Caminho Português de Santiago by Super.Byke – 10 a 14 Agosto 2011

#1
A motivação
Ando à mais de 20 anos de bike, sempre em roda fina, mas apesar de já ter percorrido Portugal de Norte a Sul nunca tinha ido a Santiago. A juntar a este meu desejo estava também a vontade de um familiar de 62 anos, que apesar de alguns problemas de saúde, também queria fazer esta aventura, e como tal eu teria de seguir ao seu ritmo.
Vai daí que lá comprei a minha “gorda” para fazer esta aventura!!!:p
 
#2
Planeamento – o transporte do material de suporte à “expedição”

A primeira preocupação foi decidir o que utilizar para transportar o material necessário de suporte à “expedição”.

Colocou-se a questão “Alforges ou mochila?”

A questão ficou facilmente resolvida depois de ler alguns relatos e verificar que a minha bike não suportava a aplicação de suportes (a menos que utilizasse alguma engenharia caseira), visto se tratar de uma Scott Scale 50.
A escolha recaiu na mochila da Decathlon de 17L depois de ler algum feedback sobre a mesma.
A mochila sem o “camelbag” para a água (que não usei) pesa 600g


O que levar???

O próximo passo foi decidir o que levar. Ciente que não podia levar a casa às costas e que me deveria limitar à capacidade da mochila, a lista foi elaborada de pois de passar por mais algumas leituras sobre o tema colocada por outros “peregrinos”.

A mochila ficou então com:
1 calças desportivas muito leves + 1 camisola manga curta + 1 camisola manga comprida (para usar no final do banho e “passear” pelos locais onde pernoitei. Tudo material desportivo super leve adquirido na De..…on)
1 equipamento de ciclista suplente (camisola + calções)
1 par manguitos
1 corta vento
1 impermeável
1 par chinelos
1 camisola manga curta (para dormir)
2 pares de meias
2 pares de boxers
1 toalha
1 sabonete
Escova dos dentes
Protector solar
1 carregador de telemóvel
1 máquina fotográfica
1 kit “tapa furos”
2 barras energéticas
4 cubos de marmelada
Sais para colocar no bidon

Isto tudo fazia um saco com 3 kg

Na bicicleta coloquei:
o saco cama (700g) amarrado ao guiador
no saco do selim 2 camaras de ar + desmontas + embalagem com óleo para lubrificar a corrente
2 cadeados enrolados no espigão
Finalmente cartão do cidadão, dinheiro, telemóvel, multibanco e cartão europeu de seguro de doença nos bolsos da camisola e credencial do peregrino.
 
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#3
As etapas

As etapas não estavam definidas, apenas sabíamos que no 1º dia queríamos fazer Porto – Ponte do Lima para podermos pernoitar em casa de família, os restantes dias seria decidido no próprio dia, em função das nossas vontades e disponibilidade dos albergues.

As etapas acabaram por ser
1ª Porto – Ponte do Lima
2ª Ponte do Lima – Mós
3ª Mós – Pontevedra
4ª Pontevedra – Padrón
5ª Padrón – Santiago

1ª Porto – Ponte do Lima

Etapa mais comprida que fizemos. Até Barcelos os pontos de interesse são poucos e o paralelo abunda que até chateia. De Barcelos para a frente é mais interessante sendo que a passagem no rio Neiva deixa recordações pela vontade que tinha de lá dar um mergulho.
Esta etapa terminou com um belo arroz de sarrabulho e um belo empeno para o meu parceiro de viagem.



2ª Ponte do Lima – Mós

Igualmente dura, esta etapa fica marcada pela serra da Labruja que me deixou fascinado pela beleza e dureza. A parte que menos gostei foi a passagem pela zona industrial de Porrinho sobre um sol escaldante. Inicialmente queríamos ficar em Porrinho, mas como o albergue já estava cheio fomos até Mós, onde comemos um belo de um bife no snack lá da zona.












