Centro de Gravidade

#1
Olá colegas,

A fim de desejar emagrecer um pouco a bicicleta (sem listas de componentes, pois ainda não tenho ideia do € que pretendo gastar), venho perguntar aos mais entendidos onde devo encontrar o centro de gravidade ideal?? Pretendo através das vossas respostas saber se preciso emagrecer mais na traseira ou na frente.

Será sobre uma linha imaginária sobre o eixo pedaleiro? Será mais para a frente? será o ponto médio entre o eixo imaginário do espigão e o guiador?

Espero que esta questão seja pertinente.
Desde já obrigado,
Bruno Silva
 
#2
Conheço um colega que mudou na bicicleta de uma vez o guiador, avanço e suspensão e ele dizia que a bike não lhe dava segurança da maneira que estava! Não sei se isso se aplica a toda a gente, também podia ser de não estar habituado à suspensão ou algo assim. Não sei muito sobre isto.
Espero ter ajudado um pouco...
Abraço
 
#3
Pertinente essa questão. Contudo, tens que perceber que para falar de centro de gravidade numa bicicleta, tem que se falar do conjunto ciclista / bicicleta, pois actuam em conjunto (em todos os veiculos isso acontece). O problema é que a percentagem de peso do ciclista face à percentagem correspondente da bicicleta, faz com que a duvida que tens não seja tão significativa, sendo que para mais, o centro de gravidade é móvel, pois depende da tua posição na bike. Daí que se assumam diferentes posições na bike, consoante olocal onde se está a pedalar. Numa descida coloca-se o peso na traseira, por exemplo, numa subida passa-se alguma da massa do corpo para a frente para ela não levantar, etc...

Obviamente que o peso da bicicleta também influi, mas numa percentagem bastante pequena face ao ciclista, e para além disso, o peso que tu podes tirar numa operação de adelgaçamento, é sempre ainda mais irrisória. Imagina que queres tirar peso na frente, substituis a suspensão e tiras 300g, imagina. Isso é de tal forma irrisório, que é desprezivel, face ao peso que tu próprio podes colocar na frente com a transferencia de peso para esse eixo apenas pela colocação do corpo.

Ainda em termos de centro de gravidade, convém dizer que isso não é uma linha ou um eixo, mas sim um ponto definido tridimensionalmente (horizontal, vertical e transversal). Claro que numa bike, pode-se desprezar a questão transversal (se bem que existe) porque os pesos estão quase equilibrados sobre esse eixo. Mas se quiseres ter esse tipo de preciosismo para análise do centro de gravidade, diria que o ideal seria teres esse ponto o mais baixo possivel (para incremento da estabilidade) e depois, horizontalmente, dependeria do meu estilo de condução. MAs como disse, acho um preciosismo e desprezável.

Em relação ao local onde deves tirar peso, diria que em toda a bike, a começar por tudo o que gira. Enfim, depende sempre dos orçamentos, e também da funcionalidade que pretendes. Imagina que tens uma suspensão má, obviamente que por uma questão de eficácia, seria um bom upgrade. Mas também é das peças mais caras numa bike...
 

Jepas

Super Moderador
#4
Boas,

não te preocupes com o centro de gravidade, pois, como foi muito bem dito, a deslocação do teu corpo vai anular qualquer diferença na bike. Trata de emagrecer as rodas/pneus que são o sítio onde é mais barato e se nota mais. No fim vais acabar por alterar tudo, acredita, por isso o centro de gravidade vai voltar ao sítio. Ou pensas comprar só 1 pneu ou 1 roda de cada vez?

Jepas
 
#5
Peso rotacional, como já foi dito. Esse sim tem influência.
Não te esqueças que para moveres qualquer componente da bicicleta, este tem de receber uma força longitudinal, para se deslocar para a frente. Mas se for por exemplo uma roda, não tem só movimento longitudinal, tem também o movimento rotacional, logo nao só gastas força para a deslocar como para a rodar.
 
#6
Desde já muito obrigado!

