que fumavam charutos embrulhados em notas do Banco de Portugal. Dinheiro fácil num tempo de miséria quase generalizada, em que os ricos (sem contar com estes traficantes de minério) estavam bem abaixo dos pobres de hoje. O preço que era pago para prestar vassalagem na segunda guerra mundial....





Que me perdoem os meus companheiros neste tipo de abordagem ás nossa pedaladas, muito mais haveria para dizer mas o sono tomaria conta dos leitores deste ensaio a reporter...

http://www.youtube.com/watch_video?v=DHeArdz-vMw


Boas pedaladas
Van
 
#2
Re: Vou chamar-lhe Culto- BTT

Mas que bela escrita/descrição/fotografia/prazer... o que mais dizer...

Venham então as fotos e desde já, simplesmente... Parabéns!

HR
 
#3
Vanmano Saraiva é um conhecido divulgador da História Limana.
Deste modo, começou a exercer as funções de Historiador-Biklista e, actualmente é membro da Serra-Trilhos.
Foi distinguido em Ponte de Lima com a Grã-Cruz My Rage.
Em contrapartida, carrega uma a uma, para assim enriquecer uma cultura para além do presente, para além do lógico, e para além do “éjali”

A sua cultura de manifestações Pedalantes que contrastam com a natureza.




Posto isto, vou descruzar a Perna. E ventilar o espaço carregado de essência alucinogénica.

MY
 
#5
A banda sonora não foi exactamente aquela que eu esperava. O pobre do pescador quase era cuspido do barco com os vagalhões induzidos pela guitarrada, os sorrisos dos gajos de lycra tremeram nos seus cantos com o bater da bateria, as cruzes, essas, nem me cabe a mim, mero ateu, dizer quanto dobraram...
 
#6
Parabens :wink: uma forma diferente e original de relatar um passeio e que ultimamente e curiosamente vejo o BTT.
Não apenas a velocidade, a cadencia ou os km's percorridos mas sim disfrutar das paisagens e das coisas boas que o BTT nos dá, a "solo" ou acompanhado :wink:
 
#7
Myrage said:
Posto isto, vou descruzar a Perna. E ventilar o espaço carregado de essência alucinogénica.

MY
Serão sulfurosos, serão bufos, ou uma sola mal lavada?
Sugiro Pankreoflat ou então umas mezinhas de cidreira...............

lobo solitario said:
, as cruzes, essas, nem me cabe a mim, mero ateu, dizer quanto dobraram...
Apesar de sentimentos idênticos em relação ao supremo......
Em tempos li num blogue "No Covil do Lobo Não Há Ateus"....
Achei o titulo do blogue interessante ....... de quem será a razão?

Do ateu?

Ou ....

Será do Sr. Lobo?