3ª Mós – Pontevedra

Como queríamos passar algum tempo conhecer Pontevedra decidimos que mesmo sendo uma etapa curta ficaríamos lá. Isto permitiu termos muito tempo para fazer a viagem e visitar a cidade. Ao mesmo tempo tivemos imenso tempo para ir parando ao longo do percurso e conversar com muitos peregrinos.
Em Pontevedra o albergue estava cheio, pelo que fomos enviados para um pavilhão desportivo onde pernoitamos. Ao princípio ficamos algo frustrados pois ficamos privados de conversar com os peregrinos que lá estavam, mas posteriormente percebemos que descansamos melhor do que quem lá ficou



















4ª Pontevedra – Padrón

Padrón era outro dos locais onde queríamos pernoitar e assim foi. A etapa à semelhança da anterior permitiu-nos despender algum tempo a conversar com outros peregrinos pelo caminho.













Os famosos pimentos de Padrón



5ª Padrón – Santiago

A mais curta de todas as etapas, onde já se apanha bastante alcatrão e de todas a que menos gostei por estar a chover (logo eu que detesto andar à chuva).







 
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#4
Rescaldo

A ideia de ir a Santiago baseava-se na premissa de não termos pressa, estávamos de férias, pelo que gastar 3 ou 5 dias seria indiferente.
Depois de fazer o percurso posso dizer que não teria dificuldade em fazer o mesmo em 2 dias, contudo ter gasto 5 dias para fazer o mesmo permitiu-me disfrutar muito mais do mesmo, quer em tempo para tirar fotos, quer em tempo para falar com outros peregrinos que iam a fazer o caminho a pé.

Só para terem uma ideia encontrei e falei com peregrinos de locais tão distintos como:
- Portugal (Esposende, Maia, Santa Maria da Feira, Braga, Barcelos, Famalicão)
- Espanha
- França
- Alemanha
- Itália
- Bélgica
- Polónia
- EUA (Califórnia)
- Koreia
- Japão

Isto tornou-se, para mim, o maior evento multicultural do ano

Em Padron encontrei uns peregrinos de Famalicão que iam de bike e que estavam a fazer o caminho em 2 dias, aos quais perguntei com quantos peregrinos pararam para falar, ao que me responderam que eu era o primeiro (provavelmente por também estar de bike).

Fazer o caminho “de gaz” pode ser importante/interessante para alguns, contudo para mim foi muito mais interessante fazer o caminho com tempo para ter tempo de o apreciar. Quem sabe se da próxima vez o faço “de gaz” para ver como é.

Certo é que foram 5 dias de férias espectaculares que passei a fazer o caminho
Quem sabe se a próxima aventura não será o caminho francês :D
 
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#5
Caro amigo,

Lembro-me de teres postado noutro tópico que ias fazer o caminho.
Vejo que correu bem... Eu vou fazê-lo na próxima semana para ser feito (desde Guimarães) em três dias, nas calmas...

Tem algum conselho que seja importante para quem vá fazer o caminho pela primeira vez e ainda não tenha treinado muito??
Também queria fazer o caminho francês num futuro próximo!!!

Continuação de boas pedaladas...
 
#6
olá lgonçalves, sobre as etapas, o que posso dizer é que as maiores dificuldades estão entre Barcelos e Pontevedra, sendo a maior a serra da Labruja a seguir a Ponte do Lima. Isto pode-se conformar pelo gráfico da altimetria que existe no albergue de Pontevedra (um quadro gigante em frente à recepção)

Para teres uma ideia o meu companheiro tem 62 anos e treinou muito pouco mesmo. Os 2 primeiros dias foram difíceis para ele, mas como tínhamos tempo ele optou por não se esforçar nas subidas, fazendo a maioria a pé e assim chegou sem problemas.

Nós optamos por iniciar as 2 primeiras etapas às 06h00 para fugir ao calor e não andar durante a tarde, aproveitando assim para descansar ou visitar os locais por onde passávamos.
As restantes como eram mais curtas iniciávamos às 08h00.