Concerteza que, como já foi dito, a retirar peso é às rodas, aos pneus, aos discos, à pedaleira, ... a tudo o k gira.
Questionei isto pois no final pretendia ficar com a bicicleta equilibrada com os upgrades que lhe pretendo colocar.

Mais uma vez obrigado pelo esclarecimento!
Bruno Silva
 
#7
a pessoa que trocou avanço, volante e suspensão provavelmente achou a bicicleta insegura pelas seguintes razões:

- volante mais curto, a bicicleta ficou mais sensível. Experimenta andar num volante de 680 por exemplo e depois mudar para 580 e nota-se a bicicleta muito mais sensível e "perigosa" se não tiveres habituado.
- avanço mais curto, também dá um efeito mais sensivel. na minha troquei um de 130 por um de 90 e notei bastante a diferença, tanto que até me doía as costas, acabei por testar outros tamanhos e fiquei com um de 100. Aqui basta 1cm para fazer a diferença
- a suspensão pode ter um comportamento diferente da anterior, podia estar com muito rebound e depois dos impactos "cuspia". Ou estava com uma pré-carga errada. A malta das lojas diz que uma suspensão deve recuperar rapidamente mas sem "cuspir"...

Ou seja o teu colega mexeu em 3 sítios que se não souber o que está a fazer pode estragar por completo o comportamento da bicicleta, como a malta disse não é o facto de ela ter ficado mais leve que afectou isso.

Pensei agora numa coisa, tenho duas balanças de casa de banho e um dia destes vou-me meter em cima das duas com a bicicleta (uma roda em cima de cada balança) e tentar meter-me para a frente e para trás para perceber como o peso se distribui pelas duas balanças, deve dar um resultado engraçado...
 
#9
O BTT é um dos desportos em que o centro de gravidade é alterado propositadamente para que se tire o melhor rendimento. Isto é, por vezes convém que este esteja ao centro, outras vezes mais à frente e ainda outras mais atrás. Para imaginar um caso extremo do centro de gravidade imagina quando se saca um cavalinho... Onde é que o centro de gravidade está?
É por isto que é um desporto espectacular, cheio de dinâmica de movimentos, de massas, de forças, etc. etc. etc...

Por isso, salvo melhor opinião, o centro de gravidade é insignificante, não é por teres mais 500 gramas na parte da frente que te vai influenciar o andamento.



Tiago
 
#10
Boas,

Concordo com tudo o que foi dito sobre o centro de massa, mas atenção a uma coisa!
Quando se fala em rotações (discos, rodas, pneus, câmaras de ar, etc) o "fundamento" físico em questão chama-se momento de inércia.

O que o momento de inércia?
"Em Mecânica, o momento de inércia mede a distribuição da massa de um corpo em torno de um eixo de rotação. Quanto maior for o momento de inércia de um corpo, mais difícil será fazê-lo girar. (...)"

Este conceito está relacionado com centros de massa, embora seja diferente!

Por exemplo:
Dois disco idênticos (mesmo diâmetro, mesma furação) vai ter menor momento de inércia aquele que tiver menor peso, ou seja, menos energia será necessária para o colocar em movimento.
Por isso é que a malta diz que quando muda para umas rodas mais leves a bike apresenta acelerações mais rapidas, ou seja, para a mesma potência a velocidade vai ser maior!

Mas atenção! Continuando o exemplo anterior, para discos diferentes, basta que a furação seja diferente e embora tenham o mesmo diâmetro, vai alterar o momento de inércia! Porque? A posição dos furos muda em relação ao referencial considerado, logo o momento de inércia muda porque a distância é alterada (aplicação o teorema dos eixos paralelos).

Este assunto é extremamente complexo não é tao linear como algumas pessoas pensam. Na minha opinião um disco X pode ser um momento de inércia menor do que um disco Y, apesar deste último ser 10gr mais leve.


Espero nao ter sido muito confuso e ter ajudado ;)

Abc,
Alex
 
#12
O que queres dizer, é que se por exemplo um disco com 90g pode ter menor momento de inercia do que um de 80g, se o de 90g tiver o peso localizado maioritariamente nas proximidades do centro e o de 80g maioritariamente na extremidade?
É por isso que o peso dos pneus e aros é mais importante que o dos cubos e discos, as distâncias em relação ao eixo são muito diferentes.
 
#13
O que o Rider88 queria dizer é que para o momento de inércia conta, não a massa, mas a distribuição da massa em torno do eixo de rotação. Por exemplo, considerando duas rodas com a mesma massa, tem menor momento de inércia aquela que tiver a massa concentrada mais próximo do cubo; tem maior momento de inércia aquela que tiver a massa distribuída na região periférica mais próximo do aro. O que queremos é aros leves, pneus e câmaras leves. A massa dos raios é importante mas já conta menos para o momento de inércia e a massa do cubo influencia muito pouco.
Tenho visto aqui muita discussão em torno de rodas leves. Em alguns casos os pesos de duas rodas distingue-se apenas pelo peso dos cubos. Quando assim é, o momento de inércia práticamente não é afectado. Isto para além de que a qualidade do cubo ao rolamento tem uma importância enorme e pode compensar.

Como já todos disseram, o centro de gravidade é determinado pela técnica do ciclista. Mas também aqui não é apenas a massa e a sua distribuição que conta. Isso só é verdade quando a bicicleta está parada. Em movimento todas as forças aplicadas contribuem para a posição do centro de massas. Quanto mais leve for a bicicleta e maior o seu rendimento mecânico, menor é o número de forças “parasitas” e mais liberdade fica para o ciclista, com a sua técnica, influenciar a posição do centro de gravidade.
 
#14
Sim Ficaçador é exactamente isso!

O cubo não influencia muito o momento de inércia da roda porque a sua distância ao eixo de rotação (eixo da roda) é muito pequeno, cerca de 3 ou 4cm, enquanto que, a distancia entre o aro e o eixo de rotação é bastante maior!
A distancia a considerar para o momento de inércia do cubo é apenas o seu raio e não o diâmetro, porque o centro de massa do cubo (apenas do cubo) é coincidente com o eixo de rotação.

Logo ter um cubo de 200gr ou 250gr deve ser quase a mesma coisa, so fazendo as contas, o que nao deve ser nada divertido :choneh:

ALNM nao percebi o que querias dizer com a qualidade do cubo ao rolamento... Aerodinâmica?

Abc,
Alex
 
#17
Formado ainda não sou em nada! Ainda agora acabei o 12º!

Isto do centro de gravidade lembrou-me de outro assunto,o qual já tinha pensado antes: Alguém sabe andar de bicicleta?
Digo, teoricamente!
É que já quando se ensina alguém, não se ensina nada, apenas se costuma dizer dá aos pedais e equilibra-te!
Falando lateralmente, penso que é uma combinação da inclinação do nosso corpo (lá está, o centro de massa) com aquilo que viramos no guiador.
Porque, se assim for, é uma questão de anulação de forças. Ao começarmos a caír, viramos ligeiramente para o lado para onde o nosso corpo vai a pender, a alteração no movimento da nossa bicicleta e do nosso corpo com a inercia destes provoca o que conhecemos por forças G, que vão anular a inclinação do nosso corpo até à posição inicial.
Para curvar é a mesma coisa, quanto mais forças G provocar a curva, mais inclinamos o nosso corpo, dando assim precisão suficiente para conduzirmos as nossas bikes.

Se houver algum voluntário para testar isto, é só prender a direcção em frente e tentar andar de bike!

Ainda bem que o equilibrio acontece naturalmente, se não ía-mos todos de calculadora para os trilhos!
 
#18
Rider88, é verdade o que dizes em relação à inércia. Contudo, o que dizes em relação às rodas mais leves e tal, pode não ser bem tão linear como as pessoas pensam. Podes ter umas rodas mais pesadas, e terem menos inércia que umas mais leves. Sei que é a isso a que te referes com os discos (exactamente a mesma coisa) mas isto serve para todos percebermos que o peso de umas rodas, não é por si só, indicador de terem menos momento de inércia. Isso tem a ver com o peso dos cubos, dos raios e dos aros, ou seja, da distribuição do peso ao longo de toda a roda, desde o eixo até ao perimetro exterior do aro. Ou seja, umas rodas mais pesadas, mas com uns aros mais leves, podem ser melhores (do ponto de vista de inércia) que umas rodas mais leves, mas com uns aros mais pesados (por exemplo), como o Ficaçador diz.

Outra coisa que interessa salientar, é que o momento de inércia que é necessário suplantar para colocar as rodas em movimento e aplicar aceleração nas mesmas, comporta-se da mesma forma no momento em que já vão embaladas. Isto tem dois efeitos. Um é que torna mais dificil a desaceleração (se bem que seja desprezivel, comparando a aceleração que conseguimos impor pela pedalada, com a aceleração "negativa" aplicada pelos travões, que é imensamente superior e o peso das rodas não vão priovocar um efeito que se note nesse aspecto). A outra tem a ver com, depois de ser atingida determinada velocidade, umas rodas mais pesadas, mantêm em teoria essa velocidade mais facilmente, o que até dá jeito... Claro que numa BTT, interessa mais a resposta à pedalada.... Mas nunca devemos esquecer isto.

Mas acima de tudo, antes de se investir em rodas, o principal é investir em pneus leves, conversões para tubeless, etc. É aí que se consegue tirar um peso considerável, o mais afastado do centro da roda possivel, por forma a incrementar a resposta à pedalada e com um custo consideravelmente razoável, principalmente face ao que umas boas rodas custam.
 
Last edited:
#19
Boas,

Desculpem mas nao pude responder antes, tenho andado com pouco tempo.

(...) Isso tem a ver com o peso dos cubos, dos raios e dos aros, ou seja, da distribuição do peso ao longo de toda a roda, desde o eixo até ao perimetro exterior do aro. Ou seja, umas rodas mais pesadas, mas com uns aros mais leves, podem ser melhores (do ponto de vista de inércia) que umas rodas mais leves, mas com uns aros mais pesados (...)

Fitty77, foi isto que eu dei a entender com o exemplo dos cubos, dizendo que o seu peso nao é muito importante no valor final do momento de inércia total do conjunto (roda + cubo + raios).
O que realmente importa é a massa do elemento mais distante do eixo de rotação, ou seja, o aro!

Nao percebi onde e porque discordas comigo... :roll:

Cumps,
Alex
 
#20
Boas,

Desculpem mas nao pude responder antes, tenho andado com pouco tempo.




Fitty77, foi isto que eu dei a entender com o exemplo dos cubos, dizendo que o seu peso nao é muito importante no valor final do momento de inércia total do conjunto (roda + cubo + raios).
O que realmente importa é a massa do elemento mais distante do eixo de rotação, ou seja, o aro!

Nao percebi onde e porque discordas comigo... :roll:

Cumps,
Alex

lol... Não discordei... Apenas reforcei o que disseste (desculpa se foi isso que dei a entender, mas repara que até disse "Sei que é a isso a que te referes com os discos"...). ISto porque muita gente quando compara o peso das rodas, compara sempre o peso total, quando rodas com o mesmo peso podem ter comportamentos dispares (por exemplo, as SLR vs Red Metal Zero, possuem mais ou menos o mesmo peso, mas as SLR são mais rápidas em acelerações, ao passo que as Red Metal Zero são mais robustas e rigidas, revelando que as SLR provavelmente terão menos peso nos aros, enfim, é apenas um exemplo), ou seja, a distribuição dos pesos também importa. Mas muitas vezes, a culpa acaba por ser do fabricante, que não revela essa distribuição (tirando montagens de rodas, onde sabemos o peso de cada peça).

Ou seja, o que importa tirar é que estou completamente de acordo com o que disseste, e é essa a nota que deve ficar.

Abraço

Filipe