Em termos de problemas mecânicos eles foram ZERO :D
Apenas me esqueci de molas para colocar a roupa a secar, mas que facilmente se resolveu. Achei curioso alguns peregrinos utilizarem, alfinetes para pendurar meias :D

Finalmente, como regressei de comboio, para quem pense utilizar este transporte é importante ir à estação o mais depressa possível para comprar o bilhete, isto porque apesar de a bike não pagar bilhete, o comboio apenas transporta 3 bikes (e servem-se os primeiros)

Eu apanhei um comboio às 16h29 que faz Santiago - Redondela - Vigo (comprei o bilhete em Santiago). Depois muda-se para o que faz Vigo - Redondela - Porto às 19h37 e voltas a ter de comprar um novo bilhete (o tal que não se sabe se continua a funcionar depois de setembro)

Percebi depois que podia ter ficado em Redondela, contudo penso que seja preferível ir a Vigo.
Ao contrário do comboio espanhol, o português tem lugar para 4 bikes e esta também não paga bilhete
 
#8
Olá Super.byke

Depois do teu relato ficou tudo mais claro em relação às etapas a realizar, vou deixar como tinha previsto.
Obrigado pela dica das molas da roupa :) acho importante e não me lembrava.
A questão do comboio começa a preocupar-me porque no site da renfe já não existe o comboio de Vigo Porto, tenho de pensar numa alternativa.
Só me resta aguardar pelo dia 3 de Setembro para sair do Algarve.

Abraços


Ultreia Y Suseia
 
#9
Mais uma dica, o caminho a partir do Porto está tão bem assinalado que não é necessário nenhum GPS (eu não levei pois também não tenho). Assim sempre me diverti um pouco à procura das setas quando tinha alguma dúvida.
Em Portugal as marcações estão são mais recentes que em Espanha, mas em todo caso duvido que alguém se perca :D
 
#10
Olá!Ainda bem que pensam como nós:fazer o camiño, pelo camiño e não pelas carreteras! É muito engraçado falarmos com pessoas de outras nacionalidades, que apesar de todos falarmos, línguas diferentes_desde que o tema seja Camiño: tudo se entende!!!
"Abraceijos"!Aires e Jacinta
 
#11
Pois uma das permissas era fazer o caminho sem fugir a nenhuma dificuldade, as setas eram para seguir todas sem excepção uma vez que tinhamos tempo. Os atalhos que se poderiam fazer não nos interessavam :D

A parte de poder ir falando com diferentes pessoas ao longo do caminho foi uma das vertentes que mais me alegrou :D
 
#12
Super.Byke,
também por cá tenho registo:)

No teu relato do Caminho faltam o episódio fabuloso do Pavilhão de Pontevedra :) eheh
Depois de vocês terem passado por nós, acabamos por conhecer os "personagens" da peripécia. Fizeram as mesmas etapas que nós dali para a frente e quando à conversa com eles percebemos que era deles que nos tinham falado, somamos ao vosso relato e rimos à brava!
De Pontevedra em diante, com aquela dupla no Caminho andava toda a gente a rir que os fulanos era os verdadeiros personagens :)

Quanto ao resto, Caminho é isso mesmo :) E eu que o diga, que fui fazer o francês sozinho, e só no primeiro dia pedalei sozinho o dia todo. no segundo dia já me ía cruzando com mais malta, e a partir do 3.º já tinha companhia. Mas mesmo pedalando sozinho a gente vai parando e falando com tudo o que é peregrino. É uma maravilha :)
As setas têm um efeito terapêutico: a gente fixa-se na busca da próxima seta e esquece tudo o que deixa para trás.
No caminho francês as vieiras não têm a mesma leitura que cá. Lá tanto aparecem viradas para a esquerda como para a direita, sem que isso signifique qual o lado do caminho